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385A-391D (resumo)

  • A investigação sobre a correção dos nomes parte da distinção entre discurso verdadeiro e falso
    • Hermógenes defende inicialmente que a correção do nome reside na capacidade de qualquer indivíduo ou cidade atribuir um nome a uma coisa, sendo válido o nome que cada um decide dar.
    • Sócrates estabelece que, assim como há discursos verdadeiros e falsos, e estes são compostos por partes menores (os nomes), também os nomes podem ser verdadeiros ou falsos, dependendo de designarem os seres como são ou como não são.
    • A existência do discurso falso implica que a nomeação não é uma convenção arbitrária, pois um nome pode falhar em representar corretamente a coisa que nomeia.
  • A refutação do relativismo de Protágoras e do igualitarismo de Eutidemo como fundamento para a teoria dos nomes
    • Sócrates questiona Hermógenes sobre a possibilidade de a essência dos seres ser relativa a cada indivíduo, como propunha Protágoras ao afirmar que “o homem é a medida de todas as coisas”.
    • Hermógenes rejeita o relativismo protagórico ao reconhecer a existência de homens completamente bons (sensatos) e completamente vis (insensatos), o que seria impossível se a verdade dependesse apenas da opinião de cada um.
    • A rejeição da tese de Eutidemo, de que tudo é igual para todos em todo momento, também é necessária para que se possa distinguir virtude e vício, levando à conclusão de que os seres possuem uma essência própria, consistente e independente da opinião.
  • A analogia das artes para demonstrar que nomear é uma ação com um instrumento natural
    • Assim como cortar, tecer ou queimar são ações que possuem uma natureza própria e exigem um instrumento adequado para serem realizadas corretamente, falar e nomear também são ações que possuem um instrumento natural: o nome.
    • O nome é definido como um instrumento para ensinar e distinguir a essência das coisas, cumprindo uma função análoga à da lançadeira no tecido ou do berrante na perfuração.
    • O uso correto do nome, portanto, não depende da vontade de quem nomeia, mas sim de que ele seja aplicado conforme sua natureza e com o instrumento adequado.
  • O legislador como o artífice dos nomes e o dialético como o juiz de sua correção
    • O artífice que cria o instrumento “nome” é o legislador, um tipo raro de artesão que deve saber aplicar à matéria (sílabas e letras) a forma do nome que é naturalmente adequada a cada coisa.
    • Assim como o piloto dirige o construtor de navios e o citarista julga a obra do construtor de liras, o juiz e diretor da obra do legislador é aquele que usa o nome: o dialético, que sabe perguntar e responder.
    • Conclui-se que a imposição dos nomes não é tarefa banal ou de qualquer pessoa, mas exige o legislador guiado pelo dialético, confirmando a tese de Crátilo de que as coisas têm o nome por natureza.
  • A necessidade de investigar a natureza da exatidão natural dos nomes e a recusa socrática em afirmar um saber próprio
    • Embora a investigação conjunta tenha estabelecido que os nomes possuem uma exatidão natural e que não é qualquer um que pode impô-los, Sócrates afirma não ter um conhecimento próprio sobre qual seria essa exatidão.
    • Diante da dificuldade, Sócrates sugere ironicamente que Hermógenes aprenda com os sofistas, como Protágoras, a quem o irmão Cálias pagou para se tornar sábio, ou então que recorram aos poetas, como Homero, para buscar a compreensão da correção dos nomes.
    • Hermógenes rejeita a opção de aprender com Protágoras, pois já rejeitou sua “Verdade”, indicando que o caminho restante é o aprendizado com Homero e os demais poetas.
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