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helenismo:epicurismo:testionia-sexto

Sexto Empírico

Epicuro. Opere. UTET

SEXTO EMPÍRICO, Adv. math., VII (log. I), 14 (ibid., Us.).

14, Entre aqueles que introduziram a bipartição da filosofia… Arquelau de Atenas começou a falar de divisão em física e ética; e, junto com ele, alguns incluem também Epicuro, que também teria se recusado a admitir a lógica. Mas houve outros que afirmaram que, na realidade, ele não aboliu a lógica em geral, mas que se limitou a rejeitar a estoica, de modo a deixar virtualmente em pé a tripartição da filosofia… Os epicuristas, por sua vez, partem justamente da lógica: em primeiro lugar, de fato, realizam pesquisas em torno do estudo das regras, e depois continuam a investigação em torno das coisas evidentes e não evidentes e do que daí decorre.

SEXTO EMPÍRICO, Contra os matemáticos, VIII (lógica II), 9 (244 Us.).

Disse Epicuro que todas as sensações são verdadeiras ou reais; de fato não fazia distinção entre o ser verdadeiro e o ser existente. Por isso, escrevendo em torno do verdadeiro e do falso, diz: «o verdadeiro é o que é assim como se diz ser, o falso o que não é assim como se diz ser».

SEXTO EMPÍRICO, Contra os matemáticos, VII (lógica I), 203 seguintes (247 Us., 151 Arr.2).

Epicuro, daquelas duas coisas estreitamente conjuntas entre si que são a representação e a opinião, diz que a representação, que chama também evidência, é em todo caso verdadeira. Assim como as afecções primárias, o prazer e a dor, derivam de algo que as produz e são correspondentes a isto, o prazer do que é aprazível, a dor do que é doloroso, e não é possível que o que produz a dor não seja doloroso, mas necessariamente, de sua natureza, uma e outra coisa devem ser tais, assim, também para aquelas afecções que nos são próprias e que são as representações, é necessário que em todo caso subsista o objeto da representação mesma, que as produz, e este objeto não poderia causar a representação naquela dada forma se não fosse em tudo e por tudo tal qual nos aparece. 204. A mesma coisa se pode arguir a propósito de todas as outras representações tomadas singularmente. O objeto da visão não só dá lugar a esta, mas é tal qual a ela aparece; o objeto da audição não só dá lugar a esta, mas é tal qual se apresenta a ela, na sua verdadeira realidade; e assim para todos os outros conhecimentos. Todas as representações portanto são verdadeiras, e com boa razão: se de fato uma representação pode dizer-se verdadeira, raciocinam os Epicuristas, quando provenha do que subsiste de fato e corresponda a este algo que subsiste de fato, e cada representação provém efetivamente de algo de realmente subsistente e corresponde a isto, segue-se necessariamente que cada sensação é verdadeira. Mas sucede que alguns sejam levados ao engano pela diferença intercorrente entre as representações que aparecem derivar de um mesmo objeto dos sentidos; do objeto, por exemplo, da vista, pelo qual este aparece de vez em quando ou de outra cor, ou de outra forma, ou diverso em um qualquer outro modo; e assim sejam induzidos a reter que destas representações tão diferentes ou até contrastantes entre si algumas devam ser verdadeiras e outras, contrárias às primeiras, falsas. Ora, isto é ingênuo, e é próprio de quem não consegue colher a verdadeira natureza das coisas. Por exemplo, para ater-se simplesmente às representações visuais, nem todo o corpo sólido é visível, mas só a sua superfície colorida. E da cor uma parte é pertinente ao corpo mesmo, como ocorre no caso de a observação se cumprir de perto ou de uma não grande distância; parte está fora dele e posta no espaço que o circunda, como resulta se olhamos o corpo de grande distância; este, mudando-se no espaço interposto e assumindo uma configuração própria, é para nós causa de uma representação correspondente àquilo que ele é na efetiva realidade. E assim como não se adverte o som da voz nem dentro do bronze percutido nem na boca daquele que grita, mas só quando tenha chegado à nossa sensação, e ninguém por outro lado diz que é falsa a sensação da voz tornada tênue pela distância, assim não se poderia dizer falsa a visão pela qual uma torre, pela grande distância, nos apareça pequena e redonda, enquanto de perto é grande e quadrada, mas se deverá dizer, ao contrário, que é verdadeira porque quando a ela o objeto da sensação aparece pequeno e de uma certa forma ele é na realidade assim, pelo fato de, por causa da passagem através do ar, os contornos dos simulacros terem sofrido uma redução; e quando aparece grande e de outra forma, também então é na realidade assim. Não já que em ambos os casos o objeto seja igual; isto de fato é próprio da opinião distorcida, que o objeto percebido de perto e de longe seja exatamente o mesmo. A sensação deve limitar-se a colher o que está presente e a move, a cor por exemplo; não deve julgar se outro é o objeto posto em um certo lugar, outro o objeto posto em outro.

