Chaignet
O raciocínio é a razão discursiva, inferior à razão pura por ser discursiva, mas superior à sensação e à imaginação por ser um ato da alma pensante.
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Quando a razão discursiva se porta com força para a razão pura, é iluminada pela luz da verdade intelectual.
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Quando se abaixa para o conhecimento irracional, ela se enche das trevas do erro, companheira natural da sensação.
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A razão discursiva visa o conhecimento da causa, que a sensação não pode sequer buscar.
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O pensamento da razão pura é o mais verdadeiro, pois, em seu relacionamento com os inteligíveis, permanece indivisível.
O pensamento puro é uma visão, como ato sem passividade, e um tocar, na medida em que é unido aos inteligíveis e é os próprios inteligíveis.
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Na sensação, só aparecem as imagens das coisas sensíveis.
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Na razão pura, aparecem os primeiros inteligíveis mesmos.
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Na alma, aparecem as imitações dos inteligíveis, mas inseparavelmente unidas a seus tipos exemplares.
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O conhecimento é a beleza da alma por sua claridade e o encanto que exerce.
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A alma tira de si mesma os termos que faltam à reminiscência e a todos os seus julgamentos, sendo certo que a alma possui ideias e que as ideias existem.
Como a unidade existe antes da pluralidade, o universal antes do particular e o inteligível e imaterial antes das coisas sensíveis e materiais, é certo que há ideias.
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“É certo que há ideias, e que nossa alma as contém ou contém suas imagens.”
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Essas ideias, esses inteligíveis, engendram na alma as noções universais e ideais.
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A alma distingue as formas reais das formas ideais, julgando que isto é mais belo e aquilo menos belo, comparando as coisas a um termo que as define, a uma ideia.
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A distinção do mais e do menos seria impossível à alma estabelecer e pronunciar se ela não tivesse essas noções absolutas.
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As ideias são organizadas em tríades: uma do bom, do justo e do belo; outra da grandeza, da saúde e da força.