autores:desejo-de-deus-plotino-arnou
Desejo de Deus na filosofia de Plotino
Le désir de Dieu dans la philosophie de Plotin
- Introdução.
- Capítulo I. A ALMA DE PLOTINO.
- Os traços salientes de sua personalidade, tais como eles se desprendem de sua obra — Influências políticas ou filosóficas que ele sofreu — Uma alma platônica.
- A. Sua inclinação de espírito.
- 1. Aspecto dogmático e intolerante de suas fórmulas: dei — Plotino não é um visionário, apesar da lenda, mas um metafísico — Muito raras apelos à experiência.
- 2. Fineza psicológica e hábil condescendência: peitho e ananke.
- 3. À procura da certeza absoluta — Inteligência e sensação — A pistis, em Platão, Aristóteles e Plotino — Uma causa ordinária de nossos erros é que nos representamos todas as coisas sobre o modelo de nossas sensações — A “dialética” toma seu ponto de partida no mundo inteligível.
- 4. Como Plotino raciocina: os pressupostos de sua argumentação: alguns exemplos — A existência necessária do mundo inteligível.
- 5. Forma pouco rigorosa de suas deduções; ele “demonstra” à maneira de Platão.
- B. Seus sentimentos íntimos.
- Três classes de homens — Uma vida sustentada por aspirações entusiásticas e orientada para o divino.
- 1. A atitude de Plotino diante do mundo sensível: ele o defende contra os “gnósticos”, e despreza aqueles que se contentam com ele — Seu pensamento sobre este ponto seguiu uma evolução? — O detalhe pouco o interessa: estudo de suas comparações — Sempre ele reconduz o particular ao universal, o sensível efêmero e enganador às realidades invisíveis. O progresso está no desapego — Crítica da concepção plotiniana do desapego.
- 2. Plotino e a vida social — Uma alma “interior”. Plotino não é um homem de ação — Os conselhos que ele dá a seus amigos — Indiferença estoica e retirada aristocrática — O plotinismo nunca foi popular.
- 3. Plotino diante de Deus — Testemunho de Santo Agostinho — Paixão pela Beleza, pela Luz, pela Pureza, pela Inteligência que é ao mesmo tempo o Ser — “A vida sem Deus… não é senão uma sombra de vida” — A sós com Deus monos pros monon — Como ele concebe a oração — Uma…
- Capítulo II. O Desejo
- 1. As palavras que significam o desejo: ephesis, orexis, pothos, orme. O desejo e o amor (eros) — epithymia e boulesis
- 2. A análise do desejo.
- O ser que deseja é um ser que se faz. Natureza sintética do desejo — O mito de Platão e sua transposição por Plotino — O desejo é um ser misto, intermediário: poros e aporia; eidos e hyle; logos en ou logon — Ecletismo do vocabulário e da doutrina. A matéria e o desejo — A forma e o desejo. O desejo não se explica por um ou outro desses elementos separado, mas por sua união — Justaposição ou síntese? — As origens de um conflito — O problema do devir em Aristóteles e em Plotino.
- 3. O objeto do desejo.
- Cada ser busca seu próprio bem para se completar e para se realizar
- O fundamento último do desejo não é, todavia, um amor-próprio exclusivo, mas o amor do Bem que engloba em sua universalidade todos os bens particulares — Desejo de ser — Desejo de estabilidade — Desejo de unidade.
- Insuficiência dos prazeres sensíveis, da Beleza, do próprio “nous” — “Nada é desejável senão pelo Bem que o colora” — A alma tende em definitivo para “aquilo acima do qual não há mais nada” - O desejo de Deus — arche kai telos — Conclusões sobre a natureza da alma e a natureza de Deus. O plotinismo não é um panteísmo evolucionista.
- 4. Todos os seres desejam.
- 1. Prova geral.
- 2. Em particular: a) a matéria deseja — Um texto que apresenta dificuldade (VI. 7. 28 — 11.459). b) O nous deseja — Alguns elementos de uma teoria do conhecimento: conhecer, é agir, é tender para um fim, é ainda desejar — O amor da verdade dá olhos para ver — Em todos os seus graus, o conhecimento exprime um apetite: sensação, raciocínio — Dificuldade especial no que concerne ao nous — ephiemenos aei kai aei tygkanon — O desejo é interior à inteligência e o mola de sua atividade — Não seria isso a ruína do intelectualismo?
- Capítulo III. Theos (Deus)
- Deus e deuses — Diversas correntes de ideias nesta época.
- 1. A extensão da palavra Theos.
- Uma velha fórmula: o todo é unidade. O universo estoico — Plotino considera todas as coisas sub specie universitatis — Algumas observações sobre seu vocabulário — A hierarquia no divino; comparativos — A Alma, o “nous”, o Uno, três graus.
- 2. A compreensão da palavra Theos.
- A essência do divino — Inteligível e divino — O Uno não é propriamente Theos. Por quê?
- 3. O Uno é Deus.
- O Uno é “o Indeterminado” — Diversas interpretações — É a expressão de sua transcendência — Ele é sem limite, a simplicidade mesma, a independência absoluta — outos autos par auton autos — mone en eauton — Ele é mesmo, se se tomar cuidado de purificar esses conceitos, hypernoesis, energeia monon, dynamis panton — Por que Plotino não quer que ele seja o ser.
- Capítulo IV. Os problemas que põe a existência do desejo.
- Imanência, transcendência.
