Capítulo 3. O que é a tua teologia?
Todos os teólogos concordam que os deuses são os seres primeiros por natureza e que são o tema da teologia. Mas as opiniões divergem sobre a natureza dos princípios primeiros. Para os estóicos, eles são corpóreos; para Anaxágoras, são as almas mais perfeitas; para os aristotélicos, eles se reduzem ao intelecto (p. 12.11-13.5).
Platão, e somente ele, coloca o princípio primordial além do corpóreo, além também da alma, além mesmo do intelecto, e remonta ao Um que transcende os corpos, as almas e o intelecto (p. 13.6-14.4).
Essa revelação permitiu a Platão apresentar a hierarquia das três hipóstases: o Um, o intelecto, a alma e as séries que lhes são conjuntas. A teologia de Platão é, portanto, a ciência do Um e das henades, ciência que supera a teoria do intelecto e dos inteligíveis. Além disso, uma vez que o semelhante é sempre conhecido pelo semelhante, o Um e as henades não podem ser conhecidos nem pela sensação, nem pela opinião, nem pelo raciocínio, nem mesmo pelo intelecto, mas pela atividade do Um em nós. É por isso que o teólogo será aquele que busca Deus concentrando-se em si mesmo. Assim como nos mistérios, passamos dos pátios adornados com múltiplas estátuas para o santuário, no qual entramos despidos e onde permanecemos imóveis, da mesma forma a alma do teólogo se destaca dos conhecimentos inferiores para contemplar, de olhos fechados, o Um e a classe dos deuses (p. 14.5-16.Ί8).
Na teologia, o melhor é estabelecer-se na calma, reunir a alma na unidade, elevar-se até o Um e, ao descer, observar todas as ordens e séries nas quais se organiza a hierarquia dos deuses (p. 16.19-17.7).