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Azcárate
Da tradução espanhola de Azcárate
* O Primeiro Alcibíades tem por objeto a natureza humana e o autoconhecimento como ponto de partida do aperfeiçoamento moral, fundamento de todas as ciências e, em particular, da política.
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O diálogo se divide em duas partes, sendo a primeira um longo preâmbulo.
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O justo e o útil constituem, nessa ordem, o objeto da discussão preliminar.
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Sócrates interpela Alcibíades, que se prepara para discursar, e o leva a admitir que não sabe o que é a justiça, tornando-o incapaz de aconselhar os atenienses.
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Alcibíades não aprendeu a justiça com nenhum mestre nem por conta própria.
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Para aprender algo por si mesmo, é preciso reconhecer a própria ignorância e buscar ativamente o conhecimento, o que Alcibíades jamais fez.
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O povo tampouco pode ensinar a justiça, pois não está de acordo consigo mesmo sobre o que ela é, embora saiba transmitir coisas como a língua.
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Sócrates demonstra ainda que Alcibíades desconhece igualmente o útil, concluindo que o jovem é inteiramente despreparado para a política.
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O raciocínio estabelece que o justo é honesto, o honesto é bom e o bom é útil, de modo que o justo e o útil são uma mesma coisa.
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A incapacidade de Alcibíades decorre de querer falar sobre o que não conhece.
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Quem pretende governar os outros deve antes instruir-se a si mesmo, cuidando primeiramente de sua própria pessoa.
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A segunda parte do diálogo investiga como se cuida da própria pessoa, e Sócrates demonstra, por meio de analogias, que esse cuidado tem por princípio o autoconhecimento.
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O homem não pode aperfeiçoar-se sem saber o que é, nem desenvolver sua natureza sem conhecê-la.
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Esse ensinamento se resume no preceito socrático: Conhece-te a ti mesmo.
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O eu ou a pessoa humana não é o corpo nem o conjunto material dos membros e órgãos, que são coisas de que a pessoa se serve, mas distintas dela.
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Se o homem não é o corpo, deve ser aquilo que dele se serve, ou seja, a alma que o comanda.
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O homem não pode ser o composto de alma e corpo, pois ambos não comandam simultaneamente: o corpo não se comanda a si mesmo nem comanda a alma.
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Sócrates conclui que o homem é a alma somente, estabelecendo a distinção profunda entre alma e corpo e afirmando a liberdade como essência humana.
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Conhecer-se a si mesmo significa estudar a própria alma, voltando a reflexão para a parte excelente dela, onde reside toda a sua virtude.
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Assim como o olho se vê na parte onde reside a visão, a alma se conhece naquilo que nela há de divino, santuário da ciência e da sabedoria.
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Nesse âmbito reside a ciência dos verdadeiros bens e males, tanto do indivíduo que se examina quanto de seus semelhantes.
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Ali também está a arte de evitar as faltas e poupá-las aos outros, tornando-se feliz e fazendo os demais felizes, pois vício e desgraça, virtude e felicidade caminham juntos como efeito da satisfação moral e do remorso.
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A virtude é, moral e politicamente, a primeira necessidade de um povo e a causa mesma de sua prosperidade, sendo indispensável a quem deseja conduzir os negócios públicos.
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Ninguém pode ensinar o povo a ser virtuoso sem o ser ele próprio.
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O governante deve fixar o espírito naquela parte de si mesmo que reflete a sabedoria e a justiça divinas, pois é pelo esforço supremo de sua natureza livre que se aproxima da essência do Deus nele refletido.
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Longe dessa luz, o governante só pode caminhar às cegas e perder aqueles que o seguem.
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Vicioso e servil, o homem só é capaz de obedecer, como o corpo serve à alma; a virtude, livre como a própria alma e justa como Deus de quem emana, é a única capaz de criar verdadeiros homens de Estado e promover a felicidade do povo.
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