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O Uno

DAMIANI, Anthony. Astronoesis: philosophy’s empirical context : astrology’s transcedental ground. New York: Larson Publications, 2016

  • Caráter Duplo da Unidade: Transcendência e Imanência
    • Apresentação de uma filosofia da Unidade com dois aspectos fundamentais.
    • Unidade como princípio insondável e transcendente.
    • Unidade como princípio omnipresente e imanente.
  • Primazia e Certeza do Um
    • Primeiro na ordem de importância: afirmações sobre a existência de Deus, o Um-Somente.
    • Esta certeza constitui o cerne de todo seu ensinamento.
    • Transmissão de uma sabedoria-conhecimento ou philosophia prima connascida com os fundamentos de nosso mundo e ser.
  • Questão Inicial sobre a Natureza e Acesso ao Um
    • Indagação de Plotino: Em que sentido, então, afirmamos esta Unidade e como ajustá-la aos nossos processos mentais? (Enéada VI.9.6).
    • Esta questão inaugura a investigação sobre a natureza do Um.
  • O Um como Positividade Absoluta e Plenitude Ilimitada
    • O Um é positividade absoluta: existência pura universal, ligada à totalidade de possibilidades e infinitude de poder.
    • Caracterização como inteligência pura, suficiente e completa em si mesma.
    • Única Perfeição, sem par, além de qualquer limitação, dependência, necessidade ou multiplicidade.
    • Citação de V.4.1: Permanecendo antes de todas as coisas… transcendendo o Ser… Intocado pela multiplicidade, será inteiramente autossuficiente, um Primeiro absoluto…
    • Transcendência não implica homogeneidade vazia ou zero, mas plenitude ilimitada.
    • Para além do ser não significa cair no nada, mas remover a aseidade de qualquer princípio para acessar conceitualmente a infinitude do transcendente.
  • Supra-Conhecimento e Consciência do Um
    • Embora além do conhecimento ordinário, o Um é um Supra-Conhecimento em sentido extraordinário.
    • Citação de V.4.2: Não é, por assim dizer, imperceptivo, mas tudo dele está nele e com ele; é inteiramente autodiscernente.
    • Ausência de qualidades distintivas não por exclusão, mas porque nenhum caráter distinto permanece intacto em sua atmosfera infinita.
    • Menção em VI.8.16 de uma vigília (consciência) eterna.
    • Identidade entre vigília (consciência) e existência no Um.
    • Parada mental requerida para encontrar a singularidade desta concepção do Absoluto: ser puro incondicionado concebido como identidade com superinteligência intrínseca, reinando eterna estática.
  • Simplicidade e Poder do Um além dos Símbolos
    • Nenhum símbolo é adequado a este Absoluto, mas há certa aptidão grosseira em designá-lo como unidade (VI.9.5).
    • Simplicidade do Um não é a de um ponto espacial ou unidade quantitativa enumerável.
    • Citação de VI.9.6: …nem sua impartibilidade é a da extrema minúcia; ao contrário, é grande além de qualquer coisa, grande não em extensão, mas em poder… infinito… em profundidades insondáveis de poder.
    • Descrição positiva do poder do Um como além de qualquer determinação.
    • Poder ilimitado entendido como aspecto indivisível idêntico à Unidade.
    • O Um é totalmente autoexistente, sem concomitante algum. Esta autossuficiência é a essência de sua unidade… supremamente adequado, autônomo, todo-transcendente, completamente sem necessidade (VI.9.6). É o Solitário.
  • O Um como Fonte e Não-Abstracão
    • O Um não é abstração de outros princípios.
    • Todos os outros princípios são efluxos divinos da superabundância de sua Perfeição.
    • Princípios posteriores dependem d'Ele; o Um não depende de nenhum.
    • Para qualquer princípio ou ser existir, deve primeiro ser uma unidade: o primeiro princípio de todos é a própria Unidade.
  • Premissa Inicial para Compreensão da Emanação
    • Apresentação de uma Inteligência Suprema que não se enfraquece, divide, modifica ou dispersa entre ordens inferiores da realidade.
    • Apreciação desta perfeição intacta como pré-requisito absoluto para entender corretamente a emanação.
  • Problema da Geração a partir da Unidade
    • Segunda questão: De uma unidade tal como declaramos ser o Um, como algo algum vem à existência substancial…? (V.1.6).
    • Resposta inicial plotiniana, bela e simples: Todos os existentes, enquanto retêm seu caráter, produzem—ao redor de si, de sua essência, em virtude do poder que deve estar neles—alguma hipóstase necessária, voltada para fora, continuamente ligada a eles e representando em imagem os arquétipos geradores… Novamente, tudo o que é plenamente realizado gera: portanto, o eternamente realizado gera eternamente um ser eterno. (V.1.6).
