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Gênese do Corpus Platônico

RICHARD, Marie Dominique. “La question de la genèse du corpus platonicien au début du XIX siècle”, in Michel Tardieu (ed.), La formation des canons scripturaires. Paris: CERF, 1993.

Segundo Richard, quando da transformação da filologia em uma “ciência da Antiguidade” no início do século XIX, surgiu a questão da gênese do corpus platônico. Após a elaboração de uma grande edição crítica da obra de Platão em Alexandria por volta de 200 aC e seu remanejamento por Dercyllides duzentos e setenta anos mais tarde, os filólogos não tinham ainda abordado o problema da autenticidade e do ordenamento dos Diálogos platônicos.

Citando G. Jachmann, Richard afirma que a unidade do texto platônico não existia mais, passados poucos decênios depois da morte de Platão, nem, talvez, até mesmo quando ele ainda estava vivo. Dito de outro modo, entre o texto original e a primeira edição crítica havia uma multitude de textos. A interpretação dos diálogos é, por conseguinte, problemática segundo o grau de autenticidade dado aos textos suspeitos e segundo a ordem de leitura escolhida. Segundo Vieillard-Baron, citado por Richard, a ordem dos diálogos dada pela edição de 1590, chamada edição Laemariana, onde a tradução latina de Ficino acompanha o texto grego, é uma desordem de fato, e dela devemos a concepção de um Platão incoerente, sem conexão entre os diálogos.

“Desde a redescoberta de Aristóteles na Renascença, os estudos platônicos tinham perdido seu interesse. No século XVII e início do seguinte, o nome de Platão era evocado somente no quadro de disputas teológicas.” (p.9)

Com o pensamento racionalista e o caminho aberto por Leibniz os estudos platônicos começaram a suscitar um novo interesse, cabendo ao romantismo sua retomada.

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