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O verdadeiro sistema intelectual do Universo
CRAGG, Gerald R. (ORG.). The Cambridge Platonists. Repr ed. Lanham: Univ. Pr. of America, 1968.
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Refutação sistemática da doutrina ateísta que reduz o entendimento humano a um tumulto mecânico de movimentos corpóreos, asseverando que a mera reação passiva de órgãos sensoriais frente a pressões externas resultaria na atribuição absurda de intelecção a corpos inanimados e superfícies reflexivas.
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Proposição da mente como substância ativa dotada de vigor e potência nativa, onde o ato de conhecer não deriva da força adventícia dos objetos, mas da capacidade intrínseca do sujeito em exercer ideias inteligíveis domésticas para compreender afecções sensíveis em termos de formas ideais.
Contestação do nominalismo moderno que desqualifica universais como meras atribuições nominais a corpos singulares, defendendo a realidade ontológica de concepções objetivamente universais sob o argumento de que a concebibilidade de um objeto implica necessariamente sua entidade inteligível.-
Identificação da necessidade lógica em axiomas e teoremas geométricos como prova de um conhecimento que precede a ordem da natureza material, operando por uma descida intelectual do universal ao singular em vez de uma ascensão indutiva a partir de sensações reiteradas e falíveis.
Dedução da existência de um Ser Onipotente a partir da capacidade intelectual de formular ideias de perfeição matemática, como linhas retas ou esferas exatas, que jamais existiram na matéria irregular do mundo sublinear e que pressupõem uma potência divina capaz de atualizar tais possibilidades.-
Estabelecimento da relação entre a possibilidade de existência e a atualidade de uma Mente Infinita, argumentando que nada que não é poderia ser possível a menos que houvesse um Ser em ato com fecundidade suficiente para produzir tudo o que é concebível.
Afirmação da primazia ontológica do Inteligível sobre a Intelecção, postulando que o conhecimento original reside em um Ser Perfeito que compreende a si mesmo e a totalidade das verdades imutáveis como arquétipo e paradigma para a criação do universo sensível.-
Concepção do entendimento humano como participação ectípica e derivada de uma única Mente Arquetípica, permitindo que mentes criadas funcionem como espelhos da energia divina e acessem verdades que são prolépticas à existência dos corpos materiais.
Postulado sobre a eternidade e indestrutibilidade das verdades geométricas e éticas, as quais permanecem imutáveis independentemente de convenções humanas, leis arbitrárias ou mesmo da aniquilação total da matéria, existindo como emanações da glória do Todo-Poderoso.-
Harmonização entre as tradições de Platão e Aristóteles no que tange à ingenerabilidade das essências inteligíveis, identificando nas formas e espécies os objetos estáveis da ciência em oposição ao fluxo perpétuo e à mutação indeterminada das substâncias sensíveis e singulares.
Demonstração da unicidade da Mente autoexistente através da uniformidade trans-histórica das verdades compartilhadas, sugerindo que a identidade das ideias em diversas consciências humanas decorre da impressão de um mesmo selo original e da iluminação por uma única luz eterna.-
Crítica à hipótese de uma multiplicidade de seres intelectuais independentes e finitos, asseverando que a ausência de uma medida comum de verdade e de um poder criativo infinito tornaria impossível a concordância racional e a própria compreensão das possibilidades do ser.
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