Simplício

Epicuro. Opere. UTET

SIMPLÍCIO, No Aristóteles Física, p. 925, 13 seguintes Diels (268 Us., 154 Arr.2).

Em mais lugares, de fato, Aristóteles havia refutado as teorias de Leucipo e Demócrito, e talvez precisamente por aquelas refutações que se referiam à argumentação baseada na ausência de partes, Epicuro, vindo depois, mas propenso a voltar a aceitar a opinião de Leucipo e Demócrito sobre os elementos, ateve-se à doutrina de não estarem sujeitos a acidentes e deixou invés cair aquela da ausência de partes, já que esses filósofos haviam sido já refutados por Aristóteles sobre este ponto.

SIMPLÍCIO, No Aristóteles Física, p. 601, 14 seguintes Diels (273 Us.).

Deve-se saber portanto que, entre aqueles que escreveram sobre o lugar, alguns supuseram-no corpóreo outros incorpóreo… e entre os que o entenderam como incorpóreo alguns retêm-no tendo dimensões, outros privado de dimensões… entre os que depois o retêm tendo dimensões uns dizem que se estende em duas direções… outros em três; e entre estes alguns retêm-no totalmente indiferente e capaz de subsistir sem conter nenhum corpo, como Demócrito e Epicuro e os seus discípulos.

SIMPLÍCIO, No Aristóteles Física, p. 618, 16 seguintes Diels (273 Us.).

Ademais, entre os que admitem o vácuo, alguns afirmam que é infinito, e que supera todos os corpos pela sua infinitude, e portanto acolhe este ou aquele outro corpo assim como suceda nesta ou naquela das suas partes, se é que é lícito falar de partes para o infinito vácuo. Parece que uma teoria do gênero formularam-na os antigos filósofos da natureza da escola de Demócrito.

SIMPLÍCIO, ibidem, p. 571, 21 seguintes Diels (ibidem, Us.).

Aristóteles diz: «o lugar não pode não ser senão uma destas quatro coisas», isto é, a forma do que está nele, a sua matéria, o intervalo entre os limites extremos do recipiente (e é esta a teoria de alguns filósofos anteriores, como os Democriteanos, e seguintes, como os Epicuristas e os Estoicos; alguns retêm que também para Platão o lugar seja este) ou os limites mesmos do recipiente… Quanto ao intervalo de que se falou, os Democriteanos e os Epicuristas retêm que ele seja vácuo de maneira tal que possa por vezes ser ocupado por um corpo, por vezes permanecer vazio; enquanto os platônicos e os estoicos afirmam que ele é algo de diverso dos corpos mas que sempre contém em si um corpo e não permanece nunca vazio.

SIMPLÍCIO, No Aristóteles Física, p. 648, 11 seguintes Diels (ibidem, Us.).

Afirmavam aqueles que há em ato um intervalo capaz de interromper, com a interposição no meio, a continuidade dos corpos; assim disseram as escolas de Demócrito e Leucipo, afirmando ademais que não só no cosmos há o vácuo mas também fora do cosmos, e neste caso é claro que não se trataria de lugar, mas de um espaço subsistente de per si. Desta opinião foi também Metrodoro de Quios, e alguns dos Pitagóricos… e mais tarde Epicuro.

SIMPLÍCIO, No Aristóteles sobre o céu, p. 569, 5 seguintes Heiberg (276 Us.).

Demócrito e a sua escola, e mais tarde Epicuro, disseram que todos os átomos têm peso, pois que têm a mesma natureza; mas porque alguns são mais pesados ocorre que os mais leves, repelidos por estes que tendem a ir para baixo, são ao contrário levados a ir para o alto. Por esta razão, dizem eles, algumas coisas aparecem pesadas, outras leves.

SIMPLÍCIO, ibidem, p. 267, 17 seguintes Heiberg (ibidem, Us.).

Os corpos elementares movem-se ou pela sua própria natureza, ou levados por algo diverso, ou então por choque recíproco… Que não se movem por força, enquanto chocando-se reciprocamente, é o que ele demonstra em seguida. De tal opinião depois dele foram Estratão de Lâmpsaco e Epicuro, os quais reputaram que cada corpo tenha um peso e tenda a ir para o centro, mas que, pelo fato de os corpos mais pesantes tenderem a ir para o baixo, os mais leves são por eles empurrados com violência para o alto; de sorte que se se retirasse do centro a terra tenderia a ocupar aquele lugar a água, e se se retirasse a água o ar, e se se retirasse o ar o fogo.

SIMPLÍCIO, No Aristóteles Física, p. 938, 17 seguintes Diels (277 Us.).

Se cada grandeza fosse divisível, não seria possível que o que é mais lento percorresse em um tempo igual uma distância menor do que o que é mais veloz; o que é indivisível e privado de partes, seja ele mais lento ou mais veloz, percorre a distância em um tempo igual. Se, de fato, em um certo caso a percorresse em um tempo maior, percorreria em um tempo igual um espaço um pouco menor do que o indivisível. Por isso Epicuro retém que todas as coisas se movam com velocidade igual por trechos indivisíveis, para evitar que os seus átomos, dividindo-se, não sejam mais átomos.