    • Esta abordagem explica o surgimento dos seres sem diminuir o Um.
  • Princípio do Poder e a Verdade Dupla
    • O Um-e-seu-Poder está acima de tudo e simultaneamente sustenta e inclui níveis menores de realidade, que não são autossuficientes nem ilusórios.
    • Através do entendimento deste princípio do Poder, tornamos acessível à mente a verdade dupla: a realidade não-dual não exclui a dualista, mas a inclui e suporta.
    • Argumento: se o Primeiro é perfeito, início de todo poder, deve ser o mais poderoso, e outros poderes atuam em imitação parcial dele. O Primeiro Bem, o Poder voltado para todos, como poderia ele invejar ou ser impotente para dar de si, e como então ainda seria a Fonte? (V.4.1).
  • Dupla Característica do Um: Quietude e Ato Infinito
    • Considerando o Poder idêntico à natureza do Um, observa-se caráter duplo.
    • Há quietude absoluta ou perfeição passiva do Transcendente e seu Ato infinito.
    • Citação de VI.8.16: …seu ser é constituído por esta auto-originação, auto-tendência—ao mesmo tempo Ato e repouso.
    • Estes dois complementos últimos—perfeição ativa e passiva—polarizados pelo pensamento, coincidem na completude absoluta do Um.
    • Necessidade de lógica do paradoxo para entender tais descrições do último, aspirando a conhecimento além (para) do reino da dóxa platônica.
  • Significado Duplo do Poder: Identidade e Emanação
    • Poder infinito e indeterminado do Um é idêntico ao conhecimento puro indiferenciado e dele irradia.
    • Citação de V.4.2: Há em tudo o Ato da Essência e o Ato que sai da Essência: o primeiro Ato é a coisa mesma em sua identidade realizada, o segundo Ato é um eflúvio inevitavelmente sequente do primeiro, uma emanação distinta da coisa mesma… Assim é também no divino: ou melhor, temos lá a forma anterior do duplo ato: o divino permanece em seu próprio ser imutável, mas de sua perfeição e do Ato incluído em sua natureza emana o Ato secundário ou emanante que—como produção de um poder poderoso, o mais poderoso que há—atinge o Ser Real como segundo àquilo que está acima de todo Ser.
    • Poder tem duplo significado: como poder completante (idêntico ao Um) e como poder que flui ou emana do Um.
  • Impessoalidade e Imutabilidade do Processo Emanativo
    • Excluída da Divindade qualquer volição pessoal; o processo é completamente impessoal.
    • Dentro do Um não pode haver mudança, processo, operação, arranjo ou combinação, nem mesmo a relatividade universal das Formas do Princípio Intelectivo.
    • O Um de modo algum está se tornando algo.
    • Ao longo de toda produção subsequente, o Um permanece imóvel; toda produção possível já é transcendentalmente atual e realizada dentro de seu poder infinito.
  • Emanação do Princípio Intelectivo (Nous) e Analogia da Luz
    • Da intensidade desta perfeição emana, como existente distinto e inferior, o Princípio Intelectivo (Nous), agregado das Ideias e Seres eternamente existentes.
    • Este poder emanante contém e reflete inclusivamente os modelos transcendentais ou paradigmas.
    • Explicação razoável: analogia da luz de um sol.
    • Citação de V.3.12: …mas o Um brilha eternamente, repousando sobre o Reino Intelectivo; este, não idêntico à sua fonte, ainda assim não está separado dela…
    • O sol tem poder interno; a luz radiante é seu ato emanante. Do ponto de vista do sol, a luz não é outro, mas os raios podem ser tomados como sua expressão, revelando algo do próprio sol em seu espectro.
  • Realidade Distinta dos Emanados: Nous e Alma
    • A Mente Divina é um reflexo, uma imagem de um original infinito de tal poder que a própria cópia é uma realidade.
    • O Princípio Intelectivo e sua emanação, a Alma, não são ilusórios; são também eternos.
    • Devem ser considerados como realidades distintas de graus diferentes.
    • Citação de V.2.2: Há, portanto, do primeiro princípio até o último, uma processão na qual infalivelmente cada princípio retém seu próprio lugar enquanto seu ramo toma outro posto, inferior, embora, por outro lado, todo ser seja idêntico ao seu prior enquanto mantém esse contato.
  • Hierarquia Espiritual e Integridade das Hipóstases
    • Mesmo vendo as três Hipóstases primais (Um, Nous, Alma) como um todo integral (o Absoluto do lado da manifestação), as distinções não podem ser dissolvidas.
    • Nous e Alma não se tornam princípios ilusórios.
    • Na compreensão do Infinito metafísico, retemos a visão do Um como realidade pura e perfeita, e a visão de emanações reais e distintas dele.
