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helenismo:epicurismo:testionia-plutarco

Plutarco

Epicuro. Opere. UTET

PLUTARCO, Contra Colotes, 4, 1109 a-e (250 Us., 152 Arr.2).

Quem sustenta que nenhuma sensação é mais verdadeira do que outra, fez seu o princípio epicurista segundo o qual todas as representações sensíveis são verdadeiras. Se de fato, entre duas pessoas que afirmam uma que um vinho é doce, a outra que é amargo, não se pode dizer que nenhuma das duas tenha uma sensação falsa, como se pode afirmar que o vinho é antes amargo que doce? E pode-se ver como duas pessoas, submetidas ao mesmo banho, o encontram uma quente a outra frio, e uns ordenam de acrescentar-lhe água fria e outros água quente… ora, se um dissesse que uma sensação não é mais verdadeira do que a outra, viria a dizer que a água não é na realidade mais quente ou mais fria… Quem assere que para cada um cada coisa que se apresente à sensação resulta diversa, vem a dizer em substância que cada coisa é conjuntamente e realmente duas coisas diversas.

Quanto depois àquelas suas famosas simetrias e correspondências dos poros relativos aos órgãos sensores, aquelas muitas misturas de sementes, que, difundidas por todos os sabores, odores, cores geram segundo eles em cada indivíduo uma diversa sensação qualitativa, não os impelem de consequência a afirmar que as mesmas coisas, na realidade, não se diferenciam umas das outras? Eles de fato, diante de quem retém que a sensação possa enganar-se precisamente enquanto vê derivar dos mesmos objetos afecções contrárias aos sujeitos sencientes, ensinam com tom exortatório que, desde o momento que todos os elementos são mistos e confusos juntos, e pois que cada um é levado por natureza a harmonizar com uma ou com outra coisa, não é possível que haja em todos pela mesma qualidade igual capacidade de contacto e apreensão, nem que o mesmo objeto produza sobre todos em todos os sentidos afecções iguais; desde o momento que cada um de nós consegue colher precipuamente o que se acorda com a sua faculdade sensitiva, não há alguma razão de discutir em torno do fato de o objeto ser bom ou mau, branco ou não branco, retendo dar prova segura da própria sensação ao refutar a alheia. Não se deve nem mesmo procurar refutar uma só sensação: todas de fato são capazes de atingir algo, da grande comistão, como de uma fonte, cada uma colhendo o que lhe é oportuno e adaptado. Não se deve nem mesmo generalizar com base no conhecimento das sensações singulares: nem se deve crer que todos sofram as afecções ao mesmo modo, desde o momento que cada um as sofre segundo uma diversa qualidade e segundo a sua capacidade.

PLUTARCO, Contra Colotes, 28, 1124 b (ibidem Us.).

Se é possível suspender o juízo sobre estas coisas, não o é possível a propósito de outras, por exemplo como quando retendes que não difira sensação de sensação nem representação de representação.

PLUTARCO, Contra Colotes, 25, 1121 a (ibidem Us.).

Ele portanto (Colotes) não compreende esses mesmos discursos de Epicuro que ama e predileciona, nem nos escritos de Epicuro mesmo nem se ditos por outros. De fato aqueles dizem que, se uma imagem chega a nós redonda ou quebrada, a sensação que vem a imprimir-se em nós é verdadeira; não admitem porém que se afirme que a torre é redonda ou o remo é quebrado; em suma dão plena validade às afecções e às representações destes objetos, mas não querem admitir que estas coisas sejam assim também na realidade externa… A imagem de que a vista é afetada é quebrada, não o é porém o remo de onde provém a imagem.

PLUTARCO, Contra Colotes, 28, 1123 b-c (254 Us.).

Estas coisas e muitas outras ainda mais de tragédia, semelhantes àqueles «prodígios» de Empédocles que eles mesmos ridicularizam… — e que visão ou natureza prodigiosa não mencionam? — recolhendo-as todas juntas dos sonhos e dos estados de delírio, afirmam que não são alucinações nem enganos nem coisas privadas de real subsistência, mas que são todas representações verdadeiras e corpos e formas que chegam a nós do ambiente que nos circunda… Com o afirmar isto seriamente, não só mas com o mesmo sustentar que fazem que, se tais coisas não existissem, se desvaneceria toda crença e toda segurança e toda possibilidade de julgar o verdadeiro, eles mesmos chegam à impossibilidade de pronunciar-se a respeito de cada questão.

PLUTARCO, em OLIMPIODORO, No Platão Fédon, p. 156, 11 seguintes Norvin (ibidem, Us.).

Os epicuristas depois chamam em causa as antecipações. Mas se estas, como eles dizem, são articuladas em correspondência dos objetos, a investigação é inútil; em caso contrário, como podemos fazer indagações sobre algo de diverso e ulterior, algo que não conhecemos anteriormente?

PLUTARCO, Contra Colotes, 22, 1119 f (ibidem Us., 146 Arr.2).

Quem mais do que vós erra a propósito da língua, de vós que abolis o gênero dos «significados» que forma a essência do discurso, com o admitir somente os vocábulos e as coisas a que estes se referem e com o dizer que não existem aquelas realidades intermédias pelas quais se tornam possíveis a apreensão, o ensino, as antecipações, as reflexões, os impulsos?

