Hermes

VAN DEN KERCHOVE, Anna. La voie d’Hermès: pratiques rituelles et traités hermétiques. Leiden Boston: Brill, 2012.

II. HERMES, DO DISCÍPULO AO MESTRE

Se o narrador de CH I for Hermes Trismegisto, esse tratado documenta sua transição de discípulo a mestre, um tema central que fundamenta a legitimidade de toda a tradição hermética.

1. Hermes, o herdeiro de toda uma tradição

Tanto em CH I quanto em SH 23, o status de Hermes e do narrador como recipientes da instrução divina é resultado de uma escolha divina baseada em suas aptidões e preparação.

2. Hermes missionário

Por meio da instrução e da ordem divina, o narrador de CH I passa da condição de discípulo à de missionário, um papel que serve de fundamento e justificativa para a posição privilegiada de Hermes em quase todos os outros tratados.

3. Hermes, autoridade e modelo dos hermetistas

Se a identificação do narrador de CH I com Hermes Trismegisto for aceita, ele se torna uma figura ambígua entre o mundo divino e humano, um ser humano divinizado que serve de autoridade e modelo para todos os hermetistas.

4. CH I: um ritual de investidura?

Se Hermes é um modelo a ser imitado, o tratado CH I pode ser interpretado como um guia para um ritual de investidura, onde o destinatário hermética se identifica com o narrador e, sob a orientação de um mestre, passa pela mesma experiência de instrução e transformação.