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Escatologia
- IV. A Escatologia
- A imortalidade do hermetista divinizado
- A afirmação de que aquele que passou pela transformação espiritual e se tornou um “homem novo” não morre no sentido pleno.
- Na morte, ocorre uma separação entre o elemento material e o elemento divino do ser.
- O processo de descida e vestição da alma (antropogonia no *Poimandres*)
- O Homem Celeste (Anthropos), em sua descida através das sete esferas planetárias, reveste-se de sete “vestes” ou envoltórios materiais.
- Essas vestes são de natureza passional (vícios), que atam a alma à matéria.
- Os primeiros sete homens herdam de seu pai (o Anthropos) tanto uma parte espiritual (o intelecto) quanto essas vestes astrais materiais, e de sua mãe (a Natureza) recebem o corpo material.
- O processo de ascensão e descensão da alma após a morte
- Um duplo despojamento na ordem inversa da vestição.
- Primeira etapa: abandono dos elementos ligados ao mundo material
- O corpo físico é entregue à alteração e desaparece.
- O *ethos* (temperamento, dependente da mistura dos quatro elementos) é entregue ao demônio guardião.
- Os sentidos corpóreos retornam às Energias astrais de onde provieram.
- As paixões irracionais (o irascível e o concupiscível) retornam à Natureza irracional.
- Segunda etapa: a ascensão através das esferas e o abandono das paixões astrais
- Na esfera da Lua: abandono da faculdade de crescer e decrescer.
- Na esfera de Mercúrio: abandono da malícia e da astúcia.
- Na esfera de Vênus: abandono da ilusão do desejo.
- Na esfera do Sol: abandono da paixão pelo comando.
- Na esfera de Marte: abandono da audácia e da temeridade.
- Na esfera de Júpiter: abandono dos apetites ilícitos proporcionados pela riqueza.
- Na esfera de Saturno: abandono do mentiroso embuste.
- O destino final da alma purificada
- Liberta de todos os envoltórios astrais, o intelecto entra na natureza ogdoadica (o Oitavo Céu, de puro éter e luz).
- Ascende ainda mais alto, até as Potências divinas (as Formas arquétipas).
- Torna-se ele mesmo uma Potência e entra em Deus (*en theo ginetai*).
- O fim bem-aventurado: “tornar-se Deus” (*theothenai*).
- V. O Hermetismo em Diálogo com Outras Gnoses Contemporâneas
- A constatação de que o hermetismo erudito, em sua época (séculos II-III d.C.), não é absolutamente original, compartilhando estruturas e temas com outras correntes gnósticas pagãs.
- Pontos de convergência significativa com outras gnoses (Numênio, Porfírio, Jâmblico, *Oraculos Caldaicos*, gnósticos de Plotino, *novi viri* de Arnóbio)
- A multiplicação de intermediários divinos para proteger a transcendência do Deus Supremo.
- A posição da Alma/Primeiro Homem numa quarta posição hierárquica, após o Deus Supremo e duas outras entidades divinas (variações existem quanto a qual entidade ocupa esta posição).
- O problema do motivo da queda da alma: dualidade de explicações entre um decreto divino e uma escolha ou pecado original da própria alma (dualidade presente tanto no hermetismo quanto em outras gnoses).
- Divergências sobre os métodos para assegurar a remontada da alma: duas posições antagônicas e posições intermediárias
- A via hermetista: puramente ascética e contemplativa, baseada no autoconhecimento, na oração e na iluminação interior, rejeitando a magia como violência contra a Necessidade (*Heimarmene*). O corpo (a “lama”) é abandonado ao seu destino.
- A via do pseudo-Zoroastro (segundo o alquimista Zósimo): uso da magia e do conhecimento dos seres superiores para forçar e desviar os males do Destino, controlando a passagem pelas esferas.
- Posições intermediárias: combinação de métodos ascéticos e mágicos, como encontrado em Porfírio, Jâmblico, nos *Oraculos Caldaicos* e nos gnósticos de Plotino.
- Caracterização final do hermetismo como um misticismo depurado e espiritual, uma *religio mentis* (religião da mente), conforme expresso no *Asclepius*.
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