Aristo (houve dois filósofos com esse nome, um estoico e outro aristotélico) atribui à alma uma faculdade perceptiva, que ele divide em duas partes. Segundo ele, a primeira, chamada sensibilidade, princípio e origem das sensações, é geralmente mantida ativa por algum dos órgãos sensoriais. A outra, que subsiste por si mesma e sem órgãos, não tem nenhum nome especial em seres desprovidos de razão, nos quais a razão não se manifesta, ou pelo menos se manifesta apenas de maneira fraca ou obscura; no entanto, é chamada de inteligência em seres dotados de razão, entre os quais ela se manifesta claramente. Aristo sustenta que a sensibilidade atua apenas com a ajuda dos órgãos sensoriais e que a inteligência não precisa deles para entrar em atividade. Por que então ele subordina ambos a um único gênero, chamado faculdade perceptiva? Ambos sem dúvida percebem, mas um percebe a forma sensorial dos seres, enquanto o outro percebe sua essência. De fato, a sensibilidade não percebe a essência, mas a forma sensorial e a figura; é a inteligência que percebe se o objeto é um homem ou um cavalo. Existem, portanto, dois tipos de percepção muito diferentes entre si; a percepção sensorial recebe uma impressão e se aplica a um objeto exterior; ao contrário, a percepção intelectual não recebe nenhuma impressão.
Houve filósofos que separaram essas duas partes; eles chamaram de inteligência ou razão discursiva o entendimento que é exercido sem imaginação e sensação; e de opinião, o entendimento que é exercido com imaginação e sensação. Outros, ao contrário, consideraram o “ser” racional, ou natureza, uma essência simples, e atribuíram a ele operações cuja natureza é inteiramente diferente. Ora, não é razoável referir-se à mesma essência faculdades que diferem completamente em natureza; pois o pensamento e a sensação não poderiam depender do mesmo princípio essencial; e se chamássemos à operação da inteligência uma percepção, estaríamos apenas fazendo malabarismos com palavras. Devemos, portanto, estabelecer uma distinção perfeitamente clara entre essas duas entidades, inteligência e sensibilidade. Por um lado, a inteligência possui uma natureza bastante peculiar, como também é o caso da razão discursiva, que está logo abaixo dela. A função da primeira é o pensamento intuitivo, enquanto a da segunda é o pensamento discursivo. Por outro lado, a sensibilidade difere totalmente da inteligência, agindo com ou sem a ajuda de órgãos; no primeiro caso, é chamada de sensação; no segundo, imaginação. No entanto, a sensação e a imaginação pertencem ao mesmo gênero. Na compreensão, a inteligência intuitiva é superior à opinião, que se aplica à sensação ou à imaginação; este último tipo de pensamento, seja chamado de pensamento discursivo ou qualquer outra coisa (como opinião), é superior à sensação e à imaginação, mas inferior ao pensamento intuitivo.