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Platonismo Moderno e a Construção da Consciência Espiritualista na Aufklärung
- Recuperação sistemática da obra Fédon por Moses Mendelssohn sob perspectiva de universalidade racional onde figura de Platão assume valor emblemático de sábio pagão capaz de sustentar dogmas da religião natural sem dependência de revelação teológica específica.
- Consolidação da imortalidade da alma como princípio inteligível acessível à razão pura que precede qualquer intervenção histórica da providência e estabelece base para tolerância mútua entre diferentes confissões religiosas ao identificar verdades que unem humanidade acima de dogmáticas particulares.
- Oposição dialética entre visão mendelssohniana de razão autossuficiente e proposta de Lessing acerca da educação do gênero humano onde revelação serviria apenas como muleta temporária para infância da razão enquanto Mendelssohn postula alcance do fim último pela faculdade intelectiva original.
- Impugnação da ideia de aniquilamento da alma através de argumentação centrada na impensabilidade lógica do nada absoluto evitando descrições visionárias da vida eterna em favor de rigorosa demonstração metafísica da perenidade do ser espiritual.
- Configuração do amor platônico como categoria espiritualista desvinculada do desejo carnal mediante apropriação das teses de Marsílio Ficino sobre dualidade entre Vênus celeste e Vênus vulgar no contexto da cultura alemã do século dezoito.
- Justificação teórica de modelos relacionais complexos baseados na busca por enriquecimento mútuo e afeição desinteressada que resultaram na legitimação intelectual de vínculos afetivos triádicos e na priorização da comunhão de almas sobre uniões puramente corpóreas.
- Esforço apologético de autores como Eberhard para higienizar memória socrática frente a críticos que apontavam eros homossexual na Grécia clássica defendendo que beleza física atuaria meramente como degrau para revelação da excelência moral e espiritual dos jovens cidadãos.
- Reação crítica de Hamann contra fragmentação entre homem interior e exterior ao propor unidade indissolúvel onde amor emerge como força psíquica e cósmica capaz de redimir desejo através de síntese entre físico e metafísico.
- Manifestação da vida humana como série de atos simbólicos reveladores de natureza invisível aproximando pensamento hamanniano da autenticidade platônica ao rejeitar espiritualismo desencarnado em favor de revelação integral operada pela união de sensibilidade e intelecto.
- Sacralização do amor universal na obra de Goethe sob influência de ideais platônicos onde beleza é reconduzida à sua origem na Vênus Urânia como Ideia celeste do Belo em si livre das limitações contingentes da matéria.
- Delineamento da tolerância religiosa através do exemplo moral de Sócrates enquanto símbolo do virtuoso cuja consciência reta garantiria salvação eterna independentemente de adesão formal ao cristianismo ou judaísmo.
- Erosão de fronteiras confessionais promovida pela crença em lei moral inscrita naturalmente no coração humano permitindo que heróis da antiguidade sejam integrados ao panteão dos eleitos por mérito de suas disposições éticas e retidão de caráter.
- Emergência de universalidade pluridimensional no pensamento de Eberhard que recusa validade de castigos eternos sob premissa de que perfeição divina é incompatível com punição infinita para faltas humanas finitas estabelecendo respeito à alteridade em sua manifestação singular.
- Construção do ideal de paganismo saudável na estética de Winckelmann através da exaltação da arte grega como representação de harmonia suprema e equilíbrio absoluto da humanidade em sua fase clássica.
- Antítese entre orgulho helênico do homem ereto e humilde curvatura luterana do pecador evidenciando conflito entre valorização da natureza humana e conceito cristão de renúncia de si como caminho para graça divina.
- Otimismo antropológico de Fichte baseado na recusa do pessimismo luterano e na afirmação da tarefa heróica de conformar o mundo à forma pura do Eu eliminando curvaturas acidentais impostas pela exterioridade para recuperar configuração originária de liberdade e retidão.
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