PLUTARCO, Contra Colotes, 29, 1124 b (263 Us.).

…Estes, que afirmam que os objetos da experiência nos dão a prova das coisas que escapam à experiência, embora vendo que tal e tanta é a inseguridade e a obscuridade no conhecimento sensível.


PS. PLUTARCO, Miscelâneas, fr. 8 (= EUZÉBIO, Preparação Evangélica, I, 8, 24; p. 581 Diels) (266 Us., 148 Arr.2).

Epicuro afirma que nada de novo ocorre no universo em relação ao infinito tempo transcorrido.

PLUTARCO, Contra Colotes, 13, 1114 b (269 Us.).

Mas sim, por Zeus, os corpos são infinitos por multidão segundo Epicuro, e cada uma das realidades do mundo sensível nasce deles. Vejamos bem quais sejam os princípios do devir que vós hipotetizais: a infinitude e o vácuo.

PLUTARCO, Contra Colotes, 8, 1110 f (ibidem, Us.).

Estas coisas são tão inseparáveis na realidade da doutrina de Epicuro, como eles dizem sê-lo o peso e a figura dos átomos.

PLUTARCO, Da procriação da alma no Timeu, 6, 1015 c (ibidem, Us.).

Os Estoicos não concedem a Epicuro que o átomo decline nem sequer de um mínimo, porque dizem que ele de tal modo introduz um movimento sem causa gerado do não ser.

PLUTARCO, Da sagacidade dos animais, 7, 964 c (281 adendo Us., p. 351).

Eles (Estoicos e Peripatéticos) não concedem a Epicuro, sobre questões de grandíssima importância, nem mesmo uma coisa de pouco conta como esta, parece-me, que um só átomo possa declinar de um pouquinho apenas do seu percurso, de modo que possam produzir-se os astros e o zodíaco e a sorte e não vá destruída de todo a nossa liberdade. Pedem-lhe, ao contrário, para demonstrar o que não cai sob os sentidos ou então para ater-se ao que é perceptível com eles.

PLUTARCO, Contra Colotes, 16, 1116 c (282 Us.).

Gostaria de saber deste acusador (= de Platão, Colotes) se eles não se apercebem da discrepância que há nos seus próprios princípios, pela qual alguns corpos são considerados estáveis e imutáveis na sua essência, outros instáveis: já que dizem que os átomos são eternamente iguais a si mesmos pelo seu não estarem sujeitos a afecções e pela sua solidez, enquanto os compostos estão em contínuo fluxo e mudança, nascem e perecem, seja pelo destacar-se deles e o fluir de inumeráveis simulacros, seja pelo sobrevir do ambiente circundante de infinitos outros a completar o agregado, que é assim variado e mudado por tal ação transformante; enquanto também os átomos postos na profundidade do composto não cessam nunca de mover-se e de chocar-se reciprocamente, dizem eles.

PLUTARCO, ibidem, 10, 1112 a (ibidem, Us.).

Não vejo por que, quanto ao poder viver, (as teorias de Empédocles) possam dar fastígio àqueles que retêm que não haja génese do que não era precedentemente ou destruição do que é, mas que o nascimento ocorra por encontro recíproco de algumas entidades e a morte pela sua desagregação.

PLUTARCO, Contra Colotes, 10, 1112 b (286 Us.).

Os Epicuristas, supondo que os átomos, rigidamente imutáveis e não reciprocamente harmonizantes qual são, venham a ser empurrados no mesmo lugar, não podem pensar na realidade que se produza nada deles, mas só uma série de contínuos choques entre eles mesmos: aquele mesmo entrelaçamento, de fato, que impede a desagregação, torna também mais violento o choque recíproco, de modo que não se pode supor que aquela geração de que falam seja verdadeira mescla e união, mas antes luta e tumulto. Se os átomos depois ora se afastam mesmo de um mínimo pelo choque e o repique, ora se reaproximam cessada a força do choque, seguir-se-á que por um tempo mais do que duplo estarão sem tocar-se nem aproximar-se, de modo que deles não poderá nascer nada, nem sequer um ser inanimado; nem se vê depois, mesmo querendo-o, como se possa conceber que dos átomos e do vácuo se originem a sensação, a alma, o intelecto, a sabedoria. A transformação dos átomos ao seu reunir-se não é de si nem qualidade nem afecção, e nem mesmo um encontro que produza fusão ou comistão ou união por natureza, mas só choques e repiques.

PLUTARCO, Da face no orbe da lua, 4, 921 d (286 adendo Us., p. 352).

Choques e repiques como aqueles que Epicuro imaginou para os átomos.

PLUTARCO, Contra Colotes, 8, 1111 a (288 Us.).

Ele (Colotes) diz que Epicuro pôs os mesmos princípios (de Demócrito), mas não disse «são por convenção a cor, o doce, o branco» e todas as outras qualidades… Mas teria sido necessário não pôr esses princípios mas antes abolir a doutrina segundo a qual os átomos de Demócrito são os princípios do todo: a quem se atenha a tal doutrina e a guarneça de todos os argumentos críveis excogitados por aquele (Demócrito), é depois necessário engolir também o que nela há de desagradável.

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