Veja também: Coletânea de excertos da obra completa de Platão, na tradução de Jowett, indexados por termos relevantes
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O Hípias Menor pode ser comparado aos primeiros diálogos de Platão, nos quais o contraste entre Sócrates e os sofistas é mais fortemente exibido.
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Hípias, como
Protágoras e
Górgias, é vaidoso e fanfarrão: afirma saber todas as coisas, saber fazer tudo, inclusive suas próprias roupas; é fabricante de poemas, declamações, anéis de selo, sapatos e estrígeis, e seu cinto, tecido por ele mesmo, é de qualidade superior à persa.
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É uma natureza mais vaidosa e superficial do que os dois grandes sofistas, mas do mesmo caráter que eles, e igualmente impaciente com o método curto e incisivo de Sócrates, a quem tenta atrair para um longo discurso.
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Por fim, cansado de ser derrotado em cada ponto por Sócrates, é dificilmente persuadido a prosseguir, à semelhança de Trasímaco,
Protágoras e Cálicles, a quem a mesma relutância é atribuída.
Hípias, como Protágoras, tem o senso comum a seu favor ao argumentar, citando passagens da Ilíada, que Homero pretendia que Aquiles fosse o mais bravo e Odisseu o mais sábio dos gregos.
Sócrates, ao ter apanhado Hípias nas malhas do voluntário e do involuntário, é obrigado a confessar que anda perdido no mesmo labirinto.
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Ele faz sobre si mesmo a reflexão que outros fariam sobre ele, à semelhança do final do
Protágoras.
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Não se admira de estar em dificuldade, mas admira-se de
Hípias, e torna-se sensível à gravidade da situação quando homens comuns como ele não podem mais recorrer aos sábios para ser ensinados.
A questão da autenticidade do diálogo suscita observações de diversas ordens.
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Os modos dos interlocutores são menos sutis e refinados do que nos outros diálogos de
Platão.
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A sofística de Sócrates é mais palpável e descarada, e também mais desprovida de sentido.
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Muitos giros de pensamento e de estilo presentes no diálogo aparecem também nos outros diálogos: se tais semelhanças militam a favor ou contra a autenticidade de um escrito antigo é questão importante que deve ser respondida diferentemente em cada caso, pois tanto um autor pode se repetir quanto um falsário pode imitar.
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Os paralelismos do
Hípias Menor não são do tipo que implica necessariamente obra de um falsário.
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Os paralelismos do
Hípias Maior com os outros diálogos, e a alusão ao
Hípias Menor em 285-286 A-B (onde
Hípias esboça o programa de sua próxima conferência e convida Sócrates a comparecer com amigos competentes para julgar), são mais do que suspeitos: são de qualidade muito pobre, impossível de atribuir ao próprio
Platão.
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O
Hípias Maior se assemelha mais ao Êutidemo do que a qualquer outro diálogo, mas é imensamente inferior a ele.
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O
Hípias Menor parece ter mais mérito do que o Maior e ser mais platônico em espírito; o caráter de
Hípias é o mesmo nos dois diálogos, mas sua vaidade e fanfarronice são ainda mais exageradas no
Hípias Maior.
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A arte mnemônica de
Hípias é especialmente mencionada em ambos; ele é um tipo inferior da mesma espécie que Hipodamo de Mileto (
Aristóteles, Política II 8, § 1).
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Passagens do
Hípias Menor proveitosamente comparáveis com diálogos indubitavelmente autênticos: 369 B comparado com
República VI 487 (a astúcia de Sócrates na argumentação); 369 D-E comparado com Laquetes 188 (o sentimento de Sócrates sobre argumentos); 372 B-C comparado com
República I 338 B (Sócrates não ingrato); 373 B comparado com
República I 340 D (Sócrates desonesto na argumentação).
O Hípias Menor, embora inferior aos outros diálogos, pode razoavelmente ser atribuído a Platão por dois motivos.