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Madhyamaka
Thomas McEvilley — Configuração do Pensamento Antigo
Primórdios da filosofia grega e Madhyamaka
- Os motivos da dialética
- Dialética e lógica de novo
- Eleaticos e Madhyamaka
- O movimento sofista e o ceticismo indiano
- Outros pensadores do século V
- Platão e Madhyamaka
- Madhyamaka e as escolas socráticas
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- Origens e contexto histórico da escola Madhyamika
- Surgimento e desenvolvimento do Madhyamika a partir dos trabalhos de Nāgārjuna.
- Caracterização dos textos da Perfeita Sabedoria (Prajñāpāramitā) como precursores do pensamento Madhyamika.
- Comparação entre a formulação de negações nos textos Prajñāpāramitā e em textos gregos, como o resumo de Timon sobre os ensinamentos de Pirron.
- Identificação de Nāgārjuna como um contemporâneo aproximado de Sexto Empírico e Plotino.
- Explicação do Caminho do Meio como uma via entre o “Sim” e o “Não”, que desafia a Lei do Terceiro Excluído.
- Os motivos da dialética
- Distinção entre os motivos metafísicos e críticos por trás do uso da dialética na Grécia.
- A dialética como meio de destruir a crença na realidade do ser condicionado para permitir uma intuição mística do ser incondicionado, em filósofos como Parmênides e Platão.
- A dialética como força antilinguística ou anticonceitual para libertar a mente de opiniões e restaurar a atenção aos fenômenos em si mesmos, em filósofos como Demócrito, Protágoras, Górgias, Antístenes, Pirron e Sexto Empírico.
- A ética comum às tradições metafísica e crítica na Grécia, envolvendo a retirada da crença passionais e o desenvolvimento da equanimidade.
- A situação similar na Índia, com protodialéticos visando tanto a experiência transcendental do absoluto quanto a paz de mente através da crítica dialética.
- As duas visões modernas sobre o objetivo do Madhyamika: a visão absolutista ou metafísica e a visão fenomenalista.
- Dialética e lógica
- A dicotomia entre as escolas Prāsaṅgika e Svātantrika do Madhyamika.
- Representação da escola Prāsaṅgika por Candrakīrti, com ênfase nas reduções dialéticas.
- Representação da escola Svātantrika por Bhāvaviveka, com ênfase nas construções silogísticas.
- A preferência pela abordagem dialética de Candrakīrti em detrimento da abordagem lógica de Bhāvaviveka na tradição tibetana.
- O paralelo procedural entre as tradições grega e indiana: a aceitação, para fins de argumentação, das suposições do interlocutor.
- A prática de Sócrates a Sexto Empírico na Grécia.
- A técnica dialética do Madhyamika de mostrar o caráter autocontraditório da visão do oponente com base em seus próprios princípios.
- Eleáticos e Madhyamikas
- O argumento primordial de Parmênides sobre o Ser e sua estrutura de dicotomia e dilema.
- A comparação do argumento de Parmênides com a formulação de Nāgārjuna sobre a origem das coisas.
- A invenção do regresso ao infinito por Zenão de Eleia e seu uso para desprovar o movimento.
- O uso do conceito de divisibilidade infinita por Nāgārjuna para atacar a noção de um continuum espacial.
- Os paralelos entre os argumentos fundamentais dos Eleáticos e dos Madhyamikas contra origem, destruição, movimento, mudança e pluralidade.
- A crítica de Zenão à concepção de espaço e tempo como descontínuos, através dos paradoxos da “Flecha” e da “Pluralidade”.
- O argumento de Zenão e de Āryadeva contra o atomismo, demonstrando que os átomos devem ter partes.
- A difusão do argumento contra a indivisibilidade do átomo para outras escolas indianas, como atestado nos Nyāya Sūtras e no Abhidharmakośa de Vasubandhu.
- A ambiguidade da dialética de Zenão, que pode ter visado tanto a unidade parmenidiana quanto a pluralidade.
- A proposta de Buda como o primeiro dialético, considerando evidências questionáveis como o Nobre Silêncio.
- Górgias de Leontini e a dialética total
- A obra “Sobre a Natureza, ou Sobre o Não-Ser” de Górgias como o exemplo mais antigo de uma dialética total.
- A estrutura da argumentação de Górgias em torno de três proposições: ontológica, epistemológica e semântica.
- A defesa da proposição “Nada existe” através de argumentos contra o Ser e o não-Ser, e contra o monismo e o pluralismo.
- A transição para a epistemologia: a defesa de que, se algo existe, não pode ser conhecido, baseada no isolamento dos sentidos.
- A comparação da crítica de Górgias aos sentidos com o argumento de Śāntideva sobre a consciência e os sentidos.
- A crítica à linguagem: a defesa de que, se algo pudesse ser conhecido, não poderia ser comunicado, pois as palavras não têm conexão com as coisas.
- A relação entre a crítica à linguagem de Górgias e a visão madhyamika de que as palavras não adquirem significado referindo-se a algo fora do sistema linguístico.
- O movimento sofístico e o ceticismo indiano
- Caracterização dos Sofistas como filósofos críticos, em oposição aos metafísicos eleáticos.
- A relação complexa entre Eleáticos e Sofistas, com os últimos inspirando-se na prática dialética, mas redirecionando a atenção para a vida cotidiana.
- A contribuição de Protágoras para o ceticismo e o relativismo, com sua afirmação de que “tudo é verdadeiro” e sua prática de argumentar ambos os lados de uma questão.