    • Não violamos a soberania do Um ao conceder a cada nível sua condição própria; não se tornam nulos diante do Um que contemplam eternamente.
    • Estes princípios constituem uma hierarquia espiritual mais ampla e inclusiva que qualquer esquema verbal.
    • Subsistem em modo indistinto, natureza autossuficiente e eternamente augusta, grandeza autêntica.
    • São abismo inescrutável—escuridão ofuscante ao intelecto, radiância e alegria que podem sufocar o não preparado, mas iluminar permanentemente o proficiente.
    • Seu próprio subsistir constitui reino além do alcance da imaginação, alturas literalmente inimagináveis, mas constituem o conteúdo da sabedoria filosófica.
  • Quadrupla Natureza da Realidade e sua Representação
    • Para Plotino, os três primais com sua manifestação (o sistema da Natureza) constituem a natureza quádrupla da Realidade.
    • Baseado nessas distinções, Plotino apresenta toda a amplitude de sua visão.
    • Citação de V.1.10: Existe um Princípio que transcende o Ser; este é o Um… Segue-se imediatamente o Princípio que é ao mesmo tempo Ser e Princípio Intelectivo. Terceiro vem o Princípio, Alma. Assim como estes três existem para o sistema da Natureza, assim, devemos sustentar, existem para nós mesmos.
    • Representação pictórica possível: círculo dividido em quatro quadrantes.
      • Primeiro quadrante: o Um.
      • Segundo: Nous.
      • Terceiro: Alma.
      • Quarto: Sistema total da Natureza (Corpo de Deus).
    • Quadratura representa quatro níveis substanciais de realidade, cada um implicando nível distinto de Consciência.
    • A mesma realidade pode ser retratada em termos de modos funcionais.
  • Duas Imagens Dinâmicas: Círculos Concêntricos e Contenção
    • Primeira imagem: centro, círculo de luz dele, outro círculo de luz da luz, e um último que, sem luz própria, a toma emprestada (IV.3.17).
    • Fundo inteligente representa o Um; outros princípios são círculos sucessivos nele contidos.
    • Segunda perspectiva: A Alma não está no universo, ao contrário, o universo está na Alma… A Alma está contida no Princípio Intelectivo e é a continente do corpo. O Princípio Intelectivo, por sua vez, está contido em algo mais; mas aquele princípio anterior não tem nada em que estar… Mas todo o resto deve estar em algum lugar; e onde senão no Primeiro?… o Primeiro não está remoto das coisas, nem diretamente dentro delas; nada o contém; ele contém tudo. É o Bem para o universo… (V.5.9).
  • Síntese do Símbolo: Simultaneidade do Transcendente e Imanente
    • Superposição das perspectivas de quadrantes e círculos sugere visualmente a natureza paradoxal da Realidade—substância e função como simultâneas.
    • Círculos representam visão dinâmica ou ativa, conectando a substância dos quadrantes.
    • Entrelaçar enfatiza que os primais são simultâneos e hierárquicos.
    • Símbolo mostra simultaneamente o Um como transcendente (primeiro quadrante) e imanente (disco circular presente em cada anel sucessivo).
    • Presença dos anéis no primeiro quadrante indica que o Um prefigura os outros níveis em si mesmo de modo transcendente e misterioso.
    • Citação de VI.8.18: O que está presente no Princípio Intelectivo está presente, embora em modo muito transcendente, no Um.
    • Presença do disco em cada anel representa imanência: …enquanto ele não está em lugar algum, em lugar nenhum ele não está. (V.5.8).
  • Paradigma da Quadruplicidade Aplicado a Todo Ser Autêntico
    • Imagem da natureza quádrupla da Realidade fornece um paradigma.
    • Todo existente autêntico participará de unidade, intelecção, alma e corpo (manifestação).
    • Este ensinamento aplica-se não apenas ao Um transcendente, mas a qualquer ser autêntico que é um um—como nós mesmos em nossa natureza interna.
    • Citação de III.8.10: Toda coisa particular tem um Um próprio ao qual pode ser remontada; o Todo tem seu Um, seu Prior mas não ainda o Um Absoluto; através deste alcançamos aquele Um Absoluto, onde toda tal referência chega ao fim… Agora, quando alcançamos um Um—o Princípio estacionário—na árvore, no animal, na Alma, no Todo—temos em cada caso o elemento mais poderoso, o elemento precioso: quando chegamos ao Um nos Seres Autenticamente Existentes—seu Princípio e fonte e potencialidade—perderemos a confiança e o suspeitaremos de ser—nada?… Certamente este Absoluto é nenhuma das coisas de que é fonte… Mas possua-o pela própria eliminação do Ser e você detém uma maravilha… entendendo-o por aquele impulso intuitivo só, mas conhecendo sua grandeza pelos Seres que o seguem e existem por seu poder.
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