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Capítulo 1: Comentário ao Timeu 39, que afirma que o Intelecto «vê as ideias no que é vivo».
1-10. Deve-se separar as Formas do Intelecto?
10-15. As formas não existem independentemente do Intelecto, pois o “vivo” é o próprio Intelecto, mas considerado na medida em que é inteligível.
15-20. O Intelecto é definido com base em dois “gêneros” do Sofista de Platão: o movimento e o repouso. O vivo, ou o inteligível que se encontra no Intelecto, é o Intelecto em repouso e permanece imanente ao inteligível que é seu conteúdo, sem exercer atividade propriamente demiúrgica.
Capítulo 2: A alma humana, que é uma multiplicidade, deve unificar-se identificando-se com seu intelecto, assim como a ciência permanece uma, embora seja uma multiplicidade de teoremas.
Capítulo 3: A Alma total permanece no inteligível quando as almas particulares, que dela provêm, são suscetíveis de descer à matéria, de permanecer no inteligível ou de ocupar uma situação intermediária.
Capítulo 4: A relação do Um com o múltiplo pode ser concebida em termos espaciais: o Um está ao mesmo tempo em toda parte e em lugar nenhum.
Capítulo 5: A alma é análoga à visão e à matéria: indeterminada antes de ver o Intelecto, ela se determina ao vê-lo.
Capítulo 6: O pensamento de si mesmo permite descobrir a realidade de um pensamento superior.
Capítulo 7: O primeiro princípio está além do movimento e do repouso, que dele provêm.
Capítulo 8: Sobre o ato e a potência.
Capítulo 9: O primeiro princípio não pensa, nem tem consciência de si mesmo, nem vive: essas são as características do Intelecto.
Este livro contém reflexões dispersas sobre os seguintes pontos:
(I) 1° O Animal que é, de que fala Platão no Timeu, é o mundo inteligível, o conjunto das ideias; ele é idêntico à Inteligência que o contempla, de modo que a coisa pensada, a coisa pensante e o pensamento são uma única e mesma coisa. A Alma universal, ao contrário, divide as ideias que concebe, porque as pensa de maneira discursiva[10].
(II) 2° A Alma eleva-se ao mundo inteligível, reunindo gradualmente em unidade cada uma das faculdades que possui[11].
3° A Alma universal comunica a vida ao corpo do universo sem se afastar da contemplação do mundo inteligível. A alma particular, ao contrário, separa-se de seu princípio quando entra em um corpo.
4° O Um está presente em toda parte por meio de seu poder.
5° A alma recebe sua forma da inteligência.
6° Ao pensarmos em nós mesmos, pensamos em uma natureza intelectual.
7° O Um é superior ao repouso e ao movimento.
8° O que passa do poder ao ato não pode existir para sempre, porque contém matéria. O que está em ato e é simples é imutável.
9° O Bem é superior ao pensamento, no sentido de que é sua causa.
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I. EXEGESE DE PLATÃO, «TIMEO» 39e 7-9 (cap. 1).
1. Problema: a Inteligência vê as Formas no Animal em si; logo, as Formas são anteriores à Inteligência e exteriores a ela (1, 1-10).
2. Resposta (1, 10-22):
a) Nada impede que o Animal em si e a Inteligência se distingam apenas mentalmente; e é isso que Platão quer dizer (1, 10-15).
b) Nada impede que haja duas Inteligências: uma em repouso, em unidade e autossustentável, e outra derivada, intelectiva da primeira e «ideadora» das espécies vivas do cosmos (1, 15-22).
3. Novo problema: Platão insinua que o “Ideador” é distinto dos outros dois (1, 23-24).
4. Resposta (1, 24-37):
a) Há diversidade de interpretações (1, 24-26).
b) O Terceiro, que é o “Ideador”, identifica-se com a Alma, a qual exerce uma atividade divisível em uma natureza divisível (1, 27-37).
