A alma é uma forma indivisível, onipresente, e não tem origem na matéria; portanto, é imortal, como demonstra seu poder de inteligência.
Processo de elevação cognitiva e os quatro graus da percepção platonista
Transição sistemática da alma desde o cárcere da matéria até o cume da inteligência pura, operando uma purificação gradual que despoja o objeto de suas contingências físicas para alcançar a essência universal e imutável.
Exercício do sentido externo como primeiro estágio da apreensão, onde o sujeito atinge a imagem incorpórea do objeto apenas sob a condição da presença física da matéria, permanecendo vinculado à espacialidade e ao momento presente da percepção sensível.
Funções da imaginação e da fantasia na mediação entre o sensível e o inteligível
Atuação da imaginação interna como faculdade que preserva os resíduos sensoriais na ausência do corpo objeto, transcendendo a necessidade da presença material e sintetizando, em uma unidade representativa, as informações captadas dispersamente pelos cinco sentidos.
Operação da fantasia como discernimento qualitativo que ultrapassa a mera silhueta para investigar a identidade e as intenções incorpóreas, atribuindo conceitos de bondade, beleza e amizade que, embora aplicados ao indivíduo particular, já sinalizam realidades inacessíveis aos órgãos físicos.
Salto ontológico da inteligência e a abstração das razões universais
Intervenção do intelecto na superação das condições particulares de tempo, lugar e posição, elaborando a partir de indivíduos distintos a noção de humanidade comum e o caráter de unidade que reside em si mesmo, independente das variações da matéria.
Dedução da necessidade de ideias divinas e formas exemplares imobilizadas na inteligência suprema, visto que naturezas comuns e eternas não poderiam derivar do movimento incessante da matéria ou da soma de indivíduos particulares e divergentes.
Primazia da natureza incorpórea na operação do intelecto puro
Demonstração da imaterialidade da alma através do movimento natural da inteligência em direção ao universal, realizando uma abstração que precede e fundamenta a compreensão do particular por meio de um ato reflexo e segundo.
Confirmação da imortalidade anímica pela capacidade de operar atos independentes do corpo, elevando-se às razões eternas onde a alma abandona a finitude da matéria para habitar a luz inteligível, provando que sua origem não se encontra na composição elementar, mas na substância divina e indivisível.