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Capítulo 1: Introdução.
1-6: Diferença entre o pré-conceito imediato e o conhecimento discursivo do tempo e da eternidade.
7-16: Não devemos nos contentar em repetir os discursos dos antigos sobre o tempo e a eternidade.
16-24: Esclarecimento metodológico: a análise da eternidade deve preceder a análise do tempo.
Capítulos 2 a 6: O que é a eternidade?
Capítulo 2: Análise crítica e rejeição das teorias platônicas que identificam a eternidade…
1-19: … com o mundo inteligível: três argumentos a favor (3-10) e contra (10-19).
20-36: … com o Repouso inteligível, entendido como o gênero do Repouso em si (24-29); ou como o repouso da realidade (24-36).
Capítulo 3: Primeira abordagem da eternidade.
1-27: Ela é a vida imutável, a potência única e múltipla do mundo inteligível.
27-36: Ela não tem passado nem futuro.
36-39: Recapitulação.
Capítulo 4: O ser e a eternidade.
1-12: A eternidade não é um acidente nem uma parte do mundo inteligível.
12-24: Por que o ser verdadeiro é necessariamente completo e, portanto, atemporal.
24-33: As coisas em devir, ao contrário, adquirem seu ser pouco a pouco.
33-43: A realidade eterna não carece de nada e não tem desejo voltado para o futuro.
Capítulo 5: Determinações positivas da eternidade.
1-12: Para compreender a eternidade, é preciso contemplar aquilo que ignora o devir e a alteridade.
12-18: Diferença entre a eternidade e a perpetuidade.
18-22: A eternidade é um deus venerável.
22-30: A eternidade é uma vida ilimitada em ato.
Capítulo 6: Comentário das fórmulas platônicas, que caracterizam a eternidade como…
1-11: … o ser que permanece junto ao Um (Timeo 37d7).
11-21: … o ser verdadeiro (Timeo 28a1-4 e passim).
21-36: … o que é “sempre” (Timeo 27d6 e passim).
36-50: … o ser total e perfeito (Timeo 30c5-31b4).
50-57: … o que existia antes do mundo sensível (Timeo 29e1).
Capítulos 7-13: O que é o tempo?
Capítulo 7: Introdução.
1-7: O homem está ao mesmo tempo no tempo e na eternidade.
7-10: Transição para a análise da natureza do tempo.
10-17: Anúncio metodológico: será necessário examinar primeiro as doutrinas dos antigos.
17-27: Exposição da classificação em três categorias das principais definições do tempo e de suas diferentes versões.
Capítulos 8-10: Análise doxográfica das definições do tempo.
Capítulo 8, 1-19: Análise e rejeição das definições (1) que identificam o tempo com o movimento, entendido como…
1-8: … o movimento em geral (1a).
8-19: … o movimento do céu (1b).
Capítulo 8, 20-22: Análise e rejeição da definição (2) que identifica o tempo com aquilo que se move, e mais precisamente com o próprio céu
Capítulo 8, 23-10, 8: Análise e rejeição das teorias (3) que definem o tempo como “algo” do movimento, e mais precisamente como…
Capítulo 8, 23-69: … o intervalo do movimento (3a; definição estoica), e mais precisamente como…
23-28: … o intervalo de todo movimento (3a’; definição de Zenão).
28-30: … o intervalo apenas dos movimentos uniformes (3a’’).
30-63: … o intervalo do movimento do todo (3a’’’; definição de Crisipo). Duas objeções:
– 30-53: Objeção 1: se o intervalo do movimento é um intervalo de movimento, isso equivale a identificar o tempo com o movimento.
– 53-63: Objeção 2: se esse intervalo é externo ao movimento, a definição enuncia apenas um acidente do tempo.
63-69: Conclusão.
Capítulo 9: … a medida do movimento (3b; definição aristotélica)
1-10: Hipótese 1: se o tempo mede todas as espécies de movimento, ele será externo ao movimento, seja como um simples número (a), seja como uma grandeza contínua paralela ao movimento (b).
11-17: No caso (a), essa definição enunciaria um acidente do tempo, mas não sua essência.
17-24: No caso (b), haveria um tempo diferente para cada movimento.
