Refutação sistemática da doutrina ateísta que reduz o entendimento humano a um tumulto mecânico de movimentos corpóreos, asseverando que a mera reação passiva de órgãos sensoriais frente a pressões externas resultaria na atribuição absurda de intelecção a corpos inanimados e superfícies reflexivas.
Proposição da mente como substância ativa dotada de vigor e potência nativa, onde o ato de conhecer não deriva da força adventícia dos objetos, mas da capacidade intrínseca do sujeito em exercer ideias inteligíveis domésticas para compreender afecções sensíveis em termos de formas ideais.
Contestação do nominalismo moderno que desqualifica universais como meras atribuições nominais a corpos singulares, defendendo a realidade ontológica de concepções objetivamente universais sob o argumento de que a concebibilidade de um objeto implica necessariamente sua entidade inteligível.
Dedução da existência de um Ser Onipotente a partir da capacidade intelectual de formular ideias de perfeição matemática, como linhas retas ou esferas exatas, que jamais existiram na matéria irregular do mundo sublinear e que pressupõem uma potência divina capaz de atualizar tais possibilidades.
Afirmação da primazia ontológica do Inteligível sobre a Intelecção, postulando que o conhecimento original reside em um Ser Perfeito que compreende a si mesmo e a totalidade das verdades imutáveis como arquétipo e paradigma para a criação do universo sensível.
Postulado sobre a eternidade e indestrutibilidade das verdades geométricas e éticas, as quais permanecem imutáveis independentemente de convenções humanas, leis arbitrárias ou mesmo da aniquilação total da matéria, existindo como emanações da glória do Todo-Poderoso.
Harmonização entre as tradições de
Platão e
Aristóteles no que tange à ingenerabilidade das essências inteligíveis, identificando nas formas e espécies os objetos estáveis da ciência em oposição ao fluxo perpétuo e à mutação indeterminada das substâncias sensíveis e singulares.
Demonstração da unicidade da Mente autoexistente através da uniformidade trans-histórica das verdades compartilhadas, sugerindo que a identidade das ideias em diversas consciências humanas decorre da impressão de um mesmo selo original e da iluminação por uma única luz eterna.