Chaignet
A filosofia de Platão tem uma superioridade imensa sobre todos os outros sistemas, e nela domina sobretudo a psicologia, sendo o objetivo de diálogos como o Alcibíades o conhecimento de si mesmo, ou seja, a natureza do homem.
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“Qual é o objetivo deste diálogo? O conhecimento de si mesmo, ou o que vem a ser o mesmo e, como diz o segundo título, a natureza do homem.”
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Platão expõe a diferença dos três termos: eu, o meu, as coisas de mim, e a identidade dos dois termos: o justo e o útil.
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O verdadeiro sujeito é a alma, pois é só à alma que o justo é útil, e não ao ser composto.
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A conclusão do diálogo é que o homem é uma alma.
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O homem de que se trata aqui e que é preciso conhecer é o homem vivendo em sociedade, pois só ele responde à definição de que o homem é uma alma pensante que se serve do corpo como de um instrumento.
Olimpiodoro atribui a Sócrates o caráter psicológico da filosofia, pois ele deu ao homem o movimento espontâneo e à sua pensamento a mobilidade livre.
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Sócrates não permitiu que o homem se satisfizesse com conhecimentos adquiridos e transmitidos por um mestre.
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Sócrates obrigou o homem, por assim dizer, a dar à luz o que seu espírito contém e a descobrir ele mesmo a verdade.
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Essas conhecimentos conquistados pelo esforço espontâneo da livre pesquisa são a filosofia, à qual nenhum espírito sério pode se furtar.
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Segundo o dito de
Aristóteles, ou se crê que é preciso rejeitar todo sistema filosófico, e isso mesmo é um sistema filosófico, ou se crê que se pode encontrar um sistema verdadeiro, e é preciso então procurá-lo.
A filosofia, que é uma ciência, possui um método com dois movimentos: a divisão, que da unidade faz sair a pluralidade dos seres, e a análise, que remonta dos efeitos às causas e das partes ao todo.
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A divisão se assemelha à processão que da unidade faz sair a pluralidade dos seres.
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A análise, que ele chama também de “o que conduz de volta”, se assemelha ao movimento de retorno da pluralidade à unidade.
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Um desses métodos vê do alto no vale; o outro não vê as alturas senão de baixo.
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Há dois procedimentos do espírito na pesquisa da verdade: a definição, que corresponde à permanência do ser em si mesmo; e a demonstração, que liga a consequência a seu princípio.