24-35: Hipótese 2: se o tempo é a medida intrínseca do movimento uniforme, a definição de Aristóteles pode então ser interpretada de três maneiras.
35-50: Objeções contra a interpretação 1 (O tempo é o movimento medido).
50-78: Objeções contra a interpretação 2 (O tempo é a grandeza que serve para medir, e mais precisamente o número do movimento segundo o antes e o depois).
78-84: Objeções contra a interpretação 3 (O tempo é a alma que utiliza a grandeza para medir).
Capítulo 10, 1-8: … o acompanhamento do movimento (3c; definição epicurista).
1-3: Objeção 1: essa definição enuncia apenas um acidente do tempo, não sua essência.
3-8: Objeção 2: essa definição é circular.
Capítulo 10, 9-17: Conclusão: é supérfluo examinar as outras definições do tempo, notadamente aquela que o identifica com a medida do movimento do todo (3b’; definição de Alexandre de Afrodisia).
Capítulos 11-13: Exposição positiva sobre a origem e a natureza do tempo.
Capítulo 11: O tempo resulta da descida da alma.
1-11: Introdução: é preciso examinar como o tempo surgiu na sequência da eternidade.
12-27: O surgimento do tempo resulta da descida da alma que abandonou a eternidade.
27-35: Ao descer, a alma produz o mundo, que também está no tempo.
35-45: Como a extensão temporal e a sucessão resultam dessa descida.
45-59: Em que sentido o tempo é uma imagem da eternidade (Timeo 37d5).
59-62: A relação entre a alma e o tempo é análoga à relação entre a eternidade e o ser.
Capítulos 12 e 13: Consequência: a temporalidade do mundo sensível é derivada em relação à da alma.
Cap. 12, 1-15: Se a alma não tivesse deixado o mundo inteligível, não haveria tempo.
Cap. 12, 15-22: A temporalidade do mundo sensível decorre da descida da alma, cujo ato é o tempo.
Cap. 12, 22-cap. 13, 9: Interpretação do Timeu 38b-39d, em consonância com o exposto acima: o movimento do céu não é o tempo, mas apenas uma medida do tempo, que o torna visível.
Cap. 13, 9-18: Revisão crítica da definição aristotélica do tempo: ela confunde a essência do tempo com um acidente do mesmo.
Cap. 13, 18-30: Em que sentido o tempo nasceu ao mesmo tempo que o mundo (Timeu 37d7).
Cap. 13, 30-66: O movimento e a temporalidade da alma são anteriores ao movimento e à temporalidade das coisas sensíveis.
Cap. 13, 66-69: O tempo existe nas almas individuais, assim como na alma do mundo.
Todos sabem que a Eternidade se refere ao que existe perpetuamente, e o Tempo, ao que se torna. Não deixa de ser necessário, contudo, aprofundar esses conceitos para tomar consciência deles e compreender bem as interpretações divergentes que os filósofos antigos lhes atribuíram.
ETERNIDADE. (I-III) A eternidade é a forma de vida própria do Ser inteligível: ela não é nem o Ser inteligível nem o repouso desse ser; é a propriedade que sua vida tem de ser permanente, imutável, indivisível, infinita e de possuir uma plenitude perpétua que exclui a distinção entre passado e futuro. As coisas geradas, ao contrário, não são nada sem seu futuro, porque sua existência consiste em realizar continuamente seu potencial.
(IV-V) Concebemos a eternidade ao contemplar o Ser inteligível na perpetuidade e na plenitude de sua vida perfeita. Vemos, assim, que a eternidade pode ser definida: a vida que é atualmente infinita porque é universal e não perde nada. Essa vida é imutável na unidade, porque está unida ao Um, da qual emana e para a qual retorna. Daí resulta que ela exclui toda sucessão, que é permanente, que é sempre, como indica a etimologia da palavra αἰών, eternidade, que deriva de ἀεὶ ὄν, o Ser que é sempre.
(VI) A alma humana concebe tanto a eternidade quanto o tempo, porque participa simultaneamente da eternidade e do tempo. Para compreender esse fato, é preciso descer da eternidade para o tempo, a fim de estudar a natureza deste último.