II. ANALOGIA CIÊNCIAS-HOMEM (cap. 2).
1. A ciência divide-se em seus teoremas sem se fragmentar; cada teorema é potencialmente a ciência inteira; o princípio é o fim (2, 1-4).
2. No homem, o princípio e o fim é a inteligência; se alguém se transforma totalmente em inteligência, toca com ela o transcendente (2, 4-8).
III. ALMA UNIVERSAL E ALMAS PARTICULARES (cap. 3).
1. A Alma universal não está em nenhum lugar, nem está no corpo, mas o corpo está nela; as demais almas procedem da Alma universal, podem descer ao corpo e podem retornar à Alma universal (3, 1-5).
2. A Alma universal está sempre no alto; a alma particular pode situar-se em três níveis: no alto, no Ser; no baixo, no não-ser, e no meio; e se voltar a olhar para a matéria, ela a configura e penetra nela com alegria (3, 5-16).
IV. GÊNESE DA MULTIPLICIDADE A PARTIR DO UM (cap. 4). — Isso se deve ao fato de que o Um, ao mesmo tempo em que está em toda parte, não está em parte alguma.
V. ANALOGIA ALMA-VISÃO (cap. 5). — A Alma é como a visão: inicialmente indeterminada e matéria para a Inteligência, objeto de sua visão.
VI. DOIS TIPOS DE AUTOINTELECÇÃO (cap. 6).
1. Anteriormente à autointelecção do homem existe a Autointelecção transcendente (6, 1-7).
2. O “eu” que se manifesta na auto-inteligência do homem não é mais do que uma imagem do “Eu” real e transcendente (6, 7-9).
VII. O UM E A INTELIGÊNCIA (cap. 7). — Como potência originária do movimento e do repouso, próprios da Inteligência, o Um está além de ambos; portanto, está também além da Inteligência, que implica dualidade e deficiência.
VIII. EM POTÊNCIA E EM ATO (cap. 8). — O potencial pode ser perfeito enquanto está em ato, mas não é imperecível; o que é simples e está em ato existe para sempre.
IX. OMNITRANSCENDÊNCIA DO PRIMEIRO PRINCÍPIO (cap. 9).
1. Além da inteligência e da auto-inteligência (9, 1-12).
2. Além da autoconsciência e da vida (9, 12-23).
APE
A interpretação correta de Timeu 39E. 7-9: será que ela requer uma subdivisão do Intelecto, ou podemos interpretá-la em termos de um único Intelecto e Alma? (Nota 1). Devemos nos unir, assim como os objetos de estudo estão unidos em uma única disciplina, e direcionar nosso eu unido para o mundo superior (Nota 2). A Alma Universal não está fixa e imóvel; mas os indivíduos se movem e mudam, em certo sentido, e, ao fazê-lo, criam suas imagens corporais (Nota 3). O Um está em toda parte e em lugar nenhum (Nota 4). A alma é matéria em relação ao Intelecto (Nota 5). O Intelecto em repouso existe antes do nosso pensamento (Nota 6). O Um está além do movimento e do repouso, e transcende o pensamento (Nota 7). Ação e potência em seres compostos e não compostos (Nota 8). O Bem não pensa e não tem consciência de si mesmo (Nota 9).
LPE
§1. Interpretação de Timeu 39E7–9. O intelecto e seu objeto formam uma unidade.
§2. Estamos no mundo inteligível quando estamos unificados como os teoremas de uma ciência completa.
§3. As almas não estão no corpo, mas sim o contrário. As almas individuais, no entanto, em certo sentido se afastam de sua origem e retornam, voltando-se para o que está acima ou para o que está abaixo.
§4. A multiplicidade provém do Um, porque o Um está em toda parte e em lugar nenhum.
§5. O intelecto é matéria para a alma.
§6. Existe um Intelecto em repouso anterior ao nosso próprio intelecto enquanto pensamento.
§7. O Um transcende o movimento, o repouso e o pensamento.
§8. Potencialidade e atualidade nos corpóreos e incorpóreos.
§9. O Um está além de toda atividade e pensamento.