- I. O princípio. — O desejo requer uma certa imanência daquilo que é desejado naquilo que deseja. Semelhança e imanência: ton omoion to homoio — Textos — A semelhança, condição do desejo como do conhecimento.
- Um conceito estoico: a “simpatia” — Crítica desse conceito em Plotino: elementos díspares — Exemplarismo platônico e dinamismo peripatético — Inatismo e transcendência.
- II. A aplicação. — Imanência de Deus no homem e no mundo — A questão do panteísmo de Plotino.
- 1. Plotino é, ou não, emanatista, panteísta? Todas as opiniões tiveram partidários.
- 2. Algumas definições: emanação, panteísmo, imanência
- 3. Imanência ou transcendência?
- a) Um ponto fora de contestação: a transcendência de Deus em relação aos outros seres — Textos — Explicações de algumas metáforas emanatistas
- b) Deus não seria imanente ao mundo? — Teoria da imanência, análise da noção do “dentro” em Plotino.
- en allon e hp allou — Tudo o que foi feito, para continuar a ser, deve permanecer em seu princípio: a falar estritamente, Deus não é imanente a nenhum ser, mas todos os seres lhe são imanentes
- Deus não estaria presente ao mundo “senão por suas potências”? Discussão de uma opinião. — Não há ruptura entre Deus e sua potência. — Teoria plotiniana da dupla energeia
- O conceito de imanência — Ponto de vista estático e ponto de vista dinâmico — Presença local e presença de ação em Platão, em Aristóteles, em Plotino. A presença no mundo dos incorporais.
- 4. Imanência e transcendência. Deus está em tudo e em toda parte somente à condição de permanecer em si mesmo: oudamou e pantakou
- 5. Exame de algumas fórmulas. — “Deus é tudo” — “Todos os seres não fazem senão um” — o Uno é o hypokeimenon universal — Germes de panteísmo — É preciso nos atermos ao que diz Plotino, sem lhe imputar o que parece que ele deveria ter dito.
- Capítulo V. A purificação
- 1. Uma tese tradicional em ascetismo. Para se elevar a Deus, é preciso entrar em si mesmo — Teoria do recolhimento — Discussão de textos: espíritos suaves e espíritos rudes.
- 2. Entrar em si mesmo, é se purificar — a katharsis segundo Plotino; concepção brutal, de tendência dualista: ela é o recorte do “outro”.
- 3. Um problema — Como se faz que a alma, ao entrar em si ou se purificar, se torne “nous”?
- a) o primeiro estado das almas: o Homem ideal — tantas Ideias quantos indivíduos.
- b) a queda — e a “diferença” — A noção de eterotes em Plotino.
- c) Consequência: cada um de nós é vários homens: um homem sensível, um homem razoável, um homem inteligível — A unidade do composto humano — Não somos, porém, em ato, senão o homem segundo o qual agimos — A teoria do ato e da potência em Plotino; sob as palavras de Aristóteles, ideias diferentes: sempre o mesmo conflito — Em que sentido a alma “se torna nous”.
- 4. O resultado da katharsis: uma semelhança que torna capaz de ver ou tocar Deus - O nous katharos na tradição filosófica: Platão, Filon, Celso, Clemente de Alexandria. Divergências de ideias entre Plotino e alguns de seus discípulos.
- 5. Esta pureza é ela unicamente o fato de um esforço pessoal? — ou um dom de Deus? — comparação com Filon — A graça?
- Capítulo VI. O termo do desejo: a união a Deus.
- Nas origens da religião e da filosofia gregas, a divindade “fim das existências individuais”.
- I. Estudo do vocabulário de Plotino — theoria: a contemplação segundo Platão e Aristóteles; synaphe, parousia, ekstasis.
- II. Os traços distintivos dessa união.
- 1. É um estado de extrema simplificação. Descrição desse estado — Mais distinção de sujeito e objeto. O critério da verdadeira contemplação — Visão e união: monon ourosa ton syneinai — Na unidade. Natureza dessa unidade — É a perda total e a confusão na Unidade divina? — Plotino faz reservas: oion, osper, ei dei kai touto legein — katholon dynatai — Esta unidade contém sempre uma multiplicidade virtual — en ampho — É uma união passageira que pode sempre se romper.
- 2. É um enriquecimento — e não um estado de pura negatividade — Em que sentido é um estado de inconsciência — Crítica da tese de Arthur Drews — É a verdadeira felicidade.
- III. Gênese dessa doutrina.
- 1. É apenas uma recordação? — Havia então uma tradição mística — Filon e Plotino: Textos paralelos — A diferença; Plotino sistematiza.
- 2. Resultado da metafísica — Opiniões adversas — Pode-se falar de um acordo do misticismo e da razão? — De fato, nenhuma condição do êxtase, nenhum de seus caracteres que nas Enéadas não seja deduzido logicamente.
- 3. A experiência — Plotino “viu” — Seria exaltação mórbida? — Seu estado fisiológico — Os textos onde ele invoca ou parece invocar uma experiência pessoal — o que ele viu? Analogias com os mistérios — A parte da interpretação. — O que pensar das experiências místicas de Plotino?
- Resumo e conclusão.
- Apêndice A — Algumas observações sobre o emprego da mitologia nas Enéadas.
- Apêndice B — Plotino e a filosofia do Inconsciente.
autores/desejo-de-deus-plotino-arnou.txt · Last modified: by mccastro
