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helenismo:epicurismo:testionia-diogenes

Diógenes Laércio

Epicuro. Opere. UTET

DIÓGENES LAERCIO, X, 29 e seguintes (p. 104 Us., I Arr.2).

29. A filosofia divide-se em três partes: canônica, física e ética. A canônica oferece uma introdução ao conjunto da doutrina, 30. e está inteiramente contida na obra intitulada *Canon*. A física diz respeito à ciência da natureza e está contida nos XXXVII livros de Sobre a Natureza, bem como, em resumo, nas epístolas. A ética diz respeito ao problema do que deve ser escolhido e está contida nos livros Sobre os Gêneros de Vida, nas epístolas e em Sobre o Fim. Os epicuristas, por outro lado, costumam unir a física à canônica, e chamam a canônica de ciência do critério, do primeiro princípio e dos elementos, enquanto dizem que a física é a ciência da geração, da corrupção e, em geral, da natureza, e a ética, a ciência do que deve ser escolhido ou evitado, dos modos de vida e do fim.

DIÓGENES LAÉRCIO, X, 31 (36 Us., I Arr.2).

Rejeitam a dialética como supérflua; dizem que aos físicos deve bastar o ater-se aos significados naturais das coisas. Quanto aos critérios, no Cânone Epicuro diz que eles consistem nas sensações, nas antecipações e nas afecções; os epicuristas acrescentam porém a estes também a intuição representativa da mente (de resto também Epicuro fala desta no Epítome a Heródoto e nas Máximas Capitais). Toda sensação, diz ele, é irracional e não participa da memória; não se produz por si mesma, nem, produzida por algo distinto, é capaz de lhe retirar ou acrescentar algo. Nada há que possa refutar uma sensação: não pode uma sensação homogênea refutar outra porque ambas têm o mesmo valor, nem o pode uma heterogênea, porque o seu juízo não verte sobre o mesmo objeto; nem o raciocínio, porque todo raciocínio depende das sensações; nem enfim uma pode refutar a outra, pois a todas nos atemos. O só fato de a sensação ser algo existente é garantia da veracidade dos sentidos. É um fato real que vemos e ouvimos, assim como que sofremos. Por isso, também para o conhecimento do que não cai sob os sentidos, devemos fazer ilações com base nos dados da experiência. Todos os pensamentos, de fato, geraram-se das sensações, por um processo de incidência, de analogia, de semelhança, de união, com uma certa colaboração do raciocínio. São verdadeiras também as visões dos loucos, e também as visões que temos em sonho; produzem de fato uma percepção; mas o que não existe não pode produzir nada.

33. Dizem que a antecipação é uma aprendizagem ou uma opinião ou um pensamento ou uma ideia geral ínsita em nós, que não é senão a memória do que muitas vezes se nos mostrou do exterior. É um exemplo «esta tal coisa é um homem»; quando de fato dizemos «homem», logo, graças à antecipação, forma-se no pensamento um esquema geral desta realidade, pelo fato de anteriormente as sensações no-la terem mostrado. De cada nome, de tal modo, é claro logo o significado; nem poderíamos jamais fazer investigação sobre nada se não tivéssemos já tido experiência; para nos podermos perguntar: «aquele lá adiante é um cavalo ou um boi?» devemos conhecer por antecipação a forma do cavalo e do boi. Nem poderíamos jamais nomear alguma coisa, se não conhecêssemos já antes por antecipação os caracteres. As antecipações, portanto, são conhecimentos evidentes.

O que se opina depende de um anterior conhecimento evidente, referindo-nos ao qual podemos por exemplo perguntar-nos: «donde sabemos que este é um CICERO?» A opinião é também por eles chamada conjetura, e retêm que possa ser verdadeira ou falsa; se recebe confirmação ou não recebe desmentido, é verdadeira; falsa invés se não recebe confirmação ou recebe desmentido. Por isso introduziram a expressão: «o que aguarda confirmação»; por exemplo o suspender o juízo na espera, e entretanto aproximar-se da torre, e aprender como ela realmente seja de perto.

DIÓGENES LAÉRCIO, X, 34 (260 Us., 1, p. 25 Arr.2).

Dizem que duas são as afecções, que existem em cada ser vivente, o prazer e a dor, uma conforme à natureza, a outra contrária, por meio das quais se julga o que é de escolher-se e o que é de fugir-se.

DIÓGENES LAÉRCIO, X, 34 (265 Us., I, p. 25 Arr.2).

As indagações cumprem-se algumas acerca das coisas, algumas em torno do puro vocábulo.

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