Por isso as representações são todas verdadeiras; as opiniões invés não o são todas, mas diferem entre si, e delas algumas são verdadeiras, outras falsas. Pois que temos a faculdade de poder julgar as nossas representações, acontece-nos julgar algumas retamente e outras não, seja porque acrescentamos a elas e lhes atribuímos algo de não pertinente, seja porque delas detraímos algo, e em geral porque interpretamos erroneamente a sensação, que de si é irracional. Portanto para Epicuro as opiniões são algumas verdadeiras outras falsas; verdadeiras as confirmadas ou não desmentidas pela evidência, falsas as desmentidas ou não confirmadas pela evidência. A confirmação é o ato de compreender com evidência que o objeto da opinião corresponde à opinião mesma; por exemplo, enquanto Platão vem de longe, eu figuro-me e represento na opinião, a distância, que aquele seja propriamente Platão; no tempo em que se aproxima, reforça-se a minha opinião que aquele seja efetivamente Platão; quando depois toda distância cessou, ela recebe plena confirmação pela evidência. O não desmentido consiste na coerência com os dados da experiência quando o objeto do opinar não seja atingível pelos sentidos; por exemplo Epicuro, afirmando que existe o vácuo, que é de si inatingível aos sentidos, aporta como prova um fato de natureza evidente, o movimento: não havendo o vácuo não poderia haver nem mesmo o movimento, não tendo o corpo em movimento um lugar em que efetuar o seu deslocamento dado que todo o espaço seria pleno e compacto; de sorte que o dado da experiência que atesta haver o movimento não contradiz a opinião acerca do objeto que escapa à sensação.

215. O desmentido é o oposto do não desmentido; ele é a refutação que a experiência sensível dá à opinião acerca de um objeto que não cai sob os sentidos, assim, por exemplo, os estoicos afirmam que o vácuo não existe, porque o retêm coisa que não cai sob os sentidos: ora, uma hipótese do gênero contrasta com a experiência sensível, que é neste caso o movimento: porque, como se disse antes, não havendo o vácuo, de necessidade não poderia existir nem mesmo o movimento. Assim também a não confirmação é o oposto da confirmação: ela consiste em submeter à prova da evidência o fato de o opinado não ser qual aparecera anteriormente, como por exemplo se, quando alguém vem de longe, a distância fazemos a hipótese de que seja Platão, mas depois, cessada toda distância, aparece-nos com evidência que não se trata de Platão. Um semelhante fato chama-se, precisamente, não confirmação, porque o opinado não foi confirmado pela sensação. Com base em tudo isto pode-se dizer que a confirmação e o não desmentido são o critério da verdade, a não confirmação e o desmentido o critério da não verdade; e a evidência base e fundamento de tudo.

SEXTO, Contra os matemáticos, VII (lógica, I), 369 (ibidem, Us.).

Entre os físicos alguns infirmam a validade de todos os aspetos da experiência, como Demócrito; outros invés os convalidam todos, como Epicuro e Protágoras.

ibidem, VII (lógica I), 185.

Epicuro disse que todos os objetos da sensação são tais quais aparecem e quais caem sob a sensação mesma, pois que esta nunca erra.

ibidem, 355.

Epicuro disse que cada objeto da sensação é um conhecimento seguro.

SEXTO, Contra os matemáticos VIII (lógica II), 63 seguintes (253 Us.).

Epicuro dizia que o que é advertido pela sensação é tudo verdadeiro, e que cada representação vem de algo de realmente existente e é tal qual é de fato o que move a sensação; e que aqueles que afirmam que algumas sensações são verdadeiras e outras falsas erram enquanto não sabem distinguir opinião de evidência imediata. Por exemplo, pelo fato de Orestes crer ver as Erínias, dizia que a sua sensação era verdadeira enquanto movida por imagens (ela tinha imagens por objeto), mas que o pensamento estava em erro por falsas opiniões, crendo que aquelas imagens fossem corpos sólidos. E de outro modo, ele diz ainda, aqueles de quem se disse, se aduzem ao seu argumento a diferença que há entre as sensações, não conseguem depois demonstrar a verdade de algumas e a não verdade das outras: não podem prová-lo por meio do que aparece aos sentidos, pois que precisamente sobre isto verte a investigação, nem por meio do que não cai sob os sentidos, porque isto deve ser explicado por meio do que cai sob os sentidos.

