Os sentidos do logos mencionados não têm nada a ver com o significado que
Platão lhe atribui quando afirma que o saber está necessariamente vinculado a ele: no
Mênon, o que converte uma opinião verdadeira em saber é uma explicação causal (aitias logismos) cujo fundamento último reside na recordação que a alma possui de realidades transcendentes; no
Fédon, a alma deve refugiar-se nos logoi para encontrar a verdade das coisas, numa explicação de caráter teleológico (97b-98b); na
República, a capacidade de dar um logos, característica do dialético (534b), depende em última instância do conhecimento do Bem; e no
Timeu (51e) a intelecção se produz por meio do ensino e vai acompanhada de um logos verdadeiro, enquanto a opinião verdadeira se produz pela persuasão e carece de logos.