A refutação da primeira definição, que postula a sabedoria como a medida em todas as coisas e se aproxima do princípio fundamental da moral de
Aristóteles, é operada por Sócrates através da identificação da medida com a lentidão, demonstrando que em múltiplos processos humanos, como o aprendizado ou a deliberação, a celeridade e a rapidez de decisão são preferíveis à lentidão, o que invalida a tese de que a sabedoria possa ser rigorosamente restrita à noção de medida; de forma análoga, a segunda definição, que identifica a sabedoria com a modéstia e o pudor, é rejeitada ao se evocar a autoridade de Homero, para quem a vergonha não convém ao homem necessitado, comprovando que existem circunstâncias legítimas em que os escrúpulos da honra devem ser preteridos em favor da ação necessária.