Forma exortativa pitagórica baseada no uso de máximas métricas e harmônicas, exemplificada nos Versos de Ouro e outros poemas, que visam conduzir o discípulo à vida divina por meio de disciplina, meditação e amor às coisas belas.
As máximas exortam a todas as disciplinas e estudos nobres, sem poupar esforços, e a uma aspiração à virtude que transcende a natureza humana e se aproxima da essência divina.
A sabedoria teórica ou contemplativa (theoria) é incentivada através do conhecimento da ordem dos deuses imortais e dos homens mortais, da lei que rege a separação e união de todas as coisas, e da uniformidade da natureza em todas as espécies.
Este conhecimento teórico possui um poder admirável de despertar o desejo genuíno pela filosofia contemplativa, pois o conhecimento dos deuses constitui virtude, sabedoria e felicidade perfeita, assimilando-nos a eles, enquanto o conhecimento dos homens fornece virtudes humanas e habilita para a vida prática.
Ensina-se ainda, de modo mais admirável, a lei pela qual o princípio divino em cada um ascende sem obstáculos ou é impedido pelas correntes corpóreas.
Exortação fundada no caráter voluntário e deliberado da vida humana, evidenciando que o homem é o próprio autor de seus males e possui o poder inerente de escolher o bem e evitar o mal.
Pitágoras afirma que escolhemos nosso próprio destino, somos nossa própria sorte e forjamos nossa felicidade, cabendo-nos eleger apenas o que é belo e digno por si mesmo.
Os bens estão próximos e são connatos à nossa alma, mas os homens, cegos e surdos pelos sentidos, não os percebem, até serem despertados de sua letargia fatal para a vida intelectual, na qual somente o intelecto vê e ouve tudo.
A libertação dos males, que poucos sabem como efetuar, exorta a uma separação do corpo e a uma vida da alma per se, independente das condições corpóreas, denominada meditação da morte.
Exortação baseada no desprezo e aversão aos males, que trazem violência, imprudência, leviandade, inconstância e, sobretudo, o indefinido e desordenado, os quais devem ser vigorosamente evitados.
Revelação da natureza humana dupla: uma forma alienígena e geradora (genesíurga), chamada de “contenda connata” ou “companheira” que lesa secretamente, e outra, nossa natureza essencial e divina.
Conselho para descartar essa contenda connata e acolher, em seu lugar, a energia intelectual harmônica e uniforme, que traz o bem e o princípio de salvação, assumindo a vida principal e mais perfeita.
Exortação à perfeição divina e à melhor condição de vida, que nos coloca em comunhão com os deuses, combinando preces e invocações, especialmente a Zeus, com a manifestação clara do daimon alocado a cada um.
Ninguém pode ascender ao que é essencialmente divino sem utilizar esse gênio (daimon) mediador, por meio do qual o amante dos deuses é genuinamente purificado.
A ele devemos primeiramente a libertação dos males inerentes à geração e, em segundo lugar, o verdadeiro conhecimento do caráter da vida divina e feliz, pelo qual ascendemos e contemplamos a raça principal e divina dos homens.
Exortação final a uma mudança nos hábitos da alma e a um retorno à vida per se, pela qual a alma se liberta do corpo e de suas paixões, restaurando-se à ordem divina.
Reconhecimento da primazia do intelecto (nous) como melhor condutor da alma, preservando a semelhança com os deuses.
Se abandonarmos o corpo e passarmos à região etérea, trocando a natureza mortal pela vida imortal, seremos restaurados ao circuito divino que nos era próprio antes da descida à forma humana.
O método dessas exortações conduz, portanto, a todas as espécies de bens e a todas as formas da vida superior.