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Sobre a vida de Albino e a área em que operou, tem-se apenas um dado: entre 149 e 157 d.C., Galeno seguiu suas lições sobre o platonismo em Esmirna, o que o tornaria aproximadamente um contemporâneo de Tauro e uma geração mais velho do que Apuleio.
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Das obras de Albino, conservaram-se apenas dois manuais escolásticos de base, uma Introdução aos Diálogos de
Platão e o Manual das Doutrinas de
Platão, sendo que este último foi transmitido no manuscrito sob o falso nome de “Alcinoo”.
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O Manual das Doutrinas de
Platão é uma descrição escassa e escolástica da doutrina platônica, cuja própria natureza torna altamente improvável que haja muita originalidade, ou que haja alguma, mas apresenta algumas inovações interessantes e revela uma clara tendência mística em seu capítulo 10.
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Levanta-se o interessante problema das relações desta obra com o De Platone et eius Dogmate de Apuleio, e um estudioso polonês, Tadeusz Sinko, esperava reconstruir algo da doutrina de Gaio, que, segundo ele, é a fonte comum a ambas as obras.
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O capítulo 12 do Didaskalikos, que trata das Ideias, é uma paráfrase muito próxima – com um início literalmente idêntico – de uma seção de Ário Dídimo sobre o mesmo tema, o que permite ver a obra de Albino essencialmente como uma “nova edição” da obra de Ário Sobre as Doutrinas de
Platão.
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Há ainda o problema da autoria do Anônimo Comentário ao
Teeteto, um fragmento de um comentário sobre o diálogo preservado em um papiro, cujo início é mutilado, e cujos editores reconhecem sua afinidade com o platonismo de Albino no Didaskalikos, mas avançam numerosas dificuldades no momento da identificação.
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A primeira dificuldade que os editores avançam é a do estilo, mas este é um critério não confiável, sendo a única diferença específica aduzida a frequente presença de sinônimos em Albino, que, no entanto, faltam no comentário, embora os próprios editores sublinhem que se trata de duas obras de tipo diferente.
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Um problema mais delicado deriva de um erro de citação: tanto Albino, na Introdução, quanto o Comentador citam a definição de conhecimento no
Mênon, mas o Comentador cita erroneamente, enquanto Albino cita corretamente.
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Contra essas discrepâncias, deve-se considerar que em todas as questões doutrinais e terminológicas Albino e o Comentador estão de acordo, embora em todos esses casos se trate de relativos lugares comuns, não havendo divergências doutrinais entre eles, ainda que afirmar sua identidade seria arriscado, à luz do estado pouco satisfatório dos testemunhos.