Primeiras palavras (Schofield & Griffith)

PLATON; SCHOFIELD, Malcolm; GRIFFITH, Tom. Plato laws. Cambridge New York: Cambridge university press, 2016.

O diálogo começa com uma pergunta sobre se é um deus ou um ser humano a quem se deve atribuir o mérito pelos arranjos legais, e as primeiras palavras gregas antecipam as principais preocupações da obra.

Desenvolvendo-se a conversa, fica claro que a obra não será um tratado formal nem se limitará à articulação de um código legal, mas uma conversa pausada em que diferentes pontos de vista sobre a ordem social e política são expostos e debatidos.

A escolha de Creta como cenário do diálogo sinaliza aos leitores atenienses que, para pensar uma sociedade bem ordenada, devem começar por Creta e Esparta.

Não se pode saber por que Platão (c. 420-348 a.C.) decidiu dedicar seus últimos anos às Leis, mas uma dimensão autobiográfica tem sido frequentemente percebida.

As Leis não excluem costumes e hábitos do que contam como legislação, e a passagem de 793b-d sobre “costumes não escritos” articula essa posição.

A questão sobre se as leis podem ser atribuídas a um deus conduz à conexão entre razão e lei que o Ateniense postula por meio de uma derivação etimológica de nomos (“lei”) a partir de nous (“razão”).