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I-9

Resumo de Saffrey e Westerink

Capítulo 9. Primeira exegese: Parmênides é um exercício de lógica.

A maneira como Parmênides introduz sua exposição dialética no diálogo mostra que se trata de realidades fundamentais e não de jogos de palavras. Ou então, seria preciso acreditar que, ao criar tal contraste, Platão quis ridicularizar a figura de Parmênides! (p. 34.6-35.7).

Em seguida, Parmênides diz explicitamente que o assunto que ele vai tratar é o ser tal como ele o compreende em seu poema. Ora, esse ser, inteligível supremo, é impossível falar dele por meio de raciocínios lógicos que pertencem à opinião. Platão, no Timeu, e Aristóteles, nos Tópicos, concordam com isso (p. 35.8-36.12).

É uma regra geral que, em todos os seus diálogos, Platão faz com que seus personagens desempenhem papéis que lhes são historicamente adequados, como Timeu, Diotime e o Estrangeiro de Eleia. Parmênides seria uma exceção e apareceria em sua obra como um mestre em ontologia e, no diálogo platônico, como um repetidor para jovens estudantes? O próprio Platão teria se condenado antecipadamente, pois repreendeu os poetas por cometerem tais improbabilidades (p. 36.13-37.14).

Basta lembrar o respeito e a admiração que Platão professa por Parmênides no Teeteto e no Sofista para ver que essa interpretação é impossível (p. 37.15-39.6).

Por fim, quando nos lembramos do poder que Platão reconhece à dialética na República, compreendemos que é impossível confundi-la com um exercício de lógica. Para nós, é evidente que é dessa dialética, com suas divisões, resoluções, definições e demonstrações, que Platão faz uso no Parmênides (p. 39.7-40.18).


Resumo da tradução de Thomas Taylor