Dualidade entre dimensão pública e dimensão secreta nos cultos dionisíacos
Cerimônias públicas, como procissões, acessíveis a comunidade em geral
Rituais privados restritos a membros iniciados, as *thiasoi*, de caráter secreto e iniciático
Dificuldade historiográfica em determinar ponto de transição onde ritos assumiram forma plena de religião mistérica
Debate acadêmico sobre existência de verdadeiros Mistérios dionisíacos
Objeção baseada na suposta ausência de doutrina escatológica explícita e formalizada
Contra-argumentação fundamentada no reconhecimento de limitações documentais sobre aspectos esotéricos
Premissa antropológica de que ritos iniciáticos secretos carregam, por definição, significados herméticos
Reinterpretação do conceito de esperança escatológica além dos modelos órficos e helenísticos
Ciclo de ocultamento e epifania de Dioniso como narrativa de morte e renascimento
Significado espiritual de suas descensos aos infernos, prefigurando ressurreição
Centralidade do culto ao Dioniso criança e ritos de despertar
Estrutura mistérica presente no culto de Sabazio e sua fórmula de salvação
Implicações escatológicas da comunhão extática, mesmo sem doutrina explícita de imortalidade
Mito de Dioniso-Zagreu como núcleo de uma teologia da paixão e regeneração
Transmissão da narrativa principalmente por autores cristãos, em versão evemerizada, mas detalhada
Sequência mítica completa: sedução por brinquedos simbólicos, assassinato, desmembramento, cocção em caldeirão, salvamento do coração e fulminação dos Titãs
Dogma da ressurreição atestado por fontes pagãs, como Filodemo, referindo-se a três nascimentos do deus
Comemoração ritual anual em Creta que mimetiza paixão do deus e frenesi coletivo
Antiguidade e difusão do complexo mito-ritual zagreico
Nome Zagreu atestado desde século IV a.C., significando “Grande Caçador”
Atribuição a Onomacrito, no século VI a.C., de poema sobre sofrimentos do deus causados pelos Titãs
Correlação entre máscara de gesso dos Titãs e rito iniciático ateniense de empolvar candidatos
Evidência material de “jogos místicos” em papiro órfico do século III a.C.
Interpretação do “crime dos Titãs” como ritual de iniciação invertido
Comportamento dos Titãs como oficiantes de cerimônia de passagem que confere novo estatuto ontológico
Sequência de morte simbólica, desmembramento, cocção e regeneração como via de divinização
Reinterpretação teológica posterior que demoniza os Titãs para afirmar soberania de Zeus
Ressonâncias com padrões xamânicos universais de desmembramento e regeneração para acesso ao sobrenatural
Incorporação do mito zagreico na antropogonia e soteriologia órficas
Criação da humanidade a partir das cinzas dos Titãs fulminados, mesclando natureza titânica e divina
Consequências éticas e soteriológicas desta origem híbrida para a condição humana
Caráter iniciático dos ritos dionisíacos em centros específicos como Delfos
Papel de Orfeu na sistematização e reforma dos Mistérios dionisíacos
Tradição que atribui a Orfeu a transmissão do desmembramento nas cerimônias mistéricas
Proclamação de Orfeu como profeta de Dioniso e fundador de todas as iniciações
“Iniciações órficas” como reformulação de mistérios dionisíacos pré-existentes
Natureza paradoxal e potencial transformador da experiência dionisíaca
Dioniso como expressão da unidade fundamental entre vida e morte
Capacidade de manifestar-se sob aspectos contraditórios, atraindo camponeses, intelectuais, orgiásticos e ascetas
Espectro de experiências que vão da embriaguez e êxtase erótico ao *enthousiasmos* e comunhão com os mortos
Possibilidade, através do transe, de superar a condição humana e tornar-se encarnação do deus
Gênese de formas culturais a partir de matrizes rituais dionisíacas
Transformação do ditirambo extático em espetáculo e, posteriormente, em gênero literário
Emergência da tragédia e do drama satírico de núcleos litúrgicos
Dialética entre publicização espetacular (teatro) e ocultamento iniciático (Mistérios)
Vitalidade perene do fenômeno dionisíaco