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Deus é incompreensível e eterno
CRAGG, Gerald R. (ORG.). The Cambridge Platonists. Repr ed. Lanham: Univ. Pr. of America, 1968.
- Distinção rigorosa entre os conceitos de incompreensibilidade e inconcebibilidade como estratégia de neutralização das premissas ateístas, sustentando que a incapacidade da mente finita em abarcar a totalidade de um objeto absoluto não invalida a legitimidade da ideia de uma perfeição suprema nem a reduz à categoria de não-entidade.
- Reconhecimento da incompreensibilidade como característica intrínseca de qualquer substância real, incluindo a matéria corpórea, o tempo e o movimento, cujas entranhas metafísicas apresentam enigmas que superam o domínio intelectivo total, situando o ser humano como apreendedor parcial da verdade em vez de seu compreendedor absoluto.
- Descrição do entendimento e da razão como mundo nocional ou globo cristalino capaz de refletir imagens e representações de tudo o que integra a esfera do ser, operando através de uma congruência interna que permite a apreensão de realidades proporcionais à medida humana, sem exigir a exaustão da infinitude divina.
- Analogia entre a percepção da divindade e a contemplação de uma montanha incomensurável, na qual o sujeito pode tocar a superfície e aproximar-se da base sem, contudo, ser capaz de circundar ou envolver a totalidade do objeto com os braços, demonstrando que a validade do conhecimento não depende da comensurabilidade entre o conhecedor e o conhecido.
- Paradoxo da cognoscibilidade divina fundamentado na plenitude do ser e na transcendência de sua luminosidade, sugerindo que a divindade é, simultaneamente, o objeto mais inteligível devido à sua densidade de realidade e o mais ofuscante por causa de sua transcendência absoluta.
- Utilização da metáfora solar para explicar como o excesso de esplendor pode causar um efeito de obscuridade e cegueira em mentes limitadas, convertendo a incompreensão não em prova de vácuo ontológico, mas em evidência de uma luz tão redundante que ultrapassa a capacidade de recepção das faculdades sensoriais e intelectuais finitas.
- Identificação de paixões naturais como a veneração devota, a adoração e o horror aprazível como indícios silenciosos de um objeto infinito que preenche e transborda os limites do pensamento humano, assemelhando a alma a um vaso estreito mergulhado na vastidão do oceano divino.
- Proposição de que o que não pode ser capturado pelo enquadramento racional é, todavia, apreendido por meio de uma imersão misteriosa na imensidão, confirmando a existência de algo que, embora incomensurável, impõe sua presença de forma vívida e incontornável sobre a consciência moral e espiritual.
- Crítica sistemática à redução nominalista do conceito de infinito a uma mera incapacidade de imaginação ou cansaço mental, denunciando o erro de considerar o termo infinito como um nome ininteligível destinado apenas a ocultar a admiração rústica ou a ignorância filosófica dos homens.
- Refutação da tese de que todo pensamento é obrigatoriamente finito e limitado a imagens ou phantasms, asseverando que o infinito possui realidade própria e verdade filosófica, não constituindo um caos mental ou um embrião disforme, mas a própria essência de um Ser que exige uma categoria de pensamento transcendente aos limites da representação sensível.
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