- O contexto histórico do surgimento do ceticismo e do relativismo na Grécia e na Índia, ligado ao colapso de estruturas tribais.
- O retorno ao fenômeno como base mais segura da percepção, desde Demócrito até Sexto Empírico.
- O desenvolvimento do aparato da filosofia crítica durante o período sofístico, incluindo a dicotomia “mesmo/não-mesmo” ou negação da identidade parcial.
- A aplicação da negação da identidade parcial por Eutidemo e sua conclusão antilógica “Ambos e nenhum!”.
- A base da negação da identidade parcial no pensamento de Zenão e sua centralidade para a prática dialética grega e indiana, como na crítica de Nāgārjuna à causa e efeito.
- Outros pensadores do século V a.C.
- A influência de Heráclito e sua intuição de uma tensão dialética subjacente à realidade, expressa em fragmentos como “Conjunções: todo/não-todo, concordante/discordante, consonante/dissonante, e de todas as coisas uma e de uma coisa todas”.
- A doutrina do fluxo de Heráclito e sua relação com as doutrinas budistas da impermanência (anicca) e do não-eu (anatta), e com as doutrinas madhyamikas da originação dependente (pratītyasamutpāda) e do vazio da natureza própria (svabhāvaśūnyatā).
- O uso por Heráclito do termo “plenitude-vazio” (fr. 67) para indicar a realidade que tanto é como não é.
- A reação de Crátilo à impossibilidade de fazer afirmações significativas, abandonando o ensino verbal.
- A comparação entre a atitude de Crátilo e a lenda zen de Buda segurando uma flor.
- O ensino de Xeníades de Corinto de que “tudo é falso, que toda impressão e opinião é falsa”, comparado ao dito do mestre zen Seung Sahn, “No momento em que você abre a boca, você está errado”, e à posição “Discordo de todas as visões” de Dīghanakha.
- Platão e Madhyamika
- O uso da dialética por Platão para diferentes propósitos, tanto metafísicos e absolutistas quanto críticos e céticos.
- O “elenchus” socrático como uma adaptação do “elenchus” eleático, operando negativamente sem oferecer um ensino próprio.
- A preparação escalonada para o conhecimento supremo na “República”, envolvendo a ascensão além das hipóteses matemáticas através da dialética.
- A descrição do método dialético como “destruindo as hipóteses de volta ao próprio princípio, a fim de obter confirmação”.
- A comparação entre a “destruição das hipóteses” em Platão e a afirmação de Nāgārjuna de que “A negação de todas as visões é o caminho para a iluminação”.
- A interpretação do “Parmênides” como uma demonstração do colapso semântico que acompanha qualquer tentativa de expressar o absoluto, resumido na frase final: “Quer o Uno seja ou não seja, ele e os outros, em relação tanto a si mesmos quanto uns aos outros, ambos são e não são, e ambos aparecem e não aparecem, tudo de todas as maneiras possíveis”.
- Madhyamika e as escolas socráticas
- A escola megárica e sua especialização no formalismo dialético, com ênfase na negação sem uma doutrina positiva.
- O argumento de Euclides de Megara contra as provas analógicas, aplicando a dicotomia “mesmo/não-mesmo”.
- Os paradoxos de Eubúlides de Mileto (o Mentiroso, o Monte, a Electra, o Homem Cornudo) como críticas à lógica aristotélica e estoica.
- A crítica de Estilpo de Megara à teoria das Ideias, focando na relação entre modelo e representação.
- A rejeição megárica da potencialidade, conforme relatada por Aristóteles, e sua consequência de que “o que está em pé estará sempre em pé e o que está sentado estará sempre sentado”.
- O Argumento Mestre de Diodoro Cronus, que opõe as doutrinas aristotélicas de contradição e potencialidade, concluindo que “o possível é aquilo que é ou será”.
- A comparação do Argumento Mestre com a doutrina Ājīvika do determinismo (niyativāda) e com o argumento de Nāgārjuna contra a relação substância-atributo.
- A crítica de predicação de Menedemo de Eretria, aplicando a dicotomia “mesmo/não-mesmo” para questionar afirmações como “A doação de presentes é boa”.
- O cinismo como um paralelo claro aos métodos e motivos do Madhyamika fenomenalista.
- A contribuição de Antístenes para o pensamento negativo através de sua crítica à predicação, argumentando que apenas tautologias são afirmações demonstravelmente verdadeiras.
- A doutrina cínica do “typhos” (fumaça, ilusão) para descrever o efeito embaçador das opiniões preconcebidas sobre a experiência crua, comparada às afirmações dos textos Prajñāpāramitā.
- A ética cínica baseada em “autarkeia” (autodomínio), “apatheia” (não reação) e “adiaphoria” (não diferenciação), comparada aos conceitos budistas de “virāga” (desapego), “upekṣā” (equanimidade) e a ligação entre “prajñā” (sabedoria) e “karuṇā” (compaixão).
- As semelhanças anedóticas entre as tradições cínica e zen, incluindo ensino por exemplo, uso de choque, exigência de dedicação total, fórmulas enigmáticas, frugalidade, atitude alegre e autoposse.
- A hipótese de influência indiana no cinismo, considerando as rotas comerciais e a comparação feita por Onesicrito entre iogues e cínicos, mas também a possibilidade de derivação a partir de fontes gregas anteriores.
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