Realidade inteligível no mundo sensível
Em VI, 4, 2, Plotino relaciona o problema da presença da alma no corpo com uma questão mais ampla, a da presença da realidade inteligível no mundo sensível. Ele está ciente de que, ao fazer isso, está enfrentando um dos problemas mais difíceis para qualquer platônico. Entre as dificuldades apresentadas por Platão em seu Parmênides a respeito da teoria das Formas está a da presença de uma única Forma em uma multiplicidade de objetos sensíveis particulares (131ac): como uma única Forma (por exemplo, a Forma da beleza) poderia estar presente em muitas coisas (belas) sem se dividir entre elas? A presença da Forma em uma multiplicidade parece significar a destruição da Forma como um todo, como uma unidade. Isso não pode estar certo. Mas, para salvar a unidade da Forma, é preciso abandonar sua presença em muitas coisas. Isso também é inaceitável. O próprio Platão não dá nenhuma indicação clara sobre como resolver esse dilema. Aristóteles considerou isso mais uma razão decisiva para rejeitar a teoria das Formas de Platão (Metafísica, 1. 6). O problema permaneceu sem solução, jazendo profundamente, como uma falha possivelmente fatal, no coração da filosofia platônica. Os platônicos médios estavam cientes disso, mas se contentavam com referências à relação “misteriosa” entre a realidade inteligível e a sensível. A Enéade VI, 4-5, de Plotino, é o primeiro texto platônico que temos que aborda a questão de frente. [O’Meara:23]
