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-Dialektike

Thomas McEvilley — Configuração do Pensamento Antigo

Dialética antes de Alexandre

- Distinção entre abordagens filosóficas na Grécia e na Índia

  1. Existência de filósofos que visavam refutar proposições filosóficas por meio da desconstrução.
  2. Caracterização da abordagem dialética, que procede por negações e refutações, em oposição à lógica construtiva do silogismo.
  3. A lógica como representação do impulso metafísico e a dialética como representação do impulso desconstrutivo.
  4. Relação de oposição e de alteridade entre lógica e dialética.

- Fundamentos da lógica e as Leis do Pensamento

  1. Pressuposto da lógica de que as coisas possuem essências ou identidades fixas.
  2. Definição de que proposições corretamente formadas possuem um valor de verdade claro e indubitável.
  3. Exposição das três Leis do Pensamento que asseguram a clareza das identidades.
    1. Lei da Identidade: cada coisa é si mesma e nada mais.
    2. Lei da Contradição: é impossível para uma coisa ser si mesma e outra coisa ao mesmo tempo.
    3. Lei do Terceiro Excluído: tudo deve ser ou A ou não-A, não havendo meio-termo.
  4. Equivalência das leis do pensamento aos operadores de linguagem ordinária: Sim, Não e a afirmação de que não há posição intermediária.

- O mundo dos dialéticos antigos em contraste com o dos lógicos

  1. Visão de mundo dos dialéticos, onde as entidades não são absolutamente separadas e os limites são vagos e mutáveis.
  2. Potencial rejeição da filosofia das essências através do questionamento dos princípios lógicos que a sustentam.

- O problema da mudança no contexto da filosofia das essências

  1. Dificuldade em explicar a mudança ou o processo num mundo de identidades rígidas.
  2. Solução de Aristóteles através do postulado de um reino de potencialidade.
  3. Contradição interna no sistema aristotélico pelo reconhecimento de um estado entre o Ser e o não-Ser, violando a Lei do Terceiro Excluído.

- Elementos formais da lógica e da dialética antiga

  1. Elementos formais da lógica: proposições derivadas das Leis do Pensamento e silogismos.
  2. Elementos formais da dialética: contestações ao silogismo, com a estrutura elementar de dicotomia e dilema.
    1. Processo de dicotomizar uma questão em A ou não-A e subsequentemente transformar a dicotomia em um dilema ao refutar ambas as alternativas.
    2. Refutação implícita da Lei do Terceiro Excluído e implicação de que outras alternativas além de A e não-A podem existir.
  3. Variação na natureza da refutação aplicada a cada membro da dicotomia.
    1. Redução ao absurdo por contradição com a experiência ordinária.
    2. Redução ao absurdo por contradição lógica.
    3. Redução ao absurdo por regressão infinita, onde a identidade da proposição se dissolve.

- Sobreposição de funções entre formas dialéticas e lógicas

  1. Uso da dialética para posicionar, como no caso de Parmênides, que estabeleceu uma tese positiva ao refutar a contratese.
  2. Uso da lógica para negar, como na forma de silogismo *modus tollens*.
  3. Descrição da estrutura de dicotomia e dilema como um *modus tollens* disjuntivo.
  4. Manutenção da separação funcional entre as duas correntes de pensamento ao longo dos milênios, com uma força quase estética e ética.

- O Sujeito

  1. Início da crítica dialética às doutrinas nas tradições grega e indiana através de demonstrações de subjetividade ou relatividade.
  2. Contrapontos ao dogmatismo da metafísica inicial, carregada de mito e religião.
  3. Interpretação do ceticismo e do relativismo como respostas à dissolução dos sistemas tribais perante conceitos emergentes do estado nacional.
    1. Destaque das limitações de qualquer ponto de vista tribal herdado quando da percepção de uma variedade de pontos de vista.
    2. Mudança de ênfase da solidariedade comunal para o individualismo subjetivo.
  4. Desenvolvimento da lógica como tentativa de alcançar uma verdade objetiva que substituísse os pontos de vista tribais.
    1. Validação do estado nacional através de uma nova e maior unidade de verdade.
    2. Participação da dialética no colapso dos sistemas de crença tribal e surgimento da lógica em defesa de uma verdade em escala nacional.
    3. Contextualização do desenvolvimento na Índia, com a mudança do centro de civilização para o vale do Ganges e o aumento da complexidade cultural.
    4. Contextualização paralela na Grécia, com a Liga de Delos e a transição para a Liga Ateniense.
  5. Direção contrária na transição da organização tribal para a nacional: o surgimento de pequenas comunidades que mantinham artificialmente a coesão tradicional.
    1. Exemplos dos budistas e jainas na Índia e dos pitagóricos e órficos na Grécia.

- Nyaya

- A dialética grega no período inicial — brevemente

  1. Desenvolvimento do pensamento negativo na Grécia a partir de cerca de 500 a.C. em duas direções: metafísica e cética.
  2. Parmênides como representante dos “Deuses” metafísicos, usando a forma dicotomia e dilema para provar a realidade do Ser imutável.
  3. Zeno de Eleia, aluno de Parmênides, fornecendo subestruturas para a refutação, especialmente a técnica da regressão infinita em seus Paradoxos.
  4. Resposta cética na obra *Sobre a Natureza ou Sobre o Não-Ser* de Górgias de Leontini, como exemplo inicial de uma dialética total que reduz ao absurdo questões ontológicas, epistemológicas e semânticas.
  5. Protágoras, Eutidemo e outros sofistas contribuindo para a formalização da crítica à filosofia.
  6. Platão (ou Sócrates platônico) tornando proeminente o termo “dialética”, usando-a para diversos fins.
  7. Continuação de ambas as correntes da dialética grega até o século II d.C., com a tradição cética sobrevivendo mais longe na linhagem Pirrônica.
  8. Pirro de Elis, viajando para a Índia com Alexandre, marcando o fim do período pré-alexandrino.
  9. Conclusão de que atitudes dialéticas semelhantes se desenvolveram na Grécia e na Índia no período pré-alexandrino, mas apenas na Grécia esses métodos se equiparam com métodos formais nesse período.
  10. Aparição das formas dialéticas gregas maduras na Índia, no final do período de intercâmbio cultural, na escola budista Madhyamika.

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