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Manara Valgimigli

Platone. Opere complete. vol. II. Cratilo, Teeteto, Sofista, Politico. Tr. L. Minio-Paluello, M. Valgimigli, A. Zadro. 2003

O estrangeiro de Eleia é convidado a prosseguir a discussão iniciada no Sofista: o tema, desta vez, será o “político”. O lugar de Teeteto, que precisa descansar, como interlocutor é ocupado pelo jovem Sócrates (I 257a-258b). Divisão das ciências em dois grupos: aquelas meramente cognitivas e sem relação com a ação, e aquelas inerentes à ação. Única é a ciência (política, real ou econômica) que preside ao governo de um Estado, de uma família ou de uma casa, e ela é possuída tanto por quem de fato governa quanto por quem é capaz de aconselhar quem governa (II 258b-259c). A ciência política é uma ciência cognitiva. Outra distinção entre as ciências cognitivas: ciências que apenas julgam e ciências que, além de julgar, comandam (III 259c-260b). A ciência política é uma ciência cognitiva que comanda. Não apenas isso, mas que comanda diretamente e, portanto, difere daquela (própria, por exemplo, dos arautos) que executa ordens decididas por outros (IV 260b-261a). Por meio de sucessivas divisões, chega-se à definição da política como ciência que se ocupa da criação coletiva de seres vivos (V 261a-e). Divisão, feita por Sócrates, o jovem, entre a criação que diz respeito aos homens e aquela que diz respeito aos animais. Critérios metodológicos para proceder na divisão: é preciso evitar fazer divisões precipitadas e que não respeitem todas as etapas intermediárias, ou que oponham uma única coisa, ou uma parte do todo, isolada abstratamente, a todo o resto (VI 261e-263a). Em que sentido “parte” e “espécie” de um gênero são idênticas e em que sentido são diferentes: a “espécie” é “parte”, mas não é certo que a “parte” seja também “espécie”. Não é, portanto, correto dividir os seres vivos em homens e animais, mas, para proceder corretamente, é preciso começar dividindo os seres vivos em “domésticos” e “selvagens”. É dos primeiros que a política se ocupa (VII 263a-264b). Criação de seres vivos aquáticos e terrestres e distinção entre estes de aves e animais terrestres. Necessidade de dividir em dois também a criação destes últimos (VIII 264b-265b). Divisão dos seres vivos que andam em dotados de chifres e desprovidos de chifres; divisão destes últimos em animais que podem acasalar mesmo entre raças diferentes e animais que não podem. Divisão destes últimos em quadrúpedes e bípedes: e, entre estes, dos homens. Exemplo de divisão mais rápida para chegar ao mesmo resultado (IX 265b-267a). Recapitulação e insatisfação com a definição alcançada. Necessidade de verificá-la (X 267a-d). A definição alcançada até agora não permite distinguir com clareza o verdadeiro homem político daquele que, como falso político, disputa o cargo (XI 267d-268d). Recurso ao mito. O sonho de Cronos (XII 268d-269c). Os dois ciclos do universo: um realizado sob a orientação da divindade e outro sem ela (XIII 269c-270b). A inversão do movimento e suas consequências sobre os seres vivos (XIV 270b-e). Como se geravam os seres vivos na época de Cronos, anterior ao ciclo em que vivemos: os filhos da terra e os pastores divinos. A satisfação espontânea das necessidades (XV 271a-272b). Fim do mito: o cosmos é abandonado pela divindade e inicia-se o ciclo inverso. O homem no estado de natureza; necessidade de prover à procriação e à subsistência (XVI 272b-274e). Ao referir-se ao político como “pastor”, aludiu-se ao ciclo anterior ao nosso, e nisso cometeu-se um erro. É preciso definir o método pelo qual o poder do político é exercido no Estado, para se ter uma visão completa dele. Na verdade, errou-se ao definir a ciência do político como a de criar em grupo: isso é próprio de todos os pastores, enquanto o político não cria, mas “cuida” dos animais em grupo (XVII 274e-275e). Assim, seriam evitadas as contestações agora vistas; distinção adicional: coação violenta e livre aceitação, tirania e arte política no sentido próprio (XVIII 276a-e). Para definir completamente o político, é oportuno recorrer a modelos de definição mais simples e não a modelos demasiado grandiosos, como os do mito (XIX 277a-e). Tipo e uso do modelo: ele deve ter a mesma estrutura do objeto de pesquisa e deve permitir reconhecer com facilidade aqueles elementos essenciais — idênticos em ambos os casos — que permitem, então, prosseguir na pesquisa (XX 277e-279a). O modelo da tecelagem e sua definição (XXI 279a-280b). Distinção da tecelagem de todas as outras artes que dizem respeito à proteção em geral e de todas as outras artes que contribuem para a tecelagem (arte de cardar, de fabricar fusos, etc.), mas que não são propriamente a arte de tecer (XXII 280b-281d). Distinção entre a arte