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COUSIN: LE PREMIER ALCIBIADE (RESUMO)
LE PREMIER ALCIBIADE
traduction de Victor Cousin
ARGUMENT PHILOSOPHIQUE. (resumo)
- A investigação acerca da natureza humana e do autoconhecimento, tal como delineada na obra Alcibíades, postula que a compreensão de si mesmo constitui o fundamento inalienável de toda perfeição e ciência, estabelecendo-se como o requisito ontológico primordial para o exercício legítimo da atividade política e para a administração das faculdades intelectuais e sociais.
- A demonstração da ignorância de Alcibíades acerca do justo e do injusto fundamenta-se na premissa de que o saber autêntico deriva da descoberta pessoal ou da instrução qualificada, sendo que o jovem não identifica o momento em que reconheceu sua carência de saber para buscá-lo, nem encontrou no povo um mestre apto, visto que esta coletividade demonstra competência apenas no ensino da linguagem, mas falha gravemente em matéria de justiça ao manifestar contradições internas permanentes e ao promover os conflitos e as guerras que assolam o mundo grego.
- O exame da relação entre o justo e o útil conduz à conclusão de que ambos são termos idênticos, evidenciando que a incapacidade de definir a justiça implica necessariamente o desconhecimento sobre a utilidade real das ações humanas, o que convence o pretendente ao governo da necessidade imperativa de se instruir e se aperfeiçoar antes de intervir nas deliberações públicas de Atenas, partindo sempre do autoconhecimento como o ponto de partida de toda excelência possível a um ser.
- A definição essencial do homem identifica-o como uma inteligência que se serve de órgãos e instrumentos corpóreos, e não meramente como um ser servido por eles, estabelecendo que o eu se percebe no sentimento íntimo do poder voluntário de utilizar o invólucro orgânico que o circunda e do qual se distingue no ato deliberado de seu emprego.
- O fenômeno da personalidade humana e a consciência de uma existência própria realizam-se integralmente quando o ato livre e premeditado, originado nas profundezas da alma, interpõe-se ao fluxo mecânico dos movimentos orgânicos e das afeições sensíveis, de modo que a grandeza da vida intelectual é medida pela intensidade e pela persistência dessa energia voluntária que permite ao homem pertencer a si mesmo.
- A compreensão do eu individual, denominado to auto ekaston, exige que este seja reportado à sua essência universal e ao seu princípio originário, o auto to auto, visto que a causa pessoal, por ser finita e limitada pelas contingências do tempo, do espaço e das forças naturais, não é autossuficiente e demanda um ponto de apoio em uma potência superior onde possa renovar sua força e purificar sua liberdade.
- A descoberta de uma força absoluta nas profundezas da alma, que é anterior, superior e posterior à personalidade individual e que não se submete a atos particulares ou limitações espaciais, conduz à identificação de Deus como a substância e o tipo da liberdade em si, estabelecendo que quanto mais o espírito se desliga da fatalidade exterior e se vincula ao elemento sagrado que nele habita, melhor ele se conhece em sua essência primitiva e futura.
- As consequências práticas dessa arquitetura metafísica determinam que o objetivo fundamental do indivíduo deve ser o aperfeiçoamento da alma através do retorno constante ao seu princípio, pois aquele que ignora a própria natureza é incapaz de conceber a perfeição coletiva e, consequentemente, torna-se um mau estadista ao pretender comandar sem conhecer o artifício de tornar os cidadãos virtuosos.
- A verdadeira política define-se rigorosamente como a arte de persuadir a justiça e de fomentar a virtude na república, o que impõe a necessidade de o governante priorizar a integridade ética da sociedade em detrimento de vantagens exteriores e efêmeras, agindo sempre sob a orientação do conhecimento de si mesmo como condição absoluta para qualquer ciência política eficaz.
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