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Henry More

A filosofia de Henry More estava profundamente ligada à tradição filosófica da Antiguidade tardia. Sua metafísica, claramente inspirada na magnífica síntese de Platão, Plotino e os platônicos posteriores, operada no século XV por Marsilio Ficino, baseava-se na continuidade do ser entre Espírito e Matéria, o que também justificava a presença de demônios e almas desencarnadas no mundo natural. No entanto, More criticava ferozmente todas as formas de culto religioso em que os dii medioxumi eram considerados um meio de se reunir com Deus (ou eram adorados em vez dele), incluindo a teurgia, ou magia filosófica. A teurgia, que visava purificar a alma e reuni-la com o divino, ocupava um lugar central nas obras dos platônicos que seguiam Plotino. Curiosamente, More aceitou as premissas teóricas da teurgia, ou seja, a continuidade ontológica entre os mundos natural e divino, mas condenou sua prática, que envolvia a deificação de demônios e deuses menores. Essa crítica só pode ser totalmente compreendida se vista dentro do contexto da polêmica iconoclasta de More contra os católicos romanos. (Anna Corrias)

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