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helenismo:ceticismo:dumont-1993645-646-definicao-de-ceticismo

Dumont (1993:645-646) – definição de ceticismo

É necessário começar por uma análise crítica da nossa capacidade de conhecer (o ponto de partida é gnoseológico). Pois, se a nossa natureza fosse tal que não pudéssemos conhecer nada, não adiantaria nada investigar outras coisas. Na Antiguidade, houve filósofos que defenderam tal proposição e Aristóteles os combateu (ver especialmente Protágoras, p. 157). O representante mais vigoroso dessa tese foi Pirro de Elis, que pessoalmente não nos deixou escritos. Mas Timão, seu aluno, diz que aquele que quer desfrutar da felicidade deve considerar estes três pontos. Primeiro: qual é a verdadeira natureza das coisas? Segundo: qual deve ser a disposição de nossa alma em relação a elas? Por fim: o que resultará para nós dessa disposição? Uma vez que, afirma ele, as coisas não manifestam nenhuma diferença entre si e escapam igualmente à certeza e ao julgamento, nem as sensações nem as opiniões podem nos revelar a verdade ou nos enganar 1). É por isso que não devemos dar crédito a elas, mas permanecer sem opiniões, sem inclinações e sem nos deixarmos abalar, limitando-nos a dizer de cada coisa que ela não é mais isso do que aquilo, que é e, ao mesmo tempo, que não é, ou que nem é, nem não é. Se conhecermos essas disposições, conheceremos, diz Timão, primeiro a afasia 2), depois a ataraxia 3) e, diz Enésidemo, o prazer. Esses são os principais capítulos de sua filosofia.

Eusèbe de Cesarée. Préparation évangélique, XIV, 18, trad. J.-P. Dumont, in Le Scepticisme et le phénomène, Vrin, Paris, 1985.

1)
A fórmula evita qualquer dogmatismo: não se pode afirmar dogmaticamente, como Metrodoro (ver p. 125), que somos enganados.
2)
O silêncio da alma.
3)
A ausência de perturbação.
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