TP5-1 – Toda alma racional é imortal.

Primeira razão.

Ela se move por si mesma e em movimento circular.

Colocamos todas essas almas na ordem da terceira essência e afirmamos que elas são imortais pela razão geral de que se movem em primeiro lugar e, movendo-se em primeiro lugar, movem-se com um movimento circular.

Como se movem em primeiro lugar, movem-se sempre, pois o movimento é perpétuo onde é primeiro. Se a fonte do movimento se esgotasse, nada mais se moveria na natureza. Além disso, o que se move em primeiro lugar dá a si mesmo o movimento interno e o movimento externo. O movimento interno é a vida, portanto, ele dá vida a si mesmo e, como nunca se abandona, já que em toda a natureza há um amor perpétuo por si mesmo, nunca deixa de viver. Se o que é movido por outro permanece em movimento enquanto aderir ao seu motor, com mais razão o que se move por si mesmo, nunca sendo abandonado pelo motor com o qual se identifica, não cessa de se mover. Além disso, se imaginarmos que um dia ele para, ou ele deixará de existir antes de parar de se mover, ou vice-versa, ou simultaneamente deixará de existir e de se mover. Não admitimos a primeira hipótese, porque o movimento não pode permanecer fora da essência; nem a segunda, porque o movimento espontâneo é o companheiro assíduo daquilo que dá início ao movimento; nem a terceira, porque uma mudança destrutiva nunca pode acontecer a partir de dentro, pelo fato de se tratar de um movimento vital e vivificante. Mas também não ocorrerá de fora, pois a fonte do movimento não recebe o movimento de outro lugar. Essa é a propriedade da terceira essência e, uma vez que ela compreende todas as almas racionais em virtude de uma espécie de definição geral, essa mesma propriedade também se aplica a todas elas. Elas também são imortais, porque se movem em um movimento circular em virtude da natureza da terceira essência e do primeiro movimento. De fato, se elas se movem em um movimento circular, nunca param. O movimento circular não dispersa suas forças, mas reúne em si tudo o que lhe pertence e, quando se acredita que está falhando, ele se renova, sem falar, por enquanto, do argumento de Pitágoras, que mostra que não há começo nem fim na esfera e que, consequentemente, o movimento circular não começa nem cessa, mas que essas almas racionais são esferas espirituais e executam em si mesmas um circuito espiritual, uma vez que os corpos, que são suas sombras, têm tal figura e tal movimento. Assim, as esferas e os circuitos visíveis das esferas são sombras dos circuitos invisíveis e, se as sombras são perpétuas, com maior razão serão perpétuas as substâncias que, por seu poder ilimitado, executam o ato de se mover sem fim. E não há nenhum contrário que possa destruí-las, assim como ao seu movimento, que é uma revolução circular, nenhum movimento é contrário.