SIMPLÍCIO, No Aristóteles Física, p. 679, 19 seguintes Diels (279 Us.).

Com base nestes princípios, diz Alexandre, é possível replicar a Epicuro, e talvez não menos a Democrito e Leucipo e em género a todos os que põem como princípios os corpos indivisíveis e o vácuo, que, se os átomos se movem no vácuo com velocidade desigual, é preciso que eles indiquem as causas desta diferença de velocidade no movimento: já que nem a grandeza nem o peso nem a figura têm nada que ver com a velocidade. Se depois se movem com a mesma velocidade, tornar-se-á impossível que eles se alcancem uns aos outros e se choquem e se entrelacem. Nem a diferença de figura tem alguma capacidade de tornar ela mesma desigual o seu movimento: as figuras produzem este efeito se dividem ou não dividem as grandezas; mas no vácuo não existe nada que possa ser dividido. A seguir portanto estes, não se vê como poderia verificar-se o nascimento de algum ser. Talvez esta consequência absurda derivará da sua afirmação de que os átomos estão em movimento perpétuo; se de fato se supusesse que parte se movem com a mesma velocidade mas parte estão em quietude, tornar-se-ia possível o seu recíproco alcançar-se. Se depois se põe o problema por que seja impossível que o que é mais pesado e o que é mais leve se movam com a mesma velocidade, é fácil dizer que, se a adição de peso não torna o movimento mais veloz, nem mesmo em origem no vácuo a pesadez poderá ser causa de movimento mais veloz para o baixo; o que, se adicionado, não acresce nem intensifica o movimento, não poderia nem mesmo em origem ser sua causa. Se depois a tração do peso não é causa de movimento no vácuo para os corpos, não se pode nem mesmo supor que os corpos se movam originariamente no vácuo; de fato não há alguma outra causa do movimento segundo a natureza dos corpos senão a tração do peso que lhes é própria. E diz ainda Alexandre: «se Epicuro e a sua escola retêm que os corpos tenham peso, e se movam no vácuo por causa do seu peso, seguir-se-á que, para aqueles corpos cuja pesadez é causa do movimento, a maior tração do peso será causa de maior velocidade; mas não é possível que isto ocorra no vácuo, os corpos não poderiam mover-se nele por causa do peso; e se não se movem por via do peso, deve-se concluir que não se movem de todo».

SIMPLÍCIO, No Aristóteles sobre o céu, p. 242, 15 seguintes Heiberg (284 Us.).

(Aristóteles) demonstra em seguida que não é possível que os corpos elementares, enquanto distintos, sejam infinitos por multidão, como supuseram Leucipo e Demócrito e as suas escolas antes dele, e depois dele Epicuro. Todos estes afirmam serem infinitos por multidão os princípios, e chamam-nos átomos e indivisíveis, e não sujeitos a alguma afecção, pelo seu próprio ser absolutamente compactos e desprovidos de vácuo; retêm de fato que a possibilidade da divisão se verifique nos corpos por via do vácuo que está neles; estes átomos ao contrário subsistem separados uns dos outros no vácuo infinito, diferentes por grandeza, figura, posição, ordem, e movem-se no vácuo, e encontrando-se chocam-se entre si e alguns são repelidos ao acaso, outros invés entrelaçam-se entre si com base na correspondência das suas figuras, grandezas, posições e disposições, e permanecem unidos; de tal modo verifica-se o vir ao ser dos compostos.

SIMPLÍCIO, No Aristóteles Categorias, p. 216, 31 seguintes Kalbfleisch (ibidem, Us.).

E justamente se objeta a Demócrito e Epicuro que não se vê por qual razão deixam subsistir entre os átomos algumas diferenças, quais figura, peso, compacidade, corporeidade, limite, grandeza, movimento, enquanto afirmam que eles não têm cor, nem doçura, nem vida, e que não há nem mesmo que falar para eles de qualidades deste tipo. De fato, pois que comum é o raciocínio que se faz em torno de todas as possíveis qualidades, é absurdo não estabelecer as mesmas coisas em torno dos mesmos objetos; ainda mais absurdo pôr depois como derivadas as forças que são originárias e têm função diretiva, como a vida, o intelecto, a natureza, a razão e outras semelhantes. Analogamente, é impossível que todas estas coisas possam gerar-se de um puro amontoado; segundo Demócrito, de fato, a cor e todas as propriedades deste tipo são por convenção, na verdadeira realidade não há senão os átomos e o vácuo.

SIMPLÍCIO, ibidem, p. 431, 34 seguintes Kalbfleisch (ibidem, Us.).

Demócrito, e mais tarde Epicuro, com as suas escolas, tendo posto o princípio que os átomos são desprovidos de afecções e de qualidades, excetuadas as figuras e uma certa sua combinação, afirmam que as outras qualidades se geram secundariamente, tanto as mais simples, como o quente, o liso, quanto as constituídas por cores e sabores. Se estas qualidades se verificam em uma certa combinação de átomos, também a sua variação derivará de deslocamento, e a sua combinação e transposição e disposição não derivará de outro que do movimento por translação: em suma a transformação dos átomos identifica-se com o movimento de translação, ou dele segue, ou é pertinente a ele.