TEMPO. (VII-IX) 1° O Tempo não é o movimento em geral, porque o movimento ocorre no tempo, e o movimento pode parar, enquanto o tempo não pode suspender seu curso. Também não é o movimento circular dos astros, porque nem todos os astros se movem com a mesma velocidade.
2° O tempo também não é o móvel, ou seja, a esfera celeste, uma vez que nem mesmo é o movimento dessa esfera.
3° O tempo também não é algo do movimento.
a. Não é o intervalo do movimento, quer se atribua à palavra intervalo o sentido de espaço ou o de duração: pois, no primeiro caso, confunde-se o tempo com o lugar; no segundo caso, nem todos os movimentos têm a mesma velocidade. Se se diz que o tempo é o próprio intervalo do movimento, esse intervalo é o tempo, e nada se define.
b. O tempo não é a medida do movimento, quer se considere o tempo como uma quantidade contínua, quer se o considere como um número: pois dizer que o tempo é a medida do movimento é dar a conhecer uma de suas propriedades, não é definir sua essência; por outro lado, afirmar que o tempo é uma quantidade medida ou um número contado é supor que ele não tem realidade fora da alma que o mede ou que o conta.
c. O tempo não é uma consequência do movimento: pois essa definição não tem sentido.
(X-XII) O tempo é a imagem móvel da eternidade imóvel. Assim como a eternidade é a vida da Inteligência, o tempo é a vida da Alma considerada no movimento pelo qual ela passa incessantemente de um ato para outro. Ele surge, portanto, na Alma; está nela e com ela. Seu curso é composto de mudanças iguais e uniformes, e implica continuidade de ação. É gerado pela vida sucessiva e variada que é própria da Alma, e tem por medida o movimento regular da esfera celeste: pois o tempo tem a dupla propriedade de dar a conhecer a duração do movimento e de ser ele próprio medido pelo movimento. É, portanto, aquilo em que tudo se torna, tudo se move ou repousa com ordem e uniformidade.
O movimento do universo se reduz ao movimento da Alma que o abrange, e o movimento da Alma se reduz, por sua vez, ao movimento da inteligência.
O tempo está presente em toda parte, porque a vida da Alma está presente em todas as partes do mundo. Ele está presente também em nossas almas, porque elas têm uma essência conforme à essência da Alma universal.
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A) INTRODUÇÃO METODOLÓGICA (cap. 1)
1. Conhecemos a eternidade e o tempo de forma quase intuitiva; mas não sabemos explicá-los filosoficamente, limitando-nos a recorrer aos filósofos antigos (1, 1-13).
2. Partindo das teorias antigas, é preciso começar estudando a eternidade, para depois passar ao tempo; mas também seria possível proceder na ordem inversa, por meio da reminiscência (1, 13-24).
B) A ETERNIDADE (cap. 2-6)
I. O QUE NÃO É (cap. 2).
1. Não é a Substância inteligível (2, 1-19).
2. Nem o Repouso em si como Gênero (2, 20-29).
3. Nem o Repouso da Substância inteligível (2, 29-36).
II. O QUE É (cap. 3-6).
1. É uma inteligência unimúltipla e uma potência múltipla, como uma síntese dos cinco Gêneros; uma plenitude indivisível; o resplendor do substrato inteligível; a Vida plena, omnisimultânea e indivisível do Ser (cap. 3).
2. Não é um acidente extrínseco, mas um atributo primário e essencial da Substância transcendente e um estado do Ser, o qual, por ser plenamente «total», não necessita nem do passado nem do futuro (cap. 4).
3. É a Vida plena manifestando-se no Ser como Deus imutável, uma Vida infinita em ato e onissimultânea (cap. 5).
4. É a Vida permanente, uniforme e não sucessiva do Ser em torno do Um (6, 1-21).
5. Duas esclarecimentos (6, 21-57):
a) O que significa “sempre existente”; não significa meramente “incorruptível”, mas “realmente existente”, “existente” no sentido pleno (6, 21-36).
b) O que significa «total»; não significa «sucessiva e perpetuamente perfectível», mas «omniperfeito em ato» (6, 37-57).
C) O TEMPO (capítulos 7-13)
I. INTRODUÇÃO METODOLÓGICA (cap. 7).
1. Conhecemos a eternidade porque temos parte nela; mas também estamos no tempo; é preciso, portanto, descer da eternidade para o tempo, assim como ele próprio desceu (7, 1-10).
