Cousin: Segundo Alcibíades
O Alcibíades menor (também chamado de Segundo Alcibíades), ou Sobre a oração, é um diálogo de Platão que trata da utilidade da oração.
Este diálogo é conhecido por Eliano, Ateneu e Diógenes Laércio (III, 59); Trasilo e Aristófanes de Bizâncio atribuem-no a Platão. No entanto, sua autenticidade foi questionada no século XIX por Victor Cousin e outros historiadores. Como o diálogo menciona a morte de Arquelao, ele deve ter sido escrito após a morte de Sócrates. Embora qualificado como “segundo”, este diálogo não seria posterior ao primeiro Alcibiades: na verdade, o Alc1 teria esse nome devido ao fato de ser considerado superior ao segundo Alcibiades (daí seu nome mais comum, Alcibiades menor). A distinção não é, portanto, cronológica, mas qualitativa.
Este diálogo ilustra a busca socrática por uma ciência do bem: trata-se de mostrar que, antes de rezar aos deuses e formular votos, é preciso adquirir sabedoria e virtude.
Sócrates encontra Alcibiades rezando e pergunta-lhe se ele meditou bem sobre o que convém pedir aos deuses. Segue-se então uma discussão em que Sócrates mostra que os homens agem e falam sem questionar o que realmente sabem: eles se assemelham, nesse aspecto, a insensatos, e o mal que causam é fruto de sua ignorância (ver Hípias Menor sobre esse tema).
Neste diálogo, foram observadas algumas imprecisões e contradições (por exemplo, é dito que a ignorância poderia ser menos prejudicial do que a ciência, o que é exatamente o contrário da doutrina platônica), repetições e obscuridades; Sócrates faz discursos de uma extensão incomum. O estilo é desprovido de ironia e espírito, e falta-lhe o movimento gracioso dos outros diálogos de Platão.
As lições
Primeira lição: “Não é seguro aceitar levianamente o que lhe é oferecido, nem pedi-lo você mesmo.”
Segunda lição: “Geralmente, o domínio de outras ciências, sem o domínio da ciência do bem, corre o risco de raramente ser útil e, pelo contrário, ser mais frequentemente prejudicial para aqueles que o possuem.” »
Terceira lição: Há poucas pessoas sensatas, mas há muitas insensatas.
Quarta lição: «Toda a poesia é naturalmente enigmática e não cabe a qualquer um compreendê-la.»
PERSONAGENS DO DIÁLOGO: SÓCRATES, ALCIBIADES
