Teoria da Alma

Chaignet

A psicologia de Damascius é conforme à doutrina neoplatônica: a alma é resultado de uma mistura de elementos, não de partes múltiplas, pois os elementos tendem a se reunir e confundir.

A alma irracional está ligada ao corpo e não pode se voltar sobre si mesma, sendo seu ato intimamente unido ao seu substrato, o que constitui sua essência.

A hipóstase pensante é superior à essência irracional, pois possui uma forma separável, existe por si mesma e se volta sobre si mesma, tendo a faculdade da consciência.

A alma não é princípio supremo, pois sua imperfeição supõe um princípio superior e anterior a ela, absolutamente imutável e imóvel, que é a razão.

Para estabelecer uma ordem ascendente das coisas até o Primeiro, deve-se considerar que o que está em potência está abaixo do que está em ato, pois o mais perfeito nunca pode desabrochar do mais imperfeito.

Acima do animal está a força verdadeiramente automotriz, que é a alma, da qual existem duas espécies: a irracional e a pensante, caracterizada pela consciência e pela faculdade de se voltar sobre si mesma.

Damascius defende que as almas individuais são independentes, possuem seu princípio de existência em si mesmas, e não são simples rejeitos ou iluminações de uma alma única.

A teoria da conhecimento é abordada como a conversão da faculdade de conhecer em direção ao cognoscível, sendo um contato pelo qual a alma abraça e circunscreve o objeto.

Avaliação final sobre Damascius: ele é considerado um pensador e dialético original, cujas sutilezas escondem um fundo sério, complementando e precisando a teoria da participação.