Conhecimento do Bem
Podemos conhecer os corpos, seja por meio dos sinais da analogia, seja pelas propriedades distintivas que eles possuem. Quanto ao Bem, não há meio algum de conhecê-lo, nem pela analogia do sensível, nem pela presença de qualquer objeto. Mas, assim como um homem sentado na margem elevada do mar alcança com seu olhar perspicaz um barco de pescador, vazio, solitário e sacudido pelas ondas; da mesma forma, aquele que se afastou das coisas sensíveis une-se ao Bem a sós, em uma comunhão onde não há mais nem homem, nem animal, nem corpo grande ou pequeno, mas uma solidão inefável, indescritível e divina, que é inteiramente preenchida pelos costumes, pelos hábitos e pelas graças do Bem, e na qual o Bem permanece no seio da paz e da serenidade, governando com benevolência e velando pela essência. Aquele que, inteiramente entregue às coisas sensíveis, imaginasse receber ali a visita do Bem e acreditasse encontrá-lo no seio da voluptuosidade, seria vítima de um erro grosseiro. Na realidade, não é por um caminho fácil que se ascende ao Bem; é necessária uma arte divina para alcançá-lo. O melhor meio é abandonar as coisas sensíveis, dedicar-se intensamente às matemáticas, até chegar à ciência superior que consiste em saber o que é o Um. (Fragmento em Eusébio Prep. evang., XI, 22.)
