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Da Providência
CRAGG, Gerald R. (ORG.). The Cambridge Platonists. Repr ed. Lanham: Univ. Pr. of America, 1968
- Reconstrução dialética da imortalidade da alma por Moses Mendelssohn sob o prisma da religião natural, estabelecendo o legado platônico como emblema de uma racionalidade universal capaz de sustentar dogmas transcendentais sem a necessidade de revelações teológicas específicas, servindo como base para uma tolerância civil fundamentada na descoberta do que une a humanidade para além das divisões confessionais.
- Manutenção da autoridade simbólica de Platão enquanto sábio pagão cuja obra testemunha a suficiência da razão pura em atingir a certeza da permanência espiritual, opondo-se à tese pedagógica da providência histórica ao postular que a alma alcança sua maturidade ontológica independentemente de auxílios dogmáticos externos ou cronologias de revelação.
- Configuração fenomenológica do amor platônico como categoria espiritualista na Aufklärung, operando uma transposição da estética clássica para uma moralidade desincorporada que prioriza o enriquecimento mútuo das almas e a contemplação da beleza inteligível em detrimento das inclinações sensíveis e do desejo carnal, conforme a sistematização das tradições ficinianas sobre a dualidade entre a Vênus celeste e a Vênus vulgar.
- Investigação crítica das tensões entre o eros homossocial da Antiguidade e a necessidade iluminista de higienização moral, resultando em defesas apologéticas da virtude socrática que interpretam a beleza física meramente como revelação epifânica da excelência interior, ao mesmo tempo em que provocam reações como a de Hamann, que reivindica a unidade indissolúvel entre as dimensões psíquica e cósmica do ser humano.
- Tensão teológica e hermenêutica acerca da natureza divina e da doutrina trinitária no debate setecentista, onde a recepção de Platão oscila entre o reconhecimento de uma transcendência absoluta e a denúncia de uma suposta corrupção do cristianismo originário por hipóstases neoplatônicas, conforme as polêmicas de Souverain sobre a desnaturação do Verbo e a introdução de elementos cosmogônicos na fé revelada.
- Consolidação do monoteísmo filosófico através da exegese de Ralph Cudworth, que identifica na unidade do Bem em si a medida de todas as coisas, refutando tanto o panteísmo quanto o dualismo ao estabelecer que a divindade compreende a totalidade das possibilidades séticas e das relações necessárias como um sistema intelectual arquetípico anterior à existência da matéria.
- Demonstração da prioridade ontológica da mente sobre a matéria através da teoria das ideias inatas e dos universais inteligíveis, asseverando que o entendimento não constitui mera imagem passiva ou criatura derivada de corpos singulares em movimento, mas emanação ativa de uma inteligência que prefigura a ordem do mundo e a exatidão das formas geométricas jamais encontradas na irregularidade do plano sensível.
- Estabelecimento da relação de participação entre a mente humana e a Mente Divina, onde a capacidade de conceber entidades possíveis e verdades eternas funciona como prova da existência de um Ser Onipotente e Infinitamente Fecundo, cuja sabedoria constitui o espelho claro da energia ativa e a imagem absoluta da bondade que sustenta a realidade das essências imutáveis.
- Justificação da providência divina frente à aparente desordem dos assuntos humanos e à prosperidade do ímpio, interpretando o universo como um drama cósmico ou poema verossímil onde a justiça se desenrola em ciclos longos e evoluções lentas, exigindo do observador uma perspectiva de totalidade que transcende o imediatismo das paixões e a visão fragmentária das partes isoladas.
- Integração do conceito de Natureza Plástica como agente mediador e ministerial da vontade divina, responsável pela disposição ordenada da matéria segundo o paradigma mental sem exigir intervenções miraculosas constantes, preservando a dignidade da divindade ao delegar as funções operosas do mundo a causas naturais e instintos inseridos na própria estrutura do real.
- Defesa da harmonia universal baseada na variedade ontológica e na hierarquia das criaturas, recusando o pessimismo luterano em favor de um otimismo fichtiano que vê na retidão do Eu a tarefa de conformar o mundo à sua forma pura, integrando o paganismo como uma etapa necessária da história da consciência em busca da divindade através da negociação criativa entre a sensibilidade e o suprassensível.
- Proposição de uma história da alma que considera estados preexistentes e destinos futuros para solucionar as desigualdades morais e materiais da existência presente, transformando a fé em uma evidência de coisas não vistas e a virtude em um exercício de resiliência ativa em um mundo configurado como palco para a vitória final do bem sobre o vício.
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