SEXTO EMPÍRICO, Contra os matemáticos, I, 57 (ibidem, Us.).

Segundo o sapiente Epicuro, ninguém pode fazer indagações nem pôr questões sem uma antecipação.

SEXTO EMPÍRICO, Contra os matemáticos, VIII (lógica, II), 258 (259 Us.).

Vemos que há alguns que declaram absolutamente inexistentes os «significados», e não só aqueles de outra escola, como por exemplo os Epicuristas…

SEXTO, Contra os matemáticos, VIII (lógica II), 13 (ibidem Us., 147 Arr.2).

Epicuro e o físico Estratão com as suas escolas admitem somente dois tipos de realidade, a voz significante e a coisa significada; e mostram assim… de atribuir ao vocábulo em si mesmo a verdade e o erro.

SEXTO EMPÍRICO, Contra os matemáticos, VIII (lógica, II), 177 (262 Us.).

Epicuro e os mais importantes entre os seus seguidores disseram que o signo é de natureza sensível, enquanto os estoicos o reputaram inteligível.


SEXTO EMPÍRICO, Contra os matemáticos, X (física, II), 2 (271 adendo Us., p. 350).

Segundo Epicuro, da natureza dita intátil há três denominações: vácuo, lugar, espaço; e estes nomes variam segundo os diversos modos de consideração: se se considera aquela natureza em si mesma na sua privação de cada corpo, chama-se-lhe vácuo; se se a considera ocupada por um corpo, chama-se-lhe lugar; quando os corpos a atravessam, torna-se espaço. Em geral, todavia, é dita por Epicuro intátil pelo seu não oferecer nenhuma resistência ao tato.

SEXTO EMPÍRICO, ibidem, 329 (272 Us.).

Como prova mais válida da existência do vácuo, Epicuro parece oferecer esta: se há o movimento, há o vácuo; mas há o movimento; logo, há o vácuo. E certo, se as premissas desta demonstração fossem aceitas por todos, também a conclusão que dela segue, necessariamente, seria aceita. Invés, alguns opuseram-se à consequência de tal conclusão de tais premissas não porque não seja coerente com elas, mas porque são as premissas que estão erradas e inaceitáveis.

SEXTO EMPÍRICO, ibidem, 314 (ibidem, Us.).

Assim definem a demonstração: um discurso que por meio de premissas aceitas, segundo lógica dedução, chega a desvelar em conclusão uma realidade não evidente por si; por exemplo: se há o movimento, há o vácuo; mas há o movimento; logo, há o vácuo. O fato de o vácuo existir é não evidente por si, e eles retêm que se possa descobri-lo com lógica dedução das duas premissas verdadeiras «se há o movimento há o vácuo» e «mas há o movimento».

SEXTO EMPÍRICO, Contra os matemáticos, III, 98 (273 a adendo Us., p. 351).

Os Epicuristas dizem também que a reta no vácuo é sempre reta, nem sofre flexão alguma, desde o momento em que o mesmo vácuo não sofre nunca, nem todo nem em parte, movimento.

SEXTO EMPÍRICO, Contra os matemáticos, X (física, II), 240 (ibidem, Us., 162 Arr.2).

Quando Epicuro diz que é preciso conceber um corpo com base na combinação de grandeza, figura, resistência e peso, força-nos a conceber um corpo com base em elementos todos que não são corpóreos.

SEXTO EMPÍRICO, ibidem, 257 (ibidem, Us.).

Epicuro, o qual dizia que um corpo é pensável com base na combinação de figura, grandeza, resistência, peso.

SEXTO EMPÍRICO, Contra os matemáticos, X (física II), 42 (291 Us.).

Alguns físicos, entre os quais também Epicuro, afirmaram que o movimento de alteração não é senão uma espécie do movimento de traslação; de fato o corpo composto que muda de qualidade na realidade muda exclusivamente por um movimento de lugar e de traslação dos corpos que o compõem, corpos que são conhecíveis apenas com a mente. Assim, por exemplo, se algo se torna de doce amargo ou de branco negro, deve necessariamente ter sofrido um diverso ordenamento das partículas que o compõem e ter acolhido em si uma diversa disposição delas em lugar de uma outra; e isto não poderia ocorrer se as partículas não sofressem deslocamento. Analogamente, se algo de duro se torna mole, é necessário supor que as partes de que se compõe tenham sofrido deslocamento local: o tornar-se mole deriva do seu diradarem-se, o tornar-se duro do seu recolherem-se e espessarem-se. Portanto, quanto ao gênero, o movimento de alteração não difere em nada do movimento de traslação.

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