2. Devemos confrontar nossa opinião com as dos antigos (1, 10-17).
3.Estas se dividem em três grupos: a) o tempo é o movimento, seja todo movimento, seja o do universo; b) o tempo é aquilo que se move: a esfera celeste; c) o tempo é algo (intervalo, medida, concomitante) do movimento, seja de todo movimento, seja do ordenado (7, 17-27).
II. O QUE NÃO É (capítulos 8-10).
1. Não é o movimento, nem todo movimento, nem o da esfera celeste (8, 1-19).
2. Não é a esfera celeste (8, 20-22).
3. Não é o intervalo do movimento, nem o de todo movimento, nem o do ordenado, nem o da esfera celeste (8, 23-69).
4. Não é o número ou a medida do movimento (cap. 9):
a) Não é a medida de todo movimento (9, 1-12).
b) Não é nem um número abstrato nem uma magnitude contínua (9, 13-23).
c) O tempo como medida do movimento regular seria: 1) ou o movimento medido por uma magnitude, 2) ou a magnitude medidora, ou o sujeito medidor (9, 24-35). Ora, não é: 1) nem um movimento medido pela magnitude (9, 35-50), 2) nem um número abstrato que mede o movimento de fora (9, 51-78), 3) nem o sujeito que mede: a existência do tempo é independente da existência de uma alma que mede, enquanto tal (9, 78-84).
5. O tempo não é um concomitante do movimento (cap. 10).
III. O QUE É (cap. 11-13).
1. Gênese do tempo (11, 1-43):
a) Voltemos à eternidade e, a partir daí, geremos o tempo mentalmente, pedindo a ele mesmo que nos conte sobre seu primeiro surgimento (11, 1-11).
b) Relato do tempo: antes de ser tempo, ele existia no Ser em absoluta quietude; mas havia uma natureza ansiosa, a qual, ambicionando possuir mais do que tinha, pôs-se em movimento em direção ao posterior; paralelamente, também o tempo pôs-se em movimento e, da prolongação dessa marcha, surgiu o tempo (11, 11-20).
c) Explicação do relato: o tempo nasceu do desejo da Alma inferior de atualizar na matéria, sucessivamente e por partes, o objeto de sua visão (11, 20-43).
2. Definição e natureza do tempo (11, 43-12, 25):
a) Definição: a vida da Alma em movimento de transição de um modo de vida para outro, em contraste com a eternidade como Vida imutável (11, 43-59).
b) Natureza (11, 59-12, 25):
1) Não é um acidente extrínseco da Alma (11, 59-62).
2) É a prolongação da vida e da atividade contínua da Alma no cosmos, desenvolvendo-se em uma série sucessiva de mutações regulares e semelhantes (12, 1-4).
3) Contra-argumento: se cessasse a atividade cósmica da Alma, o tempo acabaria (12, 4-25).
3. Platão e Aristóteles (12, 25-13, 40):
a) Doutrina de Platão: a rotação celeste é manifestativa, não originadora, do tempo; mas o próprio tempo não é nem pode ser, por sua essência, medida do movimento (12, 25-61).
b) Duplo erro de Aristóteles: inverteu os termos (o tempo como “medida de”, em vez de “medido por”, o movimento) e confundiu o essencial com o acidental (13, 1-18).
c) Acertou Platão: não confundiu a essência com o acidental; tomou a rotação celeste como unidade mínima do movimento e, por isso, como manifestativa do tempo, e definiu a essência do tempo como “imagem móvel da eternidade”, uma imagem surgida ao mesmo tempo que o céu (13, 18-40).
4. Problemas pendentes (13, 41-69):
a) O movimento do universo depende do movimento da Alma; mas este já não depende de um movimento anterior, porque o anterior é a eternidade (13, 41-47).
b) O tempo está em toda parte, porque o movimento da Alma, que é o primário, está em toda parte (13, 47-53).
c) No homem, o movimento externo dos membros depende de um movimento interno, e este, do movimento da alma, mas o da alma já não depende de um movimento anterior (13, 53-66).
d) O tempo existe no homem, porque existe em toda alma da mesma espécie que a do cosmos (13, 66-69).
