PLATÃO E O IDEALISMO ALEMÃO

VIEILLARD-BARON, Jean-Louis. Platon et L’Idéalisme Allemand (1770-1830). Paris: Éditions Beauchesne, 1979

Prefácio

Isto não é um livro, mas uma tese. O autor procurou nela destacar a influência de Platão no idealismo alemão e, em especial, na obra de Hegel. A marca do trabalho do Espírito e da aventura espiritual que ele suscitou ainda é visível nessas páginas em sua forma original: o autor mergulhou na erudição mais minuciosa para emergir dela gradualmente. Primeiramente, ele seguiu o caminho que vai da filosofia à história da filosofia e, desta, à história das ideias; em seguida, remontou esse caminho, partindo da emergência textual e prolífica até sua origem metafísica e pontual, como o clarão da intuição. Na história da filosofia, ele seguiu os ensinamentos de Yvon Belaval, que demonstrou o enorme interesse dos autores secundários em renovar a imagem do século XVIII. É claro que certas visões fragmentárias merecerão aprofundamentos: é preciso repensar com novos olhares o sentido metafísico do retorno à Antiguidade na segunda metade do século XVIII. É preciso também destacar o alcance da reflexão hegeliana sobre Platão e propor um novo Hegel, bem diferente daquele “Hegel interpretado de todas as maneiras” de que fala André Malraux. Mas o trabalho do Espírito pressupõe paciência e o sofrimento do negativo.

A tese aqui defendida sustenta a persistência do platonismo espiritual ao longo do racionalismo da Ilustração e no idealismo alemão. Buscando continuamente fora das “páginas canônicas” às quais se quis reduzir a filosofia, buscando até mesmo fora daquilo que a banalidade racionalista chama de filosofia — cega que está pela ilusão de estabelecer limites a um domínio que só escapa à indeterminação por ser ilimitado —, o autor preferiu compor aqui uma rapsódia em vez de elaborar uma síntese bem fechada. Isso porque a rapsódia implica uma visão da natureza e do destino do Espírito, com suas rupturas, seus crescendos, suas excrescências e seus renascimentos. Ao tentar mascarar os aparentes caprichos dessa abordagem, corria-se aqui o risco de acorrentar o Espírito, que não pode ser acorrentado. Que o leitor tenha a bondade de desculpar a espontaneidade imperiosa que moldou o autor a respeito desse tema e, por isso, o tornou incapaz de se corrigir.

19 de abril de 1979.


PREÂMBULO: LER PLATÃO E PLATONIZAR

I. Comparar e rotular

II. Os problemas da leitura

III. Diacronia e Sincronia

IV. Por uma metafísica idealista

UMA DECIFRAÇÃO DIFÍCIL

Capítulo I. O artigo “Platão” de Brucker

Capítulo II. Kant e Platão

Capítulo III. Um verdadeiro leitor de Platão no século XVIII: Leibniz

VARIAÇÕES SOBRE O TEMA DE PLATÃO

Capítulo I. A modernização dos diálogos: um Platão racionalista

Capítulo II. A iniciação platônica: um Platão esotérico e CRISTÃO

A AURORA DE IENA E A NOSTALGIA DE PLATÃO

Capítulo I. O dia amanhece

Capítulo II. O platonismo de Hegel em Iena

Capítulo III. O cosmo e sua alma

Capítulo IV. O Platão dos filólogos

CONCLUSÃO

INTERPRETAÇÃO E ASSIMILAÇÃO DE PLATÃO NO SISTEMA HEGELIANO

Capítulo I. A introdução geral a Platão

Capítulo II. Hegel e a dialética de Platão

Capítulo III. Hegel e o Timeu

Capítulo IV. Hegel diante da República de Platão

SITUAÇÃO E VALOR DA INTERPRETAÇÃO HEGELIANA DE PLATÃO