2. Vigília e desobra

MARGEL, Serge. Le tombeau du dieu artisan: sur Platon. Paris: Éd. de Minuit, 1995.

O prefácio confessa antes de tudo um sentimento de leitor, difícil de definir, que se gostaria de partilhar com os futuros leitores do livro singular de Serge Margel.

O afeto da primeira leitura prende-se ao ritmo do livro, que anuncia coisas muito novas sobre a herança mais arcaica e mais críptica dos conceitos de mundo, espaço e tempo.

O nome do Demiurgo indica alguém que trabalha, opera, fabrica, mas a singularidade do Demiurgo platônico segundo Margel é uma certa desobra, uma destituição fatal que o vota à inação e à morte simbólica.

A duplicidade da representação é o alavanca mais eficaz da demonstração de Margel, pois supõe duas temporalidades.

A finitude impotente do Demiurgo, seu morrer, não é o Diabo nem o Mal, não é a Queda, nem o Pecado, nem a Paixão.