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Teologia
BRUN, Jean. Empédocle. Paris: Seghers, 1966.
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A teoria do ciclo dos elementos se duplica de considerações sobre a metempsicose, e a teologia e a sabedoria precisam a visão do mundo que as sustenta.
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Existe uma ambiguidade fundamental do demônio, que está ao mesmo tempo fora do indivíduo e dentro dele, sendo um mesmo indivíduo possuído por um demônio que o leva a cometer um crime e se identifica a ele.
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Os demônios são almas caídas na geração, e Empédocles afirma ele mesmo ser um desses demônios.
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Não há nos fragmentos conservados do “Sobre a natureza” nenhuma menção à substância física dos demônios, com os quais se entra em um mundo de valores religiosos.
Um oráculo da Necessidade, um antigo decreto eterno selado por poderosos juramentos, condena a errar por trinta mil estações longe dos bem-aventurados aquele que mancha as mãos de sangue ou se perjura seguindo a Contenda.-
O assassínio e o perjúrio condenam a alma a errar entre os demônios, que permanecem longe dos bem-aventurados, sem serem compostos dos quatro elementos.
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O ar, o mar, a terra e o sol se rejeitam mutuamente o demônio errante, e todos o detestam.
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Empédocles se declara um vagabundo exilado dos deuses por ter confiado na Contenda furiosa.
O crime por excelência é aquele que faz correr o sangue, pois todo vivente é uma reencarnação de um ser desaparecido, e os sacrifícios de animais são intoleráveis.-
O pai que mata o filho que mudou de forma, o filho que agarra o pai e as crianças que devoram a carne de seus próprios parentes preparam festins infames.
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O consumo de carne é interditado por razões religiosas, devendo-se também abster totalmente das folhas de louro e manter as mãos afastadas das favas.
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Os homens inconscientes não compreendem que se devoram uns aos outros, fazendo o jogo da Contenda que os possui.
A alma é um demônio decaído que erra sobre esta terra de exílio, um “lugar insólito”, uma “terra sem alegria” e uma “praria do Infortúnio” onde reinam nas trevas todas as obras da dissolução.-
As almas mudam de vestimenta e são revestidas de um vestido de carne que lhes é estranho.
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A raça dos mortais nasceu de lutas e gemidos, sendo uma raça duplamente infortunada.
O exílio na terra implica uma referência a uma Idade de Ouro primitiva onde somente Cipris era rainha e todas as criaturas eram domesticadas e doces com os homens.-
Os demônios decaídos podem se tornar adivinhos, rapsodos, médicos ou chefes entre os homens que habitam a terra.
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Dessa condição, eles renascem como deuses carregados de honras, partilhando o fogo e a mesa dos outros imortais, liberados do lote das dores humanas.
O ciclo dos elementos e das raízes do mundo está integrado em um outro ciclo, o do Destino ou do “Amplo pacto”, dentro do qual se desdobra uma infelicidade da existência que tem a lembrança e o desejo do que lhe falta.-
A presença dos seres e do mundo, sua estrutura e sua história, se integram no interior de um Sentido ao qual o homem tem apenas acesso parcial.
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A tarefa do filósofo inspirado é colocar os homens em relação com as palavras e os cantos que podem conduzi-los ao recolhimento.
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A migração dos elementos é finalmente a imagem do emigrado que o homem é para si mesmo.
Empédocles é considerado, por alguns, o mais antigo precursor de Darwin devido à sua teoria de que os organismos não nasceram todos constituídos, com órgãos isolados que se uniam ao acaso, e os monstros não adaptados desapareciam.-
A teoria de que o semelhante conhece o semelhante, unida à dos eflúvios, explicava o magnetismo e foi vista como a chave do mistério do universo.
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A visão trágica do ciclo das coisas, em Empédocles, anda junto com uma física da natureza, e seu pessimismo é reencontrado em Lucrécio.
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A obra de Empédocles inspirou, através das vicissitudes da história, aqueles que liam nela um sentido profundo.
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