que é a verdadeira causa do produto e a arte que é apenas causa auxiliar ou concausa. Aplicação dessa distinção à definição da verdadeira arte da tecelagem, em relação às artes que apenas contribuem para a tecelagem (XXIII 281d-283a). A discussão sobre a tecelagem foi apenas aparentemente muito longa. Digressão metódica: comprimento e brevidade, grandeza e pequenez são noções que não se comensuram apenas entre si, mas também em relação àquela “medida justa” que é condição para a elaboração de toda ciência (XXIV 283a-284c). Ainda sobre este conceito: consequente distinção em duas partes da arte da medida e sua relação com o método da divisão (XXV 284c-285c). A extensão e a brevidade do discurso devem ser julgadas apenas com base no objetivo fundamental: tornar os alunos especialistas em dialética. Fim da digressão (XXVI 285c-278b). Distinção entre a política, que é a causa do Estado, e as outras artes, que são apenas concausas ou causas auxiliares. Os três primeiros tipos destas últimas, para a produção de instrumentos, vasos e meios de transporte (XXVII 287b-288b). Outros quatro tipos de artes auxiliares para a defesa, o entretenimento e o ouro (XXVIII 288b-289a). Excluindo os escravos, é preciso examinar as pretensões ao poder político de toda uma gama de homens: cambistas, mercadores, armadores, sacerdotes e adivinhos. Todos subalternos que são rivais do político (XXIX 289a-290d). Mais sobre os falsificadores do verdadeiro político (XXX 290d-291d). Monarquia, aristocracia e democracia, e depois tirania e oligarquia: estas são as formas possíveis de constituição, entre as quais é necessário escolher apenas com base na ciência política (XXXI 291d-292c). O político é tal independentemente das situações em que exerce seu poder. Exemplo da medicina (XXXII 292c-293c). O verdadeiro político está acima das leis, e a constituição excelente é aquela em que não as leis, mas o verdadeiro político comanda em vista do bem. Caráter meramente coercitivo e abstrato do comando da lei (XXXIII 293c-294c). Mas então por que se fazem leis? As leis formulam mandos ou proibições de caráter geral, sem poder levar em conta o indivíduo e a variação das situações. Necessidade de que, para esse fim, o verdadeiro político esteja acima das leis e possa modificá-las (XXXIV 294c-296a). Mais sobre essa ilegalidade ideal e sobre a força capaz de impor o bem (XXXV 296a-297b). As leis são úteis apenas para aquelas constituições que procuram imitar a melhor, fundamentada apenas na ciência política, mas que não são a melhor (XXXVI 297b-c). Críticas às deliberações das assembleias e ao sorteio de magistrados anuais. Analogia com o caso do médico ou do piloto (XXXVII 297c-298e). Em que sentido as leis podem ser uma garantia contra a arte sofística, isto é, contra a arte que falsifica a competência. Perigo de que as leis possam destruir toda forma de arte e de saber, na medida em que são causas de inovações contrárias a elas (XXXVIII 298e-299e). As leis — desde que promulgadas no passado por homens sábios — constituem uma espécie de imitação do verdadeiro político, cujos atos são inspirados pela ciência. Nessa medida, elas devem ser respeitadas. É o respeito pelas leis que distingue a aristocracia da oligarquia, a monarquia da tirania (XXXIX 300a-301e). Imperfeição das constituições vigentes (XL 301c-302b). Entre as constituições vigentes, a menos difícil de se viver é a democracia, porque — mesmo que as leis não sejam respeitadas — a divisão do poder é um dique contra males maiores. A monarquia (que, em teoria, seria a melhor) e a aristocracia podem degenerar em tirania e oligarquia. Necessidade de separar o verdadeiro político dos artífices dessas constituições (XLI 302b-303e). As artes auxiliares da política: estratégia, jurisprudência, retórica, etc. A analogia das relações entre a música e suas artes auxiliares mostra que a verdadeira política é diferente e tem direito de comando sobre as artes auxiliares: o caso da retórica (XLII 303e-304e). O caso da estratégia e da jurisprudência (XLIII 304e-305e). Conclusão da investigação: é preciso ver, em sua pureza, qual é a urdidura e a trama que a verdadeira ciência política está tecendo — distinção entre “valor” e “sabedoria”; seus defeitos correspondentes (XLIV 305e-307c). Repercussão no plano político dessas duas virtudes e dos vícios a elas correspondentes (XLV 307c-308b). Função educativa e punitiva da política, que tem a tarefa de moldar e harmonizar os diferentes temperamentos (XLVI 308b-309c). Além desse vínculo divino, que valor deve ser atribuído aos laços humanos: casamentos e alianças (XLVII 309c-310b). A união de valor e sabedoria é a tarefa que somente a verdadeira política, a arte da realeza, pode realizar (XLVIII 310b-311e).

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