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DACIER ET GROU: LE BANQUET

Le Banquet ou De l'amour

*traduction de Dacier et Grou*

ARGUMENT: Le sujet de ce dialogue est l'Amour. (resumo)

O Prelúdio e a Figura da Contemplação Filosófica

* A narrativa de Apollodore sobre o banquete oferecido por Agathon estabelece um prelúdio onde a figura de Socrates surge como o arquétipo da meditação e da frugalidade, evidenciada por sua prolongada imobilidade à porta do anfitrião em estado de absorção intelectual, sugerindo uma inclinação à vida contemplativa que precede e fundamenta o discurso metafísico. A decisão dos convivas em substituir a embriaguez e o entretenimento das flautistas pela discussão dialética sobre Eros sinaliza a transição do plano físico para o domínio da razão, organizando o pensamento em uma sequência lógica que reflete a diversidade de perspectivas conforme o caráter e a profissão de cada participante, preparando o espírito para a teoria que se desenvolverá por meio da oratória individual de cada presente.

O Elogio de Phedro e o Princípio Moral da Coragem

* O elogio de Phedro apresenta Eros como uma divindade primordial e sem linhagem definida por prosadores ou poetas, o que aponta para a dificuldade inerente em explicar sua origem sem um estudo profundo; nessa visão, o amor atua como o princípio motor da virtude e da coragem, inspirando nos amantes o sacrifício pessoal e a emulação da excelência em detrimento da covardia. A conclusão de que Eros é o mais antigo e augusto dos deuses estabelece o vínculo fundamental entre a paixão e a capacidade de tornar o homem virtuoso e feliz tanto na existência terrena quanto na vida após a morte, agindo como um governo moral que sugere a honra pelo bem e a vergonha pelo mal.

Pausanias e a Dualidade entre as Manifestações de Eros

* Pausanias introduz a distinção essencial entre duas manifestações de Aphrodite, a Urania, ou celeste, e a Popular, derivando delas dois tipos de amor: um sensual e brutal, voltado meramente aos sentidos, e outro intelectual e honrado, direcionado à alma e à inteligência. Esta perspectiva exige que o amante busque na amizade um compromisso com a virtude e a troca recíproca de serviços para o aperfeiçoamento mútuo, elevando a questão do plano meramente emocional para o domínio da psicologia moral, onde o amor verdadeiro é fundamentado na constância do caráter e na busca pela sabedoria, distanciando-se dos desvios da juventude e da ganância por honrarias ou bens materiais.

Eryximaco e a Harmonia Universal dos Opostos

* A visão médica de Eryximaco expande a jurisdição de Eros para além da alma humana, concebendo-o como a união e a harmonia de elementos contrários presente em todos os seres e fenômenos naturais, onde a saúde do corpo resulta do equilíbrio entre qualidades opostas. A música, o ritmo poético, a alternância das estações e a própria astronomia são interpretados como manifestações desse temperamento entre forças naturalmente hostis, situando o amor no centro da religião e da adivinhação como o nexo que mantém a inteligência e a boa convivência entre a esfera humana e a divina, sendo benéfico quando impera a harmonia e funesto quando os elementos escapam à proporção.

O Mito de Aristophanes e a Busca pela Unidade Primordial

* Aristophanes propõe uma concepção de Eros fundamentada na união dos semelhantes, ilustrada por uma mitologia onde os seres eram originalmente duplos e andróginos, possuindo uma força que os levou a desafiar os deuses, resultando na punição executada por Zeus de dividi-los ao meio e incumbir Apollo de curar as feridas. O amor humano é assim definido como o desejo de retorno ao estado primordial de unidade, onde cada metade busca incessantemente sua contraparte para restaurar a integridade perdida, convertendo a busca afetiva em um movimento metafísico de unificação do ser que explica a diversidade das inclinações humanas e a intensidade do vínculo indissolúvel entre os amantes.

Agathon e a Estética da Divindade Amorosa

* O discurso de Agathon, imbuído de elegância poética e recursos retóricos que lembram a sofística de Gorgias, descreve Eros como o mais feliz, belo e jovem dos deuses, dotado de uma natureza sutil que lhe permite habitar apenas o que é delicado e gracioso na alma humana. Através de uma pintura idealizada, o amor é apresentado como o mestre de todas as artes e o fundamento de todas as virtudes, como a justiça, a temperança, a força e a sabedoria, atuando como o princípio que governa a criação dos deuses e a harmonia entre os mortais, embora tal descrição seja posteriormente questionada quanto à sua veracidade filosófica por priorizar a estética em detrimento da essência.

Socrates e a Natureza Daimonica do Amor

* A intervenção de Socrates, mediada pelos ensinamentos de Diotima de Mantinea, desconstrói as idealizações prévias ao postular que Eros não é nem belo nem bom, pois o desejo pressupõe necessariamente a carência do objeto desejado. Eros é identificado como um ser intermediário, um daemon que serve de intérprete entre o divino e o mortal, sendo filho de Pores e Penia, o que explica sua natureza paradoxal de penúria e audácia, de carência constante e busca incansável pela sabedoria. O amor não é um deus, mas o desejo de possuir o bem para sempre para alcançar a felicidade, manifestando-se como a aspiração à procriação na beleza, seja no corpo, através da descendência física, ou na alma, através da geração de pensamentos virtuosos e leis justas.

A Escada da Beleza e a Aspiração à Imortalidade

* A ascensão erótica descrita por Diotima organiza-se em degraus que elevam o indivíduo da percepção da beleza física individual para a beleza de todos os corpos, progredindo para a beleza das almas, das instituições e das ciências, até atingir a contemplação do Belo em si. Esta forma eterna, divina e imutável de beleza, da qual todas as manifestações sensíveis são apenas reflexos efêmeros, constitui o fim supremo do amor e a fonte da verdadeira virtude e imortalidade, permitindo ao sábio transcender a finitude e gerar realidades espirituais duradouras que o aproximam da divindade através do exercício da filosofia.

Alcibiades e o Contraste entre a Embriaguez e a Razão

* A entrada súbita de Alcibiades em estado de embriaguez introduz um contraste dramático entre a paixão vulgar e o ideal socrático, manifestando-se no elogio magnífico a Socrates, que é descrito como possuidor de uma beleza interior e tesouros de virtude que suplantam qualquer aparência externa. O reconhecimento de Alcibiades sobre sua própria vergonha diante da retidão do mestre e sua admiração pela razão invulnerável de Socrates, que permanece senhor de si mesmo diante dos excessos da orgia e da sedução, reforçam a superioridade da vida filosófica, culminando na imagem de Socrates como o único capaz de atravessar a noite em vigília intelectual e retornar às suas ocupações habituais com a alma imune às paixões.

*INTERLOCUTEURS D'abord APOLLODORE, L'AMI D'APOLLODORE ; ensuite SOCRATE, AGATHON, PHEDRE, PAUSANIAS, ERYXIMAQUE, ARISTOPHANE, ALCIBIADE.*

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