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Filho em Orígenes e Noûs em Plotino

CROUZEL, Henri. Origène et Plotin: comparaisons doctrinales. Paris: P. Téqui, 1992.

Capítulo II: O Filho origeneano e a inteligência plotiniana

Uma comparação entre a doutrina plotiniana da segunda hipóstase e o Filho segundo Orígenes só pode levar em consideração a natureza divina deste último. As reações de Plotino diante a Encarnação, da qual não se sabe nada diretamente, não deveriam ser muito diferentes daquelas de Celso relatadas e discutidas por Orígenes em seu Contra Celso. O Deus imutável não poderia intervir assim nos afazeres humanos. A vinda de um Deus ou de um Filho de Deus entre os homens, revestindo uma natureza humana, é inconcebível (Contra Celso). Eis porque o Cristo encarnado não intervirá a não ser passageiramente em nossa comparação. A ignorância, ou melhor a recusa, da Encarnação representa evidentemente a divergência fundamental entre Plotino e Orígenes: a ideia de um Deus voltado unicamente para ele mesmo ou voltado para o mundo lhe é estreitamente ligada. 1. A geração (La génération)

Plotino

A inteligência é engendrada pelo Uno, mas sem movimento de sua parte, pois permanece sempre voltada para ele mesmo. Trata-se de uma geração produzida de toda eternidade. Ela tem lugar sem inclinação do Uno para fora dele, sem ato de vontade, por uma radiância comparável à claridade que sai do sol, ao calor que emite o fogo, ao frio que vem da neve. Ela é também contínua, pois “tudo que é perfeito engendra; o que é sempre perfeito engendra sempre, e do eterno”. O Uno engendra assim o maior depois dele, o segundo, a Inteligência. Tudo que engendra em seguida a Inteligência é inteligência, mas ela é melhor que tudo o que vem após ela. Para ser Inteligência ela deve olhar em direção ao Uno: “Ela o vê não sendo dele separada, mas porque ela está com ele e que não há nada entre eles”. O princípio geral seguinte se aplica a fortiori a ela: “Todo ser deseja o que o engendrou e o ama: quando o genitor é o melhor, o engendrado é necessariamente com ele, separado somente pela alteridade”. ENÉADAS V,1

2. As etapas (da razão) na geração, da inteligência e da matéria inteligível (Les étapes (de raison) dans la génération, de l'Intelligence et la matière intelligible) 3. O Segundo, uno e múltiplo (Le Second, un et multiple) 4. O Segundo e o Belo (Le Second et le Beau) 5. O conhecimento de que desfruta o Segundo (La connaissance dont jouit le Second) 6. As características do Segundo (Les caractéristiques du Second) 7. O Segundo entre os dois outros (Le Second entre les deux autres)

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