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Benjamin Jowett

Introdução (resumo)

  • A natureza fragmentária do “Crítias” e seu lugar na trilogia planejada por Platão
    • O diálogo é um fragmento que se interrompe no meio de uma frase, concebido como a segunda parte de uma trilogia que, à semelhança da formada por “Sofista”, “Político” e “Filósofo”, nunca foi concluída.
    • A obra conecta-se ao “Timeu”, que narrou a origem do mundo até a criação do homem, e à “República”, ao representar o Estado ideal engajado em um conflito patriótico, simbolizando a luta de Atenas contra a Pérsia.
    • A narrativa mítica sobre a guerra entre a Atenas primitiva e a ilha de Atlântida é uma criação da imaginação de Platão, que utilizou o nome de Sólon e introduziu sacerdotes egípcios para conferir verossimilhança à história.
  • A alocação divina da Ática e a constituição da antiga Atenas
    • No início, os deuses dividiram a terra por sorteio, cabendo a Hefesto e Atena a região da Ática, onde estabeleceram uma raça de filhos autóctones, guiando-os pela persuasão e não pela força.
    • A cidade antiga possuía uma estrutura de classes que incluía artesãos, agricultores e uma classe superior de guerreiros que viviam separadamente, tinham tudo em comum e mantinham um número fixo de vinte mil homens e mulheres de combate.
    • A Acrópole da antiga Atenas abrigava os guerreiros no topo, próximo aos templos de Hefesto e Atena, enquanto artesãos e agricultores habitavam as encostas, e a região era celebrada por sua fertilidade e beleza, embora grande parte do solo tenha sido perdida para o mar ao longo dos séculos.
  • A origem e a estrutura do império de Atlântida
    • Posídon recebeu a ilha de Atlântida em sua partilha e, enamorado da mortal Cleito, gerou cinco pares de gêmeos, sendo o primogênito, Atlas, feito rei da ilha central, e os demais, governantes de outras partes do território que se estendia até o Egito e a Tirrênia.
    • Para proteger Cleito, Posídon cercou a morada com anéis alternados de terra e mar, que foram posteriormente unidos por pontes e um canal, e criou fontes de água quente e fria, além de prover a ilha com todos os recursos necessários.
    • A cidade de Atlântida foi ricamente construída com muros revestidos de metais (latão, estanho e oricalco), templos adornados com ouro, prata e marfim, um palácio real, docas para embarcações, e uma planície cultivada e irrigada por um sistema de canais.
  • As leis, a decadência moral de Atlântida e a intervenção de Zeus
    • Os dez reis de Atlântida governavam sob as injunções de Posídon, inscritas em uma coluna de oricalco, reunindo-se alternadamente a cada cinco e seis anos para oferecer sacrifícios, renovar juramentos e julgar transgressores, com leis que proibiam conflitos armados entre si.
    • Por muitas gerações, o povo de Atlântida foi justo e sábio, valorizando a virtude acima das riquezas, mas com o tempo a porção divina em suas almas foi se diluindo na mistura mortal, levando à degeneração e à iniquidade, apesar da aparente glória exterior.
    • Zeus, o deus que tudo vê, decidiu punir a decadência de Atlântida e, após reunir o conselho dos deuses, pronunciou um discurso cujo conteúdo não é revelado, pois o manuscrito se interrompe neste ponto.
  • Os elementos de verossimilhança na narrativa e as interpretações modernas sobre Atlântida
    • Platão emprega diversos artifícios para dar credibilidade ao mito, como a declaração de Sócrates sobre a utilidade da verdade da história, a interpelação de nomes tradicionais e dados geográficos precisos, e a explicação para a presença de nomes gregos em uma narrativa egípcia.
    • A recepção do mito de Atlântida na posteridade gerou inúmeras tentativas de localizar a ilha em diversas partes do globo, como América, Arábia Feliz, Ceilão e Palestina, revelando a dificuldade em reconhecer a narrativa como uma invenção platônica.
    • O contraste central na obra opõe a pequena cidade grega de cerca de vinte mil habitantes, virtuosa e invencível, à grandeza bárbara de Atlântida, cuja riqueza oriental e esplendor metálico contrastam com a simplicidade frugal do ideal helênico.
  • A introdução do nome de Crítias e as questões sobre a incompletude do diálogo
    • A atribuição do nome de Crítias, uma figura de reputação infame na história ateniense, a este diálogo é notável, especialmente porque Sócrates profere um elogio a ele no “Timeu”, sugerindo que os personagens platônicos não necessariamente refletem a realidade histórica.
    • A escolha do nome pode ter sido motivada pelo desejo de honrar a própria família de Platão e pela conexão genealógica com Sólon, cujo manuscrito sobre a história de Atlântida teria sido transmitido na família de Crítias.
    • As razões pelas quais o “Crítias” permaneceu inacabado são incertas, podendo ser atribuídas ao acaso, ao avanço da idade do autor ou à percepção da dificuldade artística inerente à conclusão do projeto concebido como uma trilogia.
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