Psicologia de Platão
DE LA PSYCHOLOGIE DE PLATON
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Préambule
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Première Partie. — Doctrine métaphysique de Platon sur l'âme
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Ch. I. Résumé de la métaphysique de Platon. L'âme de l'univers
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Ch. II. De la formation de l'âme du monde
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Ch. III. De l'âme humaine.
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§ I. Distinction de l'âme et du corps
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§ II. Distinction du principe pensant qui est proprement l'âme, et du principe vital. Rapports de l'âme et du corps
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§ III. Origine de l'âme
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§ IV. De l'immortalité de l'âme
Deuxième Partie. — Doctrine psychologique ou analyse des facultés de l'âme.-
Ch. I. De la méthode qu'a suivie Platon dans l'analyse psychologique et la classification des diverses facultés
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Ch. II. La sensation considérée comme principe de phénomènes de connaissance. La Croyance. L'Imagination. La Mémoire. Des erreurs commises par ces facultés
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Ch. III. La sensation considérée comme principe de phénomènes de sensibilité
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Ch. IV. Des faits moraux de l'âme. — L'amour du Beau. L'Amour et l'Amitié
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Ch. V. Des faits moraux de l'âme. — Du Bien et des Vertus.
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Ch. VI. Des faits moraux de l'âme. — Libre arbitre. Origine du mal. Vices et faiblesses de l'âme
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Ch. VII. Facultés de l'entendement et de la raison pure
Troisième Partie. — Rapports de la psychologie de Platon à toutes les parties de sa philosophieConclusion
O ato da conhecimento é um ato real e certo, implicando primeiramente o ser, e no ser o movimento e o repouso.
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O conhecimento encerra a dupla necessidade de algo imutável e substancial, e também de algo móvel e cambiante nas coisas e nos seres, isto é, a vida.
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Enquanto inteligência, a vida implica a alma.
É impossível acreditar que o ser no qual se produz o conhecimento sob todas as formas seja outra coisa que não uma alma.
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A matéria inerte, extensa e divisível em si mesma, não pode ser o sujeito de inerência da unidade, da simplicidade e do novo.
O homem é dotado de dois tipos de conhecimento, que a consciência revela como reais e diferentes: a Inteligência e a Opinião.
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A Inteligência é uma operação ou faculdade pela qual o homem considera o objeto sem intervenção dos sentidos, tendo o sentimento claro da certeza infalível e imutável: é a Ciência.
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A Opinião é um modo de conhecer muito inferior, sempre acompanhado ou precedido de uma sensação, variável, móvel, vaga, conjectural, sem razão certa.
Não se pode conceber uma ciência falsa, pois o próprio ser que tem apenas opiniões não pode formá-las sobre um nada de existência.
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O pensamento é sempre pensamento de alguma coisa.
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Cada faculdade, sendo um modo especial do conhecimento, tem por objeto próprio um modo do ser; às diversas formas do conhecimento correspondem necessariamente diversos gêneros de seres.
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O objeto do conhecimento perfeito e absoluto é o ser absoluto e perfeito; o objeto da Opinião é outro que não o ser, mas não é o não-ser absoluto, situando-se entre o ser puro e o nada absoluto.
A definição do ser, segundo Platão, é: tudo o que possui a potência de exercer uma ação qualquer ou de recebê-la, por menor que seja.
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Conhecer é uma potência, uma força, a força de fazer alguma coisa; portanto, o ser é uma força capaz de agir, uma força nativa, uma causa.
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Ser conhecido é a potência de suportar uma noção, de ser seu objeto, a força de sofrer ou padecer, uma força passiva, ou seja, outra espécie de causa.
Os diversos gêneros de seres correspondem às duas formas que reveste o conhecimento: a razão pura e a opinião.
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O primeiro gênero de seres é o ser eterno, perfeito, absoluto, imutável, imaterial, distinto das coisas que produz e delas separável: é a ideia.
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O segundo gênero de seres é o objeto da Opinião, ou seja, o juízo fundado numa sensação, variável, obscuro, contendo noções contraditórias.
Há um terceiro gênero de ser, reconhecido pela necessidade de expor e explicar claramente a verdade das coisas: o lugar eterno, a matéria.
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A intuição revelou dois tipos de seres: o ser eterno e o ser particular sensível destinado a perecer; o raciocínio força a reconhecer uma terceira espécie.
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Citado no Timeu: o lugar eterno é aquilo que recebe todas as coisas que nascem, mas nunca toma forma alguna das que nele entram.
A matéria real não pode ser concebida na privação absoluta de todas as formas; seus germes agitam-se como num caldo em fermentação, como numa espuma no fervilhamento informe do caos.
