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Cosmogonia, Antropogonia e Soteriologia

  • Fundamentos e Pressupostos da Doutrina da Salvação
    • Necessidade de salvação oriunda da condição de aprisionamento da alma na matéria tenebrosa.
    • Causa da queda identificada na descida do primeiro Homem celeste (não terrestre) ao domínio material.
    • Método de libertação baseado no afastamento da matéria durante a vida para permitir a ascensão pós-morte ao Primeiro Deus.
    • Integração sistêmica entre teologia, cosmogonia, antropogonia, soteriologia e escatologia.
    • Centralidade dos tratados I (Poimandres), IV, VII e XIII do Corpus Hermeticum na estruturação da gnose coerente.
  • Teologia e as Fases da Gênese de Poimandres
    • Revelação mística de Poimandres, o Intelecto da Soberania Absoluta, durante o estado de êxtase de Hermes.
    • Primado originário da luz e subsequente divisão entre a região luminosa superior e a escuridão caótica inferior.
    • Emergência do Verbo Santo (Filho de Deus) a partir da luz para ordenar a natureza úmida e os quatro elementos.
    • Multiplicação da luz em Potências incalculáveis que constituem o mundo das Ideias e arquétipos.
    • Dualidade entre Noûs (Luz e Vida) e Boulè (Vontade de Deus) como princípios da organização cósmica.
    • Função do segundo filho, o Noûs Demiurgo (deus do fogo e do sopro), na criação dos sete Governadores das esferas planetárias.
  • Antropogonia e o Drama da Queda Original
    • Geração do Anthropos (Homem celeste) à imagem e semelhança do Pai, dotado de Vida e Luz.
    • Pecado de narcisismo: o Homem celeste apaixona-se pelo seu próprio reflexo na Natureza e deseja unir-se a ela.
    • Consequência da união carnal entre o Anthropos e a Natureza: nascimento da humanidade atual com natureza dupla.
    • Homem definido como mortal pelo corpo físico e imortal pela alma e pelo intelecto essenciais.
    • Submissão do ser humano à Fatalidade (Heimarménè) apesar de sua origem superior à armadura das esferas.
  • Soteriologia: Conhecimento, Disciplina e Intelecto
    • Salvação hermética centrada no autorreconhecimento da parte de Luz e Intelecto divino interior.
    • Divisão da humanidade entre os pios (que buscam a imortalidade) e os ignorantes (que permanecem na morte e trevas).
    • Diferenciação entre o intelecto em potência (comum a todos) e em ato (exclusivo dos que vivem retamente).
    • Papel do Noûs divino como anjo custódio que sela as portas contra ações e pensamentos malvados nos homens pios.
    • Doutrina do Cratere: o intelecto como prêmio a ser conquistado através da escolha livre e do “batismo” na gnose.
    • Superação do destino: o intelecto humano, sendo um com Deus, pode colocar a alma acima da fatalidade astral.
  • Regeneração Espiritual e Divinização (Tratado XIII)
    • Processo de “nascimento em Deus” através da Sabedoria inteligente no Silêncio e do Volere de Deus.
    • Substituição radical dos doze vícios zodiacais (ignorância, tristeza, cólera, etc.) por dez Potências divinas.
    • Dez Potências purificadoras: conhecimento de Deus, alegria, continência, força, justiça, bondade, veracidade, bem, vida e luz.
    • Experiência de visão imaterial onde o iniciado sai de si mesmo para entrar num corpo imortal.
    • Estado de onipresença e identificação com o Aiōn (Tempo eterno) após a geração no intelecto.
  • Escatologia e o Duplo Despojamento Pós-morte
    • Separação final entre o elemento material (corpo da Natureza) e o elemento divino (intelecto).
    • Retorno dos sentidos corporais às Energias dos astros e das paixões irracionais à Natureza.
    • Ascensão através da armadura das esferas, abandonando vícios específicos em cada região planetária:
      • Luna: capacidade de crescer e decrescer.
      • Mercúrio: malícia e astúcia.
      • Vênus: ilusão do desejo.
      • Sol: paixão do comando.
      • Marte: audácia e temeridade.
      • Júpiter: apetites ilícitos pela riqueza.
      • Saturno: mentira insidiosa.
    • Ingresso na natureza ogdoádica (oitavo céu) e união final com as Potências em Deus.
    • Meta beata da Gnose definida como o ato de “tornar-se Deus” (theōthēnai).
  • Comparações e Contextualização do Hermetismo
    • Concordância dogmática com outras gnoses pagãs (Numênio, Porfírio, Oráculos Caldeus) sobre a queda e ascensão.
    • Distinção entre a via hermética de ascese/prece e a via de coercições mágicas de pseudo-Zoroastro.
    • Hermetismo caracterizado como religio mentis (pura religião da mente).
    • Antinomia radical entre a existência de Deus (Bene e Pai) e o mundo material como totalidade do mal (pleroma tes kakias).
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