APE
O ponto de partida de nossa reflexão sobre a eternidade e o tempo é nossa própria experiência de ambos; mas, quando nos concentramos nisso e tentamos chegar a uma compreensão plena, deparamo-nos com dificuldades que podem ser esclarecidas por meio de um estudo minucioso e criterioso das opiniões dos filósofos antigos. Começaremos pela eternidade, da qual o tempo é a imagem, embora também fosse possível seguir o caminho inverso, da imagem ao arquétipo (cap. 1). O que é a eternidade? Não é o próprio universo inteligível, nem o resto que nele se encontra (cap. 2). É a vida daquilo que existe de forma completa e simultânea, sem antes e depois (cap. 3). A eternidade e a totalidade do ser real; a duração e o movimento no tempo são essenciais para a existência das coisas que vêm a ser (cap. 4). Contemplamos a eternidade pelo eterno em nós mesmos; é a auto-manifestação da divindade, uma vida total (cap. 5). Eternidade e unidade; é a vida do ser real em torno do Um; “sempre existente” significa, na verdade, “verdadeiramente existente”; aquilo que existe no tempo é deficiente em existência (cap. 6). Estamos, de certa forma, tanto na eternidade quanto no tempo. O que é o tempo? Classificação das visões dos filósofos anteriores: (i) o tempo é movimento, (ii) é o que é movido, (iii) é algo pertencente ao movimento (cap. 7). Refutação de (i) e (ii); o tempo não pode ser nem todo o movimento, nem o movimento ordenado, nem o movimento ordenado específico da esfera celeste, nem pode ser a própria esfera. Refutação da forma estoica de (iii); o tempo não pode ser a distância percorrida por qualquer movimento, incluindo o movimento do universo (cap. 8). Refutação da forma aristotélica de (iii); o tempo não pode ser o número ou a medida do movimento (cap. 9). Breve refutação da forma epicurista de (iii); o tempo não pode ser um acompanhamento do movimento (cap. 10). A visão de Plotino sobre a origem e a natureza do tempo; é a vida da alma no movimento inquieto de uma coisa para outra que o caracteriza quando ela se separa da unidade tranquila do Intelecto; o universo está no tempo porque a alma se colocou no tempo (cap. 11). Se a alma voltasse totalmente para o mundo inteligível e sua eternidade, o tempo teria um fim. Como medimos o tempo por meio de recorrências regulares nos movimentos do universo. Como o tempo e o movimento do universo se medem mutuamente de maneiras diferentes (cap. 12). O universo está no tempo e manifesta o tempo; os aristotélicos entenderam essa relação de maneira invertida. Superioridade da explicação de Platão, entendida no sentido de que o tempo é a vida da alma (cap. 13).
LPE
§1. A dificuldade em definir o tempo e a eternidade, embora falemos deles com frequência.
§2. O que é a eternidade? Ela está relacionada ao mundo inteligível, mas é diferente dele. Também não é a Estabilidade.
§3. É a “vida” do mundo inteligível, sem passado nem futuro.
§4. É um atributo essencial do mundo inteligível.
§5. Sua vida não é deficiente de forma alguma, pois não possui passado nem futuro nos quais possa ser aumentada ou diminuída.
§6. Ela nunca é outra coisa senão o que é: uma atividade que permanece voltada para o Um. A inadequação da linguagem para descrevê-la.
§7. Embora participemos diretamente da eternidade, existimos, em sua maior parte, no tempo. Visões tradicionais sobre a natureza do tempo.
§8. O tempo não é movimento nem qualquer dos componentes do movimento (estoicos).
§9. Nem é a medida ou o número do movimento (Aristóteles).
§10. Nem o acompanhamento do movimento (Epicuro).
§11. A geração do tempo a partir da eternidade. O tempo como a vida da alma que se move de um pensamento para outro. Este universo está “no tempo”.
§12. O tempo é imparável porque a atividade da alma é incessante. Os corpos celestes não são o tempo, mas manifestam o tempo.
§13. Talvez Aristóteles tenha sido mal interpretado e quisesse dizer que os céus não são uma medida, mas um indicador do tempo. Mas Platão é claro sobre a natureza do próprio tempo: ele é a vida da alma e uma imagem em movimento da eternidade.