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Mesmo privada das formas de distinção, beleza e ordem, a matéria persiste necessariamente com as formas de essência.
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É impossível conceber a matéria sem forma alguma; a própria ideia de matéria envolve a ideia de um limite, uma forma, um movimento.
O ser puro e absoluto, o devir e a matéria são de toda a eternidade, porque são pensados necessariamente.
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O devir é eterno e preexiste à formação do mundo, portanto o movimento também é eterno.
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Platão afirma a existência eterna do movimento, contrariamente ao que pretende Aristóteles.
O mundo visível é um imenso e universal devir, possuindo portanto uma alma eterna.
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Essa alma é o princípio ou sujeito de inerência das causas segundas, errantes, inferiores, mas cooperantes e necessárias à produção da ordem e da beleza no universo.
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Essas causas necessárias produzem o frio e o calor, a condensação e a dilatação, o aumento e a diminuição, a agregação e a separação, a peso e a leveza.
Platão declara que essas causas necessárias, agindo espontaneamente na matéria, são privadas de razão e de inteligência, fazendo a primeira coisa que vem sem regra.
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Elas não são desprovidas de um instinto surdo, de uma inteligência obscura do que produzem; do contrário, nada produziriam absolutamente.
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A alma universal não era absolutamente surda nem absolutamente cega, pois a causa é do mesmo gênero que a inteligência, isto é, divina.
O mal e o feio no mundo conduziram Platão a supor a existência de dois princípios, pois se o Deus bom fosse o único autor, o mal não se introduziria.
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Platão deslocou a questão sem resolvê-la: por que a alma da matéria é má, e por que não termina de produzir a beleza se pode o mais e pode o menos?
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Toda causa é uma razão, e toda razão subsistente por si mesma, que é seu próprio princípio, é absoluta e perfeita, devendo criar eternamente o mundo em sua perfeição possível.
Apesar das críticas, a metafísica da alma em Platão contém os princípios certos e luminosos da verdadeira metafísica, isto é, uma psicologia admirável e profunda.
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Conhecer é um ato real que implica duas coisas: o ser absoluto e perfeito, cuja ideia desperta em vista da imperfeição dos seres contingentes.
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Conhecer é mover-se, e mover-se é o ato próprio e a essência da alma.
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No ato do conhecimento, encontra-se a convicção infalível da existência do sujeito que pensa, de Deus e do mundo exterior.
A interpretação da doutrina platônica apresentada tem contra si graves autoridades, sobretudo a de Aristóteles, tal como exposta por M. Ravaisson.
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A crítica de Aristóteles sustenta que, na doutrina de Platão, a alma é apenas uma ideia, e a ideia é apenas um número, um puro abstrato, um ser puramente lógico.
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A matéria seria a díade indefinida do grande e do pequeno, que são apenas relações, uma abstração, um não-ser absoluto.
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Ideia e matéria se resolveriam em relações numéricas, perdendo toda realidade e toda diferença, suprimindo a oposição entre mundo sensível e mundo inteligível.
A expressão díade indefinida não pertence a nenhum dos diálogos de Platão, e não se pode controlar a afirmação de Aristóteles de que era usada nos ensinamentos secretos.
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A crítica, por admissão dos próprios críticos, incide sobre uma teoria cujas consequências não estão sequer deduzidas nos diálogos.
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Seria julgar Platão pelas doutrinas de seus discípulos, com base em escritos que não existem mais (Espeusipo, Xenócrates, Heráclides, Hestieu, Hermodoro).
O não-ser do Sofista, ou o gênero do outro, não é uma definição destinada a conciliar a coexistência da matéria com a unidade e imutabilidade de Deus.
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Há uma matéria lógica e abstrata que só existe no espírito, obtida destruindo logicamente a forma em todas as realidades, deixando um elemento vago e indeterminado.
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Nesse sentido puramente lógico, há matéria e infinito nas coisas mais finitas e imateriais, na alma, nas ideias, em Deus.
A existência da alma é demonstrada pelo movimento, do qual ela é o princípio, e a existência de um Deus que vive, ama, pensa, move e governa o mundo é afirmada contra a doutrina absurda da imobilidade absoluta dos Eleatas.
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Não se pode compreender que o que tem uma alma seja absolutamente imutável.
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Ao lado de uma lógica sutil para vencer os sofistas, Platão colocou as verdades de fato de uma psicologia sensata e profunda, fundamento de uma metafísica séria e de uma ontologia verdadeira.
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Conhecer é uma realidade; conhecer é ser; ser conhecido é igualmente uma realidade, ainda ser; todo conhecimento implica a existência dos